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Romance
Timbuktu
Cia das Letras lança mais uma fábula
moderna do autor americano Paul Auster
Heitor
Ferraz
Paul Auster
é uma espécie de biógrafo da vida americana.
Em quase todos os seus romances, ele acaba construindo a história
de uma vida imaginária. Seus personagens, retratados
realisticamente, normalmente são homens marcados pela
solidão, pelo senso de justiça e por uma espécie
de pureza que os afasta da realidade. Em seu último
romance, Timbuktu (144 págs., R$ 19), que acaba de
sair no Brasil, ele mais uma vez explora o mundo solitário
e individual - tema já tratado com grande refinamento
em Invenção da Solidão, recentemente
reeditado, em nova tradução.
Timbuktu
tem algo de fábula moderna. O personagem central não
é mais um homem: é um simples cão vira-lata
chamado Mr. Bones. É através dele que Auster
poderá mais uma vez mergulhar na alma dos homens do
seu tempo e do seu país. Neste livro, Mr. Bones é
o reflexo e a memória da vida de seu dono, Willy G.
Natal, um pobre-diabo, poeta maltrapilho e vagabundo, que
acaba morrendo na rua, partindo para a mítica Timbuktu,
a terra dos mortos. Resta a Mr. Bones - um cachorro que conhece
a língua dos homens - fugir das ciladas das grandes
cidades, como os furgões que pegam cachorros sem dono
e os restaurantes chineses, onde carne canina é prato
principal.
Nessa
fuga desesperada, ele tem a sorte de cair na casa de uma típica
família burguesa americana, com aqueles impecáveis
gramados onde as crianças brincam. Auster agora investiga
o outro lado da vida social de seu país: a vida daqueles
que conquistaram uma estabilidade econômica, ao contrário
de Willy. Porém, a mesma solidão reaparece.
É com um osso duro de roer que Mr. Bones se depara
em cada momento de sua aventura. Nesse romance, ele funciona
como uma espécie de escuta privilegiada dos homens.
É ele - o melhor amigo do homem - que pode escutá-lo
e talvez compreendê-lo.
Vida de cachorro
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