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Drama
A Rainha
da Beleza de Leenane
: Xuxa Lopes e Walderez de
Barros levam a São Paulo peça em que o texto é privilegiado
Ida Vicenzia
Para quem
gosta de teatro em que o texto é privilegiado, vale
assistir A Rainha da Beleza de Leenane, que estréia
na quinta-feira 8 no Teatro Alfa, em São Paulo. Diz
seu autor, Martin Mc Donagh, um jovem de ascendência
irlandesa, que sua influência vem, entre outros, de
David Mamet. Compreende-se. As voltas e reviravoltas que seu
texto dá lembram o estilo e as ferramentas utilizadas
pelo autor de teatro americano que estreou como diretor de
cinema em 1987 . Também é visível a presença
do velho Tenessee Williams, revestido de um novo humor (Williams
é autor de formação para essa nova geração).
A loucura
de Maureen, interpretada com sensibilidade por Xuxa Lopes,
não tem nada a ver com a de Blanche Dubois, protagonista
de Um Bonde Chamado Desejo - texto-chave de Williams -, mas
seu lado patético, sim. A intérprete de Maureen
consegue, sob a batuta da diretora Carla Camurati, um desempenho
denso, mais de acordo com as modernas anti- heroínas
dos novos dramaturgos britânicos ou norte-americanos.
Xuxa Lopes abandona os maneirismos adotados em Louco de Amor,
de Sam Sheppard, e segue uma linha agressiva, mais interiorizada,
sutil, alcançando um contato direto com o público,
sem excessos.
Mag (magistral
Walderez de Barros), a mãe dominante e egoísta,
é o epicentro da ação. O anjo anunciador
das desgraças de Maureen é Ray Dooley (Marcelo
Médici, um bom ator). Ray permite, com sua juventude
e impaciência, que o espectador atinja um grau de ansiedade
quase insuportável. Ele é o responsável
pelas surpreendentes viradas do texto. Mas a esperança
de Maureen, o homem que a resgatará para uma vida normal,
se chama Pato Dooley e é vivido por Chico Diaz.
A primeira
direção para teatro de Carla Camurati guarda
o tom irônico e inteligente de seus trabalhos no cinema,
como os polêmicos Carlota Joaquina e La Serva Padrona.
A Irlanda de Mc Donagh pode ser bem a América do Sul,
ou o nosso Brasil, em relação ao mundo. O sentimento
de isolamento é o mesmo e sua linguagem tem a mesma
força universal.
Bom
texto, ótima interpretação
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