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Polêmica
Com a corda no pescoço
Roger,
goleiro do São Paulo, posa para revista gay com a permissão
da mulher, mas pode perder o emprego
Fábio
Bittencourt
de São Paulo
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O goleiro
Roger José de Noronha Silva, 27 anos, nunca imaginou
que seu corpo escultural poderia despertar paixões
dos leitores da G Magazine, uma publicação destinada
aos homossexuais. Muito menos esperava posar nu para essa
revista, como os corintianos Vampeta e Dinei. Pelo cachê
de R$ 70 mil, ele será a capa da edição
de outubro da G. A atitude, no entanto, pode abalar sua carreira
profissional. Pelo menos no São Paulo, clube pelo qual
veste a camisa há dois anos e meio. Na quarta-feira
8, Roger começou a pagar o preço pela decisão:
o técnico Paulo César Carpegiani foi o primeiro
a bradar contra o ensaio fotográfico. "Eu escolho
se quero trabalhar com ele e ponto final." Até
o coordenador de futebol da equipe, Rubens Minelli, preocupado
com a temperatura da polêmica, entrou em cena para amenizar
o confronto. "Ainda não se cogitou nenhuma punição.
Vamos esperar a revista sair", declarou. "Não
esperava que isso atingisse a minha vida profissional",
diz Roger. "Achei que as conseqüências maiores
fossem ocorrer junto com a minha família, o que não
aconteceu."
No rastro
do trabalho de Roger, o casal pode sair dessa brincadeira
com a conta bancária reforçada. O fato novo
é que a revista Sexy, do mesmo grupo que edita a G
Magazine, convidou a mulher do jogador, a estudante de Direito
Danielli, 25 anos, para ser a capa da edição
de janeiro. Ela ainda tem alguns dias para dar a resposta,
mas já conta com o autorização do marido,
desde que o cachê seja maior que o seu. Os dois fazem
planos para gastar esse dinheiro. Além de uma segunda
lua-de-mel, o restante será depositado em uma caderneta
de poupança para os filhos, Nicole, um ano e sete meses,
e Diego, com apenas sete meses. Roger e Danielli estão
casados desde dezembro de 1996, depois de se conhecerem em
um vôo para Brasília, quando ele jogava pelo
Flamengo, time em que iniciou a carreira, aos 13 anos. "Foi
amor à primeira vista", recorda a mulher. Roger
é fluminense e desde que mora na capital paulista não
cultivou muitas amizades, além das que tem no clube.
"Costumamos ficar muito em casa vendo tevê",
diz Danielli. "Todo o tempo que eu tenho, fico com as
crianças", complementa Roger.
Apesar
de contabilizar o lucro da sua nudez, Roger está preocupado
com a possibilidade de ficar desempregado. Com a mesma rapidez
com que tirou a roupa nas páginas da revista, consultou
o advogado Luiz Guerra. E ouviu o que queria. "O contrato
com o São Paulo não estipula nada contra as
fotos. Pela lei, estou garantido", assegurou o atleta.
Tendo a lei a seu lado, partiu para o contra-ataque. "Avisei
no clube que iria fazer as fotos e ninguém disse que
não poderia", afirmou o goleiro.
OK
feminino
O namoro da
revista com Roger, goleiro reserva no São Paulo, começou
ainda em julho. Danielli estava cuidando dos filhos, no apartamento
localizado em Perdizes, bairro nobre da capital paulista,
quando tocou o telefone. Do outro lado da linha, um homem
queria saber quais seriam as chances de o goleiro aceitar
um eventual convite para posar nu. O atleta estava fora do
País, excursionando com o time.
O contrato,
no entanto, só foi acertado um mês depois do
primeiro telefonema. "Se fosse alguma coisa vulgar ou
agressiva, eu não teria feito", diz o jogador.
O ensaio foi realizado em agosto, em um clube da cidade de
Socorro, interior de São Paulo. As seis horas e meia
de trabalho renderam 460 fotografias, divididas entre as arquibancadas
de um campo de futebol, a piscina e os vestiários.
"Foi fácil e não fiquei com vergonha de
tirar a roupa." Danielli não participou da sessão,
mas teve a tarefa de editar as 20 fotos que serão publicadas.
Roger
teve uma chance na seleção brasileira e ficou
na reserva de Taffarel, num amistoso contra o País
de Gales, na casa do adversário, quando tinha 19 anos.
Desde que chegou ao São Paulo, não conseguiu
superar o desempenho do titular, Rogério Ceni. Agora,
com ou sem punição, sabe que terá um
estigma profissional a enfrentar. "Sei que isso vai durar
pouco tempo e depois as coisas se acalmam." Heterossexual
convicto, apaixonado por Danielli, Roger também não
está preocupado com o assédio do público
gay. "Tenho amigos homossexuais, que sempre me respeitaram
e são muito legais." Sem preconceitos, com o ego
inflado e orgulhoso, ele tem um grande consolo: "Tenho
certeza que as mulheres também verão as minhas
fotos".
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