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Negócios
Empresário do prazer
Ex-psicoterapeuta,
Oscar Maroni Filho fatura R$ 13 milhões por ano com bordel
de luxo, revistas eróticas e uma fazenda no interior de São
Paulo
Fábio
Bittencourt
de São Paulo
Oscar
Maroni Filho, 48 anos, é diferente da maioria dos empresários:
define-se, sem constrangimento, como imoral e indecente. Há
20 anos esse paulistano ganha dinheiro com o prazer alheio.
Ele é dono de uma boate em São Paulo, freqüentada
por cerca de 200 homens anônimos e famosos todas as
noites e que reúne garotas de programa. Por lá
transitam políticos, empresários, artistas e
até jogadores de futebol. Maroni também possui
os direitos de distribuição de versões
brasileiras de revistas eróticas, entre elas a Penthouse
e a polêmica Hustler, revista masculina mensal americana,
que pertence ao não menos polêmico Larry Flynt.
Na vida real, Flynt é conhecido por afrontar a moral
e os bons costumes da sociedade americana. Na ficção,
foi transformado em defensor da liberdade de expressão
no filme O Povo Contra Larry Flynt, de 1996, dirigido por
Milos Forman. "Sou o Larry Flynt brasileiro", afirma
Oscar Maroni Filho.
Guardadas
as proporções, o cover brasileiro é tão
bem-sucedido quanto o original. Ele fatura R$ 13 milhões
por ano com a revista, a movimentação na boate
e as atividades de pecuária e agricultura, em uma fazenda
em Araçatuba, interior de São Paulo. Desde que
transformou o comércio do prazer em ganha-pão,
Maroni já respondeu a cinco processos. Segundo seu
advogado, o jurista Celso Bastos, ele foi condenado em primeira
instância e recorreu, em apenas uma ocasião,
por manter casa de prostituição. E já
foi preso em duas ocasiões.
"A
atividade deste senhor é ilegal. Tecnicamente, ele
é um criminoso", diz o delegado Romeu Tuma Júnior,
que fechou a boate quatro vezes, quando foi delegado titular
da Seccional Sul da capital paulista. "É muito
difícil tomar alguma providência contra esse
tipo de negócio", admite o desembargador aposentado
Alberto Marino Júnior, que condenou o Bandido da Luz
Vermelha. "Minha atividade é extremamente polêmica
e imoral", diz Maroni Filho. "Mas jamais pode ser
considerada ilegal", justifica.
Hotel
erótico
No ano
passado, ele amargou 63 dias de cárcere. "Era
Copa do Mundo e não havia quem pudesse me tirar de
lá", lembra. O tempo atrás das grades,
porém, não serviu para intimidá-lo. Pelo
contrário. Na prisão, ele teve a idéia
de construir um hotel temático sobre erotismo e sensualidade.
Assim que ganhou a liberdade, comprou um terreno de 4.200
metros quadrados, bem atrás da sua boate Bahamas, que
ocupa 2.000 metros quadrados de uma rua tranqüila no
bairro de Moema, na zona sul da cidade. A maquete do futuro
Oscar World está pronta. O prédio, em forma
de triângulo, terá 13 andares e 175 apartamentos.
A obra está orçada em R$ 17 milhões.
Ele planeja obter financiamento junto ao Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Maroni
tem idéias num estalo e não mede esforços
para concretizá-las. A aquisição da Hustler
foi assim. Ele tinha acabado de assistir a O Povo Contra Larry
Flynt, quando foi procurado em seu escritório por um
vendedor de anúncios da revista. Perguntou ao rapaz
como poderia comprá-la. "Nas bancas", respondeu.
O empresário insistiu: "Não falo de um
exemplar, quero a revista". Dias depois, Maroni fechou
o negócio com a antiga editora brasileira da revista.
Nos Estados Unidos, o mercado de erotismo movimenta US$ 9
bilhões por ano. No Brasil, esse número é
calculado em R$ 400 milhões. De olho nesse filão,
ele adquiriu o controle da Hustler no Brasil e de outros 14
títulos. "A Hustler será um espaço
polêmico e de debates", afirma. "Já
estamos contactando a Dercy Gonçalves para posar nua",
promete.
