23 de setembro de 1999
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Musical

Alma de Todos os Tempos
Ópera rock de Gabriel Villela faz uma viagem ao mundo da contracultura dos anos 60 e 70

Marcos Bragato

Foto:Divulgação

O musical Alma de Todos os Tempos é uma viagem ao mundo da contracultura que marcou os anos 60 e 70. Ícones e símbolos hippies estão por toda parte: na atmosfera criada no palco do Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, nos lindos e psicodélicos trajes e na própria trilha sonora. A montagem, em formato de ópera rock, é uma parceria entre o diretor Gabriel Villela e o ator Eriberto Leão (conhecido pelo papel de extraterrestre na novela global O Amor Está no Ar). Com a condução da empolgante banda Estranhos, liderada pelo próprio ator, e intervenções da cantora-revelação Nábia Villela, prima do diretor.

Nessa epopéia mística, o que se oferece é fraternidade. A peça propõe um reino livre, sem discórdias. Um reino de paz e amor, onde Leão encarna um Jesus Cristo que recita palavras de ordem e trechos da Bíblia e brada pelos excluídos, em meio a conhecidas baladas de rock e composições da própria banda. Ator desenvolto e concentrado, Leão faz pose de ídolo, mostra um corpo maleável e fôlego surpreendente (graças à preparação corporal da atriz e dançarina Mariana Muniz), mas titubeia às vezes ao cantar. Com o excelente vocalista e músico Johnny Monster, ele divide a interpretação das 20 músicas que narram o espetáculo - acompanhados também pela guitarra e bateria da dupla Molina.

Envie esta página para um amigoMas nem tudo é paz no reino livre. No final, também há contestação, personificada na imagem de “cantores-profetas”, como John Lennon, Jim Morrison e Raul Seixas. Cantando “Gita”, trajado em macacão de espelhos e miçangas, Leão promove uma das pérolas desse tempo perdido. Tudo visto pela ótica plástica de Gabriel Villela que, mais do que um diretor, é designer e criador de efeitos. Por tudo isto, Alma de Todos os Tempos é uma doce e ingênua viagem kitsch que merece adesões.
Misticismo roqueiro

Direção: Gabriel Villela