13 de outubro de 1999
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Cinema - Tragicomédia

Tudo Sobre Minha Mãe
Cecília Roth, Marisa Paredes, Penélope Cruz, Antonia San Juan

Geraldo Mayrink

Já vai longe o tempo, meados do século passado, em que a repulsa gay (não havia ainda esta palavra) pelas mulheres ganhou um ícone dourado, cacheado e cheio de brocados: “A mulher é um ser natural, portanto abominável”. Saiu da lavra de um grande poeta da modernidade, Charles Baudelaire (1821-1867), e queria dizer que a mulher era uma aliada da natureza, portanto inimiga das linhas geométricas, das barragens e tudo o mais que só o gênio masculino, racional antes de tudo, poderia criar no mundo.Mas nada como um desmunhecar depois do outro, porque Tudo Sobre Minha Mãe, a mais nova criação de um homossexual que cada vez mais se aproxima da genialidade de Baudelaire, é um hino em homenagem à mulher tão estridente que provavelmente nenhum macho fez coisa igual antes. Pedro Almodóvar se excede a cada novo filme. Numa terra de homens viris como dizem ser os espanhóis, e onde nasceu e vingou o incomparável Luis Buñuel (que se sentiu feliz ao perder o desejo sexual, na velhice, pois poderia então tratar as mulheres como “minhas semelhantes”), o filme de Almodóvar é uma pérola rara de feminilidade.

Sua história é um folhetim de dar água na boca. Envolve desde plantões médicos, com direito a transplantes, a filhos que morrem e nascem, prostituição, representações artísticas com mulheres soberbas - A Malvada, o filme com Bette Davis, entra na narrativa, assim como Um Bonde Chamado Desejo, a peça de Tennessee Williams, encenada em espanhol com Marisa Paredes no papel de Blanche Dubois - e até travestis que, sonhando com a maternidade, são pais de família.

Não se pode contá-lo aqui, em palavras, sem tirar o prazer agridoce de quem for assisti-lo em imagens, com um elenco de atrizes excepcionais (além de Paredes, Cecília Roth, Penélope Cruz e uma fora do comum, Antonia San Juan, tão convincente que faz o papel de Agrado, posando de homem vestido de mulher).

Almodóvar promove um grande triunfo da encenação sobre a verossimilhança corriqueira no cinema corriqueiro. O mínimo que se pode dizer de seu filme é que ele é abominavelmente natural. Humano, demasiadamente humano.
Para mulher nenhuma botar defeito

 

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