13 de outubro de 1999
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Justiça

Edinho, filho de Pelé, é condenado a seis anos de prisão

Davi Grinberg

A madrugada de 24 de outubro de 1992 ainda está gravada na memória da família do corretor de imóveis aposentado Pedro Simões Neto. Depois de concluir uma reforma no apartamento que acabara de comprar, ele voltava para casa quando sua motocicleta, modelo XL 125 Duty, foi abalroada por um carro Apollo que disputava com uma picape Saveiro uma corrida na avenida Epitácio Pessoa, no bairro do Boqueirão, em Santos. Pedro foi atingido pelo veículo e teve morte instantânea devido a traumatismo craniano. "Como seu carro estava quebrado, e estava uma noite agradável, papai resolveu guiar a moto", lamenta sua filha Andréa Pereira Simões, 27 anos.

Edson Cholbi do Nascimento, 29 anos, o Edinho, filho de Pelé, o Rei do Futebol, era o motorista da Saveiro. E, pela morte de Simões, foi condenado a seis anos de prisão, em regime semi-aberto, na madrugada da quarta-feira 6. "Vamos apelar. Pela verdade, vou até o inferno", disse o ex-jogador do Santos, que recentemente abandonou a carreira. O estudante Marcílio José Marinho de Melo, 25 anos, motorista do Apollo e responsável direto pela morte, foi condenado à mesma pena pelo júri popular.

Mesmo condenado, Edinho nega qualquer participação no crime, alegando que estava apenas passando pelo local e que até ajudou a socorrer a vítima. "Estava trafegando a aproximadamente 50 km/h quando, a uns 20 metros de distância, vi a colisão", diz o ex-goleiro. Marcílio José Maria de Melo, na época com 18 anos, estava acompanhado de duas outras pessoas na noite do acidente. Após chocar-se com a moto, atingiu um poste de iluminação e provocou ferimentos nos outros ocupantes do veículo. Já Marcílio, aparentando frieza, defendeu-se com o argumento de que a motocicleta cruzou repentinamente seu caminho com a luz traseira apagada. Ele argumenta ainda que o motorista estava com o capacete preso no braço. "Foi um acidente", afirma.

A viúva de Pedro, Maria Conceição Pereira Simões, 54 anos, compareceu ao julgamento. "Ele era um homem muito ativo, conservado, otimista", lembra a viúva, que tem saudades das noitadas dançantes e dos piqueniques românticos na praia. "Desde que meu pai faleceu, nunca mais a família teve momentos alegres e descontraídos. Parece que a tristeza substituiu a felicidade", diz a filha Andréa, que não parava de chorar durante o julgamento. Com dificuldades, Pedro mantinha seus três filhos em faculdades particulares. Andréa era estudante de Medicina no Rio de Janeiro, Pedro Alexandre, 29 anos, era estudante de Engenharia e Marilise, 34 anos, estudava Análise de Sistemas. Após a morte, a força de vontade substituiu as lágrimas e os jovens continuaram os estudos graças a um crédito escolar. Hoje são formados em suas respectivas áreas. "Lamentavelmente, um racha acabou com 27 anos do meu casamento e com a estrutura de uma família", diz a viúva.

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