23 de setembro de 1999
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Luma de Oliveira e o prazer de provocar
Casada com um milionário e mãe de dois meninos, a ex-modelo e empresária, que desfilou com uma coleira com o nome do marido, anuncia que vai posar nua

Rosângela Honor
do Rio de Janeiro

Numa noite do fim de junho, Luma de Oliveira, 34 anos, vestiu-se apenas com uma lingerie de seda azul e uma sandália de salto alto. No quarto, pintado em tom pastel e com vista para a Lagoa Rodrigo de Freitas, o marido Eike Batista, 42 anos, a aguardava. Decidida a comunicar a mais recente decisão, sentou-se à beira da cama e cruzou as pernas. Ele, já conhecedor das estratégias da mulher com quem vive há oito anos, observava cada gesto dela com desconfiança. De repente, a pergunta. "Eike, estou bem?" Com entusiasmo, ele respondeu: "Bem? Você está ótima". Diante da observação precisa, seguiu-se uma conversa que ainda hoje o deixa inquieto. Ali, na intimidade, ela começou a contar-lhe que estava, sim, decidida a posar nua, pela quinta vez na sua carreira.

Quando se casaram, em 1991, após um rápido e intenso romance, ela era conhecida em todo o País por desfiles apoteóticos no Sambódromo do Rio e por ensaios fotográficos nus - em 1987 e em 1990 - que revelavam os dotes que a natureza lhe deu. O casamento parecia o fim da temporada sem roupa da modelo. Por isso, a parte mais difícil da negociação com a revista Playboy, iniciada em janeiro, seria dobrar o marido - que também bolou uma estratégia para tentar fazê-la desistir, assim que soube do que estava por vir. Primeiro, tentou cobrir o cachê oferecido, formado por uma parte fixa, igual à das maiores estrelas da televisão, mais participação nas vendas superiores a 200 mil exemplares. "Como bom empresário, ele tentou negociar o tempo inteiro", diz Luma. Não deu certo.

A etapa seguinte foi abastecê-la com chocolates - até que ela percebeu a manobra para fazê-la engordar. "Se você quer me agradar, não traz chocolates", pediu. "Estou fazendo ginástica todos os dias, lembra?" Mesmo assim, ele deu a última cartada. Mostrou a ela um artigo publicado numa revista americana sobre o sucesso de um novo método de fertilização no qual há mais chances de gerar uma menina. O casal, que tem dois filhos - Thor, 8 anos, e Olin, 3, que só andam em carro blindado -, programara mais um para este ano. "Resolvemos arquivar o projeto", diz Luma.

Envie esta página para um amigo Embora o martelo já tenha sido batido, até hoje o assunto é tabu na mansão do casal, no alto do Jardim Botânico, bairro de classe alta na zona sul do Rio, onde trabalham nove empregados, entre seguranças, jardineiros, cozinheiras, faxineiras e uma babá. Eike conta que começou a mudar de idéia depois que Luma lhe mostrou o ensaio de Cindy Crawford, na Playboy americana, publicado em 1998. "As fotos podem ser sensuais sem parecer vulgares", diz.

Marido de ouro

Dono de uma empresa de mineração - a TVX, com 300 toneladas de ouro em reservas -, de uma fábrica de jipes fornecedora do Exército francês e da Clarity, de cosmésticos - na qual trabalha o irmão e empresário da modelo, Men de Oliveira, 48 anos -, Eike não vai ao lançamento da edição do ensaio da mulher. "Provavelmente, estarei em viagem de negócios", despista. Aliás, como faz em todos os carnavais, quando Luma desfila. Jura que não tem ciúmes. "Ela demonstra que é minha a todo instante", diz. Foi assim no Carnaval do ano passado, quando a modelo usou uma coleira com o nome do marido. "Quando soube, achei uma prova de amor e uma demonstração de coragem", elogia.

O episódio trouxe dor de cabeça para Luma. Ela foi massacrada pela feminista carioca Rosemarie Muraro em um programa de debates na tevê. A feminista chamou-a de Amélia, entre outros adjetivos. "Acho isso tudo profundamente idiota", volta a atacar hoje Rosemarie, ao ser informada de que Luma posará nua. A ex-modelo acredita que o ensaio será uma resposta. "Vou mostrar que sou Amélia, sim, mas uma Amélia moderna e independente", defende-se. Ao aceitar o convite, a modelo também quer dar a volta por cima das críticas que recebeu, além da coleira. "Disseram que eu estava escondendo o corpo fora de forma", reclama Luma, que engordou 18 quilos na segunda gravidez. Nessa época, ela prometeu a si mesma que retornaria este ano mais linda do que nunca. Contratou um personal trainer e passou a exercitar-se duas horas e meia por dia na academia montada em casa. E submeteu-se a uma plástica para implantar silicone nos seios. Com 1,74m, está pesando 57 quilos.

