13 de outubro de 1999
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Pietro Maria Bardi
Italiano da Liguria, o criador do Museu de Arte de São Paulo, Masp, morreu de falência múltipla dos órgãos, aos 99 anos


O galerista italiano Pietro Maria Bardi, 99 anos, foi um homem que colecionou obras de arte, elogios e críticas pesadas. Natural da Liguria, onde nasceu em 1900, ele associou-se em 1946 ao todo-poderoso da imprensa brasileira dos anos 40 e 50, Assis Chateaubriand, para colocar o Brasil no cenário dos grandes acervos de arte. A parceria, que permaneceu inabalada apesar das crises que levaram ao fim o império de Chateaubriand, gerou um dos maiores museus da América Latina, o Masp, Museu de Arte de São Paulo. Ele morreu na sexta-feira 1.º, enquanto dormia, em sua casa no bairro paulistano do Morumbi, vítima de uma parada cárdio-respiratória que levou à falência múltipla dos órgãos. "A morte do professor é uma perda irreparável para São Paulo e para as artes", lamentou o ex-ministro da Saúde Adib Jatene, vice-presidente do conselho deliberativo do Masp.

Apesar de não ter completado sequer o curso primário, Bardi viajou por toda a Europa devastada pela 2.ª Guerra comprando as obras que as famílias tinham de vender para reconstruir suas vidas. "Eu dividiria a arte de São Paulo entre antes e depois de Pietro Maria Bardi", afirma o colecionador José Mindlin.

Outra parceria fiel e de sucesso foi com a esposa, a arquiteta italiana Lina Bo, 14 anos mais nova que ele, falecida em 1992. Eles se conheceram em 1943 e casaram logo em seguida. Vieram para o Brasil três anos depois, quando ele era jornalista e crítico de arte reconhecido em seu país. "Eram dois temperamentos muito diferentes, mas um não fazia nada sem o consentimento do outro", explica Graziella Bo Valentinni, irmã de Lina e presidente do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, que administra o legado dos dois.

Nem tão bem aceita foi a associação com o homem que levou o fascismo ao poder na Itália, Benito Mussolini, ditador pelo qual Bardi nutriu fervoroso entusiasmo. Tal ligação levou-o a ser acusado por muitos de impor mão-de-ferro na direção do Masp, com um comando autocrático e centralizador. "Os invejosos emagrecem e morrem de prisão de ventre", dizia ele, em resposta aos opositores.

Figura polêmica e de temperamento difícil, Bardi foi afastado da direção do museu em 1992, quando foi convidado a assumir o cargo simbólico de presidente de honra. Não aceitou. Preferiu retirar-se para a Casa de Vidro, a mansão projetada por sua mulher no Morumbi, onde ele morava desde 1951 cercado por 8 mil metros quadrados de mata atlântica e relíquias de arte como telas de Goya e mosaicos italianos de mármore do século 15. Agora a casa deverá ser aberta à visitação pública, em data ainda indefinida. As homenagens preparadas para o centenário do galerista incluem o livro Arte: Isto É..., que trará 100 artigos de Bardi publicados entre 1977 e 1992 nas revistas IstoÉ, IstoÉ/Senhor, Senhor e Senhor/Vogue e prefaciado pelo jornalista Mino Carta. "Será um retrato do que ele representou para mim: coerência, integridade e maestria", diz o escritor Cláudio Valentinni, 49 anos, sobrinho de Bardi e organizador do livro.

Seu corpo foi cremado, conforme sua vontade, no Crematório da Vila Alpina, em São Paulo, no domingo 3, após ter sido velado no salão nobre do Masp. Deixa uma filha, Fiorella, que não pôde vir da Itália, onde vive, para o funeral.


Akio Morita, engenheiro que ajudou a fundar a empresa japonesa de eletrônica Sony e criou o walkman, morreu no domingo 3 de pneumonia, aos 78 anos, em Tóquio. Um dos revolucionários que transformaram a economia japonesa, arrasada após a 2.ª Guerra Mundial, ele havia passado seus últimos anos no Havaí, recuperando-se de um derrame cerebral que o afastou do comando da empresa, em novembro de 1993. Morita fundou a Sony - do latim sonus (som) com o inglês sunny (ensolarado) - em 1946, sobre os escombros de uma loja bombardeada pelos americanos. Seu estilo incansável de trabalho foi forjado no fracasso em comandar a fábrica de saquê da família, baseada em Nagoya.

Ricardo Bueno, economista e jornalista que escreveu livros como A Farsa do Petróleo e Por Que Faltam Alimentos no Brasil, morreu no domingo 3 após lutar por sete meses contra um câncer de pele, aos 50 anos. Bueno foi editor do Diário do Comércio e Indústria e integrou as equipes dos jornais O Pasquim e Movimento. Nos últimos anos ele lecionava economia na Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. O economista deixa quatro filhos e a esposa, a jornalista Sônia Toledo. Ele foi sepultado no cemitério São João Batista, no Rio, na segunda-feira 4.

Amália Rodrigues, a maior cantora de fados de todos os tempos, morreu em sua casa em Lisboa na quarta-feira 6, aos 79 anos, de causa ainda desconhecida. Símbolo da música folclórica portuguesa em todo o mundo, Amália cantou em público pela última vez na exposição universal de Lisboa, em 1998, depois de ter sofrido uma cirurgia cardíaca que a afastara dos palcos. Nascida em 1920, ela começou a cantar ainda na adolescência nas docas do rio Tejo, enquanto vendia frutas com a mãe e a irmã. "Eu não canto o fado, ele canta em mim", afirmou certa vez. O governo português declarou luto oficial de três dias.

 

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