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MPB
Comadre
Florzinha
Comadre
Florzinha (CPC-Umes)
Regina
Porto
Mitologia
nordestina, cordel e melodias de fonte afro-ibérica
dão sustento a Comadre Florzinha, banda feminina de
seis vocalistas e instrumentistas com base em Recife. O canto
reverencia uma entidade sertaneja, que dá nome à
banda e título ao disco de estréia. As ilustrações
de Karina Buhr, uma das meninas, são um portal para
esse mundo encantado de marias-bonitas. Das 15 faixas, cinco
são de domínio público e todas citam
ritmos do sertão ensolarado - o coco, que é
dança de roda com solista e coro; o tambor-de-crioula,
música de terreiro do Maranhão cantada por mulheres;
e o cavalo-marinho, a versão pernambucana do bumba-meu-boi.
De sonoridade
100% acústica, a percussão do Comadre Florzinha
fala alto em arranjos bem trabalhados, com instrumentos como
o djembê, a alfaia e o mineiro. A sanfona é de
Renata Mattar e dois rabequistas aparecem como convidados
- o suíço Thomas Rohrer, do grupo A Barca e
da banda de Zeca Baleiro, e o líder do Mestre Ambrósio,
Siba. As vozes, agudas e anasaladas, soam imaculadas como
folias e cantos de trabalho verdadeiros.
A poesia
delicada e a alegoria das letras, a delícia do sotaque
carregado e dos acentos trocados pedem encarte na mão.
Não custa dar uma espiada no dicionário Assim
Falava Lampião, de Fred Navarro, para entender versos
como "O home aplanta um rebolinho de maniva". Destaque
nos cocos "Araúna" e "Pirulito",
e "Sapopemba", de Mattar, e ponto alto para a retórica
barroca de Mestre Verdilinho, em "Grande Poder".
Brasil fértil e profundo
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