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Justiça
Edinho,
filho de Pelé, é condenado a seis anos de prisão
Davi Grinberg
A madrugada
de 24 de outubro de 1992 ainda está gravada na memória
da família do corretor de imóveis aposentado
Pedro Simões Neto. Depois de concluir uma reforma no
apartamento que acabara de comprar, ele voltava para casa
quando sua motocicleta, modelo XL 125 Duty, foi abalroada
por um carro Apollo que disputava com uma picape Saveiro uma
corrida na avenida Epitácio Pessoa, no bairro do Boqueirão,
em Santos. Pedro foi atingido pelo veículo e teve morte
instantânea devido a traumatismo craniano. "Como
seu carro estava quebrado, e estava uma noite agradável,
papai resolveu guiar a moto", lamenta sua filha Andréa
Pereira Simões, 27 anos.
Edson
Cholbi do Nascimento, 29 anos, o Edinho, filho de Pelé,
o Rei do Futebol, era o motorista da Saveiro. E, pela morte
de Simões, foi condenado a seis anos de prisão,
em regime semi-aberto, na madrugada da quarta-feira 6. "Vamos
apelar. Pela verdade, vou até o inferno", disse
o ex-jogador do Santos, que recentemente abandonou a carreira.
O estudante Marcílio José Marinho de Melo, 25
anos, motorista do Apollo e responsável direto pela
morte, foi condenado à mesma pena pelo júri
popular.
Mesmo
condenado, Edinho nega qualquer participação
no crime, alegando que estava apenas passando pelo local e
que até ajudou a socorrer a vítima. "Estava
trafegando a aproximadamente 50 km/h quando, a uns 20 metros
de distância, vi a colisão", diz o ex-goleiro.
Marcílio José Maria de Melo, na época
com 18 anos, estava acompanhado de duas outras pessoas na
noite do acidente. Após chocar-se com a moto, atingiu
um poste de iluminação e provocou ferimentos
nos outros ocupantes do veículo. Já Marcílio,
aparentando frieza, defendeu-se com o argumento de que a motocicleta
cruzou repentinamente seu caminho com a luz traseira apagada.
Ele argumenta ainda que o motorista estava com o capacete
preso no braço. "Foi um acidente", afirma.
A viúva
de Pedro, Maria Conceição Pereira Simões,
54 anos, compareceu ao julgamento. "Ele era um homem
muito ativo, conservado, otimista", lembra a viúva,
que tem saudades das noitadas dançantes e dos piqueniques
românticos na praia. "Desde que meu pai faleceu,
nunca mais a família teve momentos alegres e descontraídos.
Parece que a tristeza substituiu a felicidade", diz a
filha Andréa, que não parava de chorar durante
o julgamento. Com dificuldades, Pedro mantinha seus três
filhos em faculdades particulares. Andréa era estudante
de Medicina no Rio de Janeiro, Pedro Alexandre, 29 anos, era
estudante de Engenharia e Marilise, 34 anos, estudava Análise
de Sistemas. Após a morte, a força de vontade
substituiu as lágrimas e os jovens continuaram os estudos
graças a um crédito escolar. Hoje são
formados em suas respectivas áreas. "Lamentavelmente,
um racha acabou com 27 anos do meu casamento e com a estrutura
de uma família", diz a viúva.
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