A edição
de agosto da revista foi pivô de outra polêmica.
Trouxe na capa a modelo Sheila Campos, que foi assassinada
pelo namorado no final do mês de julho. O ensaio de
14 páginas gerou um atrito entre Maroni e o sócio
Murray Lipnik, que obteve uma liminar na Justiça impedindo
a distribuição dos 50 mil exemplares. Além
das fotos, a revista também publicou uma entrevista
com Byong Kwon, o namorado de Sheila, acusado de ser o responsável
pela morte da modelo brasileira. "Quero ser o dono da
revista. Caso contrário, vendo a minha parte e faço
uma nova", diz Maroni Filho, que, junto com Lipnik, possui
também os direitos de publicação da Penthouse
no Brasil.
Com 1,89
m e 104 kg, Maroni Filho é inquieto e falastrão.
"Já transei com mais de 1.500 mulheres desde que
comecei a trabalhar na noite", conta. Há pouco
mais de um ano, deixou Marisa, 45 anos, pela namorada, Fabrícia,
21, que ele conheceu em uma festa. "A Marisa foi casada
comigo durante 23 anos", diz. "Posso ser cafajeste,
mas não fui hipócrita." Há alguns
meses, ele mandou confeccionar uma camisinha de 17 metros.
Queria colocá-la, de helicóptero, no Obelisco
do Ibirapuera. Deixou a idéia de lado após a
interferência de alguns amigos. Mas ainda não
desistiu.
Terapia
no bordel
Maroni
Filho sempre dorme por volta das 5h e acorda antes das 10h.
Desde que se separou, há nove meses, não tem
mais residência fixa. Mora na suíte 21 do Bahamas.
Certo dia, saiu de um bar da rua Augusta, por volta das 5h,
em cima de uma motocicleta Harley Davison. Parou no Masp,
sentou-se na escadaria e ficou olhando para a cidade. Dormiu
ali mesmo e só despertou às 9h. "Achei
que tinha sido assaltado, mas não aconteceu nada. Me
senti livre", recorda.
Filho
de um industrial e de uma professora, Maroni Filho começou
a trabalhar aos 16 anos. Dois anos depois, quando cursava
o primeiro ano de Psicologia, conheceu a ex-mulher Marisa,
com quem teve quatro filhos. Os dois administravam a lanchonete
da faculdade. O dinheiro era curto e mesmo assim eles resolveram
casar. Foram morar em um apartamento onde caixas de refrigerante
viravam cadeiras na hora do jantar. Maroni chegou a trabalhar
como terapeuta. A um jovem paciente que não conseguia
fazer amor com a namorada, prescreveu visitas a um bordel.
Em seis meses, segundo Maroni, o jovem estava definitivamente
curado. Impressionado com o resultado da terapia, Maroni resolveu
comprar a boate em 13 prestações.
Hoje,
além das revistas e da boate, Maroni tem uma fazenda
de 700 alqueires em Araçatuba, no interior de São
Paulo, onde trabalham 40 pessoas. Além das 5.700 cabeças
de gado, a Santa Cecília também produz milho
e soja. Maroni Filho sonha em um dia poder construir um hotel
temático no local. "Seria uma espécie de
minipantanal", conta. Em parceria com a Cesp (Companhia
Energética do Estado de São Paulo), ele já
investiu R$ 250 mil para recuperação da mata
ciliar da propriedade, localizada às margens do rio
Tietê.
Os planos
do empresário do prazer são ambiciosos. Além
do gigantesco hotel, ele quer comprar uma rádio para
falar de sexo e cidadania e abrir uma churrascaria. "Ele
tem um temperamento decidido. Sempre conseguiu as coisas que
quis", diz o pai, Oscar Maroni, 77 anos. De imediato,
Maroni Filho diz que vai brigar por uma vaga como deputado
estadual por São Paulo, com apoio do Sindicato dos
Bares e Restaurantes, nas próximas eleições.
Seu slogan de campanha já está pronto. Mas é
impublicável.
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