Ensaio nas férias

Aos que não entendem o que leva uma mulher famosa, mãe de dois filhos e casada com um bilionário a fotografar nua, Luma tem uma resposta. "É um trabalho digno e bonito. Nunca tive problemas com a nudez", diz ela, que ganhou do marido o apelido de "pouca roupa". Em casa, Luma toma banho na frente dos filhos e, em Búzios, costuma fazer topless quando a praia está deserta. Mas deixa transparecer uma preocupação quanto aos possíveis comentários dos amiguinhos de turma do filho mais velho. "Providencialmente o ensaio será publicado em janeiro, nas férias escolares", diz Luma. Mas também não esconde seu fascínio pela oferta financeira. "Se o cachê não fosse tão bom, não aceitaria."

Filha caçula de uma família de seis irmãos, natural de Nova Friburgo, na região serrana do Rio, Luma estreou na carreira de modelo aos 16 anos, quando já se mudara para Niterói. O irmão Men substituiu seu pai como tutor. "Eu ia buscá-la nas festinhas", lembra ele. Foi uma das irmãs, a já consagrada Ísis de Oliveira, hoje madrinha de Thor, que lhe abriu as portas. Durante um ano, ela telefonou para as agências fazendo propaganda da caçula. "Ser irmã de Ísis me poupou de constrangimentos", reconhece. Em 1987, estreou na novela O Outro e, em seguida, atuou em Meu Bem, meu Mal, em 1991. "Se tivesse seguido a carreira, poderia ter se tornado a nossa Julia Roberts", elogia Aguinaldo Silva, autor de O Outro. Luma também fez dois filmes dos Trapalhões e protagonizou Boca de Ouro, de Walter Avancini, em 1989.

Não foi por falta de convites que Luma deixou a carreira de atriz. Quando estava amamentando Olin, foi chamada pelo autor Carlos Lombardi para atuar em Vira Lata, em 1996. "Ela sempre chamou a atenção pela beleza e empatia", afirma Lombardi. Mas sua decisão já estava tomada desde que se casou, em 1991. A história de seu casamento com o empresário não deixou nada a dever a um conto de fadas.

Noivo em fuga

Eike abandonou sua noiva, a socialite Patrícia Leal, com quem já se casara no religioso, a uma semana da união civil. O anúncio caiu como uma bomba na alta sociedade carioca. Convites distribuídos e presentes recebidos, o filho do ex-ministro Eliezer Batista abandonou tudo para ficar com Luma. Ela recebeu a notícia minutos antes de entrar na passarela para mais um de seus desfiles. "Eu só sabia que ele tinha uma namorada, mas nem desconfiava de quem se tratava", lembra Luma. Dois anos depois, Patrícia casou-se com Antenor Mayrink Veiga, ex-namorado de Luma, após o Vaticano anular seu casamento com Eike.

Eike e Luma casaram-se no civil, três meses depois, em uma cerimônia para 200 convidados na cobertura onde o noivo morava, no Jardim Botânico. "De tão apaixonados, foram embora antes da festa acabar", relembra Helena Brito Cunha, que organizou a recepção. Prestes a ter seu nome incluído no livro Sociedade Brasileira, que reúne a nata dos socialites, Eike foi descartado ao deixar Patrícia no altar. "Se tivesse casado com ela, teria sido incluído", diz a autora Helena Gondim. "Não faria sentido depois que se casou com Luma." Na época, a modelo terminara um romance com o atacante Renato Gaúcho. "Acho ela demais", diz o jogador. Ele acabou causando um mal-estar a Luma por ter contado detalhes do romance em uma entrevista à revista Interview, em 1992, quando a modelo já estava casada. "Só disse a verdade", desculpa-se ele.

Luma sofreu hostilidades. Por diversas vezes, conta ter sido vítima de comentários maldosos. "No início, evitávamos sair de casa", diz. Luma trocou a carreira artística pela empresa de cosméticos que fundou em sociedade com o marido. Hoje empresária, emprega 40 pessoas e tem 50 distribuidores por todo o País. Só retorna à profissão de modelo quando divulga a grife. No ano passado, trocou de agência de publicidade ao discordar das diretrizes de uma campanha: não aceitou mostrar apenas o rosto. Espalhou outdoors no Rio e em São Paulo em que sua nudez era oculta apenas por um lençol de seda. Até hoje, ela conseguiu tirar de letra os papéis de mulher, mãe e símbolo sexual. Certa vez, ao posar de lingerie para uma revista feminina, pediram-lhe que tirasse a aliança. Recusou. Tudo indica que repetirá a negativa sempre que ouvir a proposta.

Colaborou Adriana Barsotti - Produção: Eduardo Roly; Cabelo e maquiagem: Ronald Pimentel. Agradecimentos: Tereza Scartier, Lenny, Alexandre Mattos e Henrique Filho