13 de outubro de 1999
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A Rainha da Beleza de Leenane
: Xuxa Lopes e Walderez de Barros levam a São Paulo peça em que o texto é privilegiado

Ida Vicenzia

Para quem gosta de teatro em que o texto é privilegiado, vale assistir A Rainha da Beleza de Leenane, que estréia na quinta-feira 8 no Teatro Alfa, em São Paulo. Diz seu autor, Martin Mc Donagh, um jovem de ascendência irlandesa, que sua influência vem, entre outros, de David Mamet. Compreende-se. As voltas e reviravoltas que seu texto dá lembram o estilo e as ferramentas utilizadas pelo autor de teatro americano que estreou como diretor de cinema em 1987 . Também é visível a presença do velho Tenessee Williams, revestido de um novo humor (Williams é autor de formação para essa nova geração).

A loucura de Maureen, interpretada com sensibilidade por Xuxa Lopes, não tem nada a ver com a de Blanche Dubois, protagonista de Um Bonde Chamado Desejo - texto-chave de Williams -, mas seu lado patético, sim. A intérprete de Maureen consegue, sob a batuta da diretora Carla Camurati, um desempenho denso, mais de acordo com as modernas anti- heroínas dos novos dramaturgos britânicos ou norte-americanos. Xuxa Lopes abandona os maneirismos adotados em Louco de Amor, de Sam Sheppard, e segue uma linha agressiva, mais interiorizada, sutil, alcançando um contato direto com o público, sem excessos.

Mag (magistral Walderez de Barros), a mãe dominante e egoísta, é o epicentro da ação. O anjo anunciador das desgraças de Maureen é Ray Dooley (Marcelo Médici, um bom ator). Ray permite, com sua juventude e impaciência, que o espectador atinja um grau de ansiedade quase insuportável. Ele é o responsável pelas surpreendentes viradas do texto. Mas a esperança de Maureen, o homem que a resgatará para uma vida normal, se chama Pato Dooley e é vivido por Chico Diaz.

A primeira direção para teatro de Carla Camurati guarda o tom irônico e inteligente de seus trabalhos no cinema, como os polêmicos Carlota Joaquina e La Serva Padrona. A Irlanda de Mc Donagh pode ser bem a América do Sul, ou o nosso Brasil, em relação ao mundo. O sentimento de isolamento é o mesmo e sua linguagem tem a mesma força universal.

Bom texto, ótima interpretação

 

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