06 de outubro de 1999
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Denise por trás da fama
A atriz Denise Fraga estréia como protagonista no filme Por Trás do Pano, que tem a sogra na equipe

Paula Quental

Menina tímida, Denise entrava muda e saía calada da sala de aula. Tinha poucos amigos, era do tipo que ficava vermelha como um pimentão diante de qualquer gracinha dos colegas. Sentia-se mais à vontade em atividades solitárias, como o desenho e a pintura. Lá pelos 17 anos, na hora de escolher a profissão, não deu outra: cursaria a faculdade de Belas Artes. Mas em um desses acidentes de percurso que acabam sendo mais benéficos do que prejudiciais, Denise passou no vestibular, mas só começaria a ter aulas no segundo semestre, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com seis meses livres pela frente, fez todos os cursos que lhe apareceram - incluindo "corte e costura" - até um dia pisar um palco, para fazer exercícios. "Descobri, naquele lugar, que tinha uma voz. Me senti em casa", conta a hoje consagrada atriz e comediante Denise Fraga, 34 anos.

Uma pincelada dessa timidez - hoje coisa do passado - aparece na personagem Helena, uma jovem atriz iniciante que Denise interpreta no filme Por Trás do Pano, seu primeiro papel de protagonista no cinema e com o qual ganhou o prêmio de melhor atriz no 27.° Festival de Gramado, este ano. Helena tem de enfrentar inibições para contracenar com Sérgio (o ator Luís Melo), um respeitado diretor de teatro que resolve montar Macbeth, de Shakespeare. O filme, que tem também no elenco Pedro Cardoso, Marisa Orth e Ester Góes, é o primeiro longa-metragem do cineasta Luiz Villaça, 33 anos, marido de Denise. Documentarista, ele só havia dirigido curtas de ficção até então. Foi em um deles, Até a Eternidade, que conheceu Denise. "É um prazer trabalhar com ela, não só por ser minha mulher, mas porque é uma atriz talentosa e dedicada, que se envolve e mergulha nos papéis", diz.

O filme é quase uma invasão na privacidade do casal. Espelha um pouco do que vivem no cotidiano: as paixões e as angústias dos bastidores da vida artística e os reflexos disso na relação. "Embora eu não seja a Helena, tem até um bordão do filme que nós adotamos no nosso dia-a-dia, o 'pára de pensar', repetido toda hora pelo marido dela no filme, o Marcos (Pedro Cardoso)", conta Denise. Ela se orgulha da total cumplicidade artística que tem com Luiz, com quem está casada há cinco anos. Os dois também trabalham juntos - ela atuando, ele dirigindo - no quadro "Retrato Falado", em Zorra Total, programa humorístico exibido aos sábados na Globo. "Nós temos um tom de humor muito parecido", diz ela. "Quando entramos num restaurante, por exemplo, observamos e rimos das mesmas situações."

Além dos projetos em comum - há um novo a caminho, o longa Amor e Cia., para o qual já estão tentando captar recursos -, Denise e Luiz têm juntos dois filhos. Nino, de 1 ano e dez meses, e Pedro, de quatro meses. O roteiro das filmagens de Por Trás do Pano, realizadas no início do ano passado, previam paradas de quatro em quatro horas para as mamadas de Nino, que na época tinha quatro meses. A mesma idade tem agora Pedro, que, como o primeiro, também é amamentado no peito. E as interrupções para amamentação são igualmente previstas na exaustiva agenda de divulgação e lançamento do filme, em cartaz desde o dia 18.

Entre mamadas

As filmagens foram feitas na sua maior parte dentro do Teatro Municipal de Americana, o que obrigou o casal a se mudar com todo o staff (babá, cozinheira, bebê e a avó paterna) para um apartamento alugado na cidade do interior de São Paulo. "Eu era a encarregada de levar o Nino para a Denise dar de mamar e cuidar para que eles tivessem a tranqüilidade necessária para trabalhar", conta Daisy Villaça, mãe do cineasta. No filme, ela ga-nhou um crédito especial como "apoio indispensável". Também teve direito a uma aparição rápida, como figurante, empurrando o carrinho de Nino, numa cena em que a personagem Helena entra com a bicicleta no teatro. "Denise e Luiz queriam deixar um registro do Nino para que ele se veja mais tarde", conta a avó coruja, que acompanhou cada passo das filmagens.

Entre as qualidades de Denise que a sogra admira está justamente a dedicação à maternidade. Obrigada a passar alguns dias da semana longe de Nino, durante as gravações do humorístico Vida ao Vivo Show, que marcou sua volta à Globo, ano passado, Denise chorava de saudades. "Quando não agüentava mais, pegava um avião na ponte aérea, do meu bolso, só para fazer o Nino dormir", conta.

As gravações de Zorra Total recomeçaram na segunda-feira 20, em São Paulo, para o alívio do casal. Carioca do subúrbio do Lins, Denise se mudou para a capital paulista há dez anos, com a comédia Trair e Coçar é só Começar, de Marcos Caruso, seu primeiro grande sucesso. E foi ficando, emendando um trabalho no outro. "Percebi que fincaria raízes quando comprei um cachorro", diz. Sozinha na cidade, com a família toda no Rio, ela vivia contradições que foram uma lição para separar a fama, que é parte da profissão, da vida pessoal. "As pessoas me cercavam e me abraçavam na saída da peça e depois eu ia para casa e ficava, sozinha, comendo miojo e vendo televisão." Hoje ela coloca a família acima de qualquer ambição profissional. Quando recebeu o Kikito de melhor atriz em Gramado, ficou ainda mais feliz por um outro motivo: no mesmo dia, no hotel, o filho Nino falou "mamãe" pela primeira vez.

 

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