23 de setembro de 1999
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Blues não tem idade
Lançamentos das gravadoras provam que o blues sobrevive ao tempo com cada vez mais força

Ramiro Zwetsch

Foto:Reprodução

Existem gêneros musicais que sobrevivem ao tempo, se renovam e permanecem imunes às novas tendências. O jazz é o mais antigo deles e o blues, surgido no final dos anos 20, também toma fôlego década a década, firmando-se como um estilo atemporal. Mesmo porque a desilusão amorosa, a dor de cotovelo e a embriaguez - temas recorrentes das letras - são assuntos que não envelhecem. Por isso, as gravadoras brasileiras estão investindo em relançamentos, coletâneas e novos lançamentos do gênero.

A gravadora Abril Music está cuidando do lançamento oficial de boa parte do catálogo do Alligator, selo norte-americano especializado em blues - que lançou na década de 70 preciosidades da cantora Koko Taylor e do guitarrista Albert Collins e continua abastecendo o mercado com novidades do blues. Uma delas é o grupo The Kinsey Report, que acaba de lançar seu terceiro disco, Smoke and Steel. Surgido nos anos 80, faz um blues com o espírito do rock, em que a guitarra distorcida e habilidosa de Donald Kinsey sola sobre o andamento cadenciado da base instrumental (teclado, baixo e bateria).

Envie esta página para um amigoOutro bom lançamento é a coletânea Blues, do guitarrista Eric Clapton. Mesmo carregando a marca registrada do pop rock, Clapton sempre cultivou um namoro com o blues, nos quase 30 anos de carreira. Todos esses flertes foram compilados em um CD de estúdio e outro ao vivo. O primeiro é quase impecável, muito valioso para quem não conhece a face blues de Clapton. Os fãs roqueiros podem ficar na saudade, mas terão a oportunidade de sacar que o rock de Clapton parece um blues acelerado, com mais energia e menos emoção. O CD ao vivo tem menos brilho: o improviso predomina e a voz de

Clapton não se sustenta fora do estúdio. Os intermináveis solos de guitarra exaltam a técnica, mas cansam os ouvidos. Para fechar com chave de ouro, B.B. King, o pai de todos, tem seu Live in Japan finalmente lançado em CD. Gravado ao vivo no Japão durante excursão pelo país em 1971, é uma aula do mestre. Nesse caso, o registro ao vivo é um presente e um bom exemplo de como improvisar sem causar sonolência. Só a banda de apoio - com piano, baixo, bateria e quatro sopros - já dá um show à parte e compõe a base perfeita para B.B. King decolar com a voz, conduzindo melodias imbatíveis, ou desferindo golpes atordoantes com a guitarra. Live in Japan é uma espécie de ícone de sua fase áurea. Hoje, aos 74 anos, o mestre continua ativo e influente para todas as gerações do blues.