23 de setembro de 1999
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Ópera

A Pedra Filosofal
Lançamento traz Mozart inédito e levanta a controvérsia no meio musical

Rafael Vogt Maia Rosa

É sempre uma esperança para os desconfiados descobrir indícios de que um gênio da música não compôs sua obra sozinho, mas com a colaboração de figuras esquecidas pela história oficial. Pois acaba de ser lançada uma nova controvérsia, a ópera Der Stein der Weisen, ou A Pedra Filosofal.

Escrita em 1790 por um grupo de quatro músicos liderado pelo libretista e cantor Emanuel Schikaneder, a obra ressuscitou em 1996 depois da comprovação de que algumas de suas árias haviam sido assinadas por Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), o menino prodígio da música que compôs sua primeira ópera com 12 anos.

A partir de semelhanças de estilo entre as árias assinadas pelo gênio e trechos de A Flauta Mágica, escrita por Mozart um ano depois, seguiu-se a tese que, além do valor documental, A Pedra Filosofal teria sido um modelo para o compositor chegar ao triunfo e perfeição de sua última ópera.

As semelhanças existem. Começam pelo subtítulo “A Ilha Mágica”, por ser ambientada na mesma atmosfera fantástica típica das chamadas “óperas mágicas” da tradição maçônica. Os trechos são realmente parecidos. Um dos três discos traz 25 minutos de explicações e exemplos concretos da relação entre as duas composições.

Envie esta página para um amigoMas não seria verdadeiro festejar a gravação, 200 anos depois, de uma ópera, mesmo que escrita em pequena parte por Mozart. Porque o valor de A Pedra Filosofal não deveria ser garantido por simples comparações ou especulações teóricas. É a música que importa. A ópera como gênero musical tem estruturas mais ou menos fixas e é natural que diferentes peças se assemelhem. O que fica no tempo é a beleza sem explicação da matéria sonora que distingue a obra-prima de tantas outras, simplesmente menos encantadoras. Provavelmente, a mesma coisa indefinível que faz de Mozart uma unanimidade entre aqueles que adoram música e pouco ou nada entendem de pesquisa de documentos antigos.
Arqueologia musical

Wolfgang Amadeus Mozart, Johann Baptist Henneberg, Benedikt Schack, Franz Xaver Gerl, Emanuel Schikaneder (Telarc)