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onde anda
O pirata Arakém
Longe
da tela da Globo há 11 anos, o "showman" tem uma produtora
de vídeo e está em busca do tesouro de R$ 120 milhões escondido
em uma ilha brasileira
Ana Cristina
Cocolo
de São Paulo
Na
década de 70, o publicitário José Antônio
de Barros Freire arriscava a própria pele filmando
e fotografando guerras civis em países do Oriente Médio,
África e América Latina. Essas imagens eram
vendidas para revistas e emissoras de televisão. Foram
dez anos presenciando corrupção, abusos de poder,
mortes, muito sangue e lágrimas. Deprimido, passou
a produzir vídeos sobre assuntos mais amenos e se mudou
com a mulher, Ivete, para a ilha de Itaparica, na Bahia. "Descobri
que não era o poder, a fama ou o dinheiro que me fariam
feliz", conta.
Em 1983,
a fama e o dinheiro chegaram até ele por acaso. Ao
visitar um amigo em São Paulo, Barrinhos, como é
conhecido, foi convidado para interpretar um personagem de
uma vinheta da Globo que era a antítese do homem forte,
bonito e sensual. Da noite para o dia, tornou-se o "Arakém,
o showman". Ficou no ar por quase seis anos. Criado a
princípio para anunciar a grade de programações
da emissora, o "showman" acabou ganhando um espaço
maior e passou a fazer as vinhetas da Copa do Mundo de 1986.
Aparecia nas situações mais engraçadas,
sempre na pele de um torcedor fanático e desajeitado,
vestindo a camisa verde-amarela.
"O
Arakém era a cara do povo brasileiro e o protegido
das meninas", diz Barrinhos. "Ele tentava ser um
showman e não conseguia." Ainda hoje é
lembrado pelos fãs e abordado nas ruas. É verdade
que algumas vezes é confundido: "Fui parado por
um senhor em Roraima que me abraçou e achou que eu
era o Rolando Lero, do programa Zorra Total. Dei o autógrafo
assim mesmo", diverte-se ele.
Enquanto
foi contratado da Globo, Barrinhos viveu muito bem. "Posso
dizer que o Arakém me deu o meu primeiro milhão
de dólares", diz. Mas, mesmo naquela época,
o aventureiro Barrinhos não abandonou suas pesquisas
jornalísticas. Fez muitas viagens pelo País,
com o intuito de levantar a história dos 150 faróis
mais antigos do Brasil para um guia que até hoje não
foi publicado. Nessas andanças, ele ouviu de pescadores
de diferentes povoados o mesmo relato sobre um pirata inglês,
conhecido pelo nome Zulmir, que viveu no Brasil entre 1840
e 1880 e teria enterrado um tesouro em uma das ilhas da costa
brasileira. Após seis anos de pesquisas, ele se gaba
de ser o único brasileiro a ter a história do
pirata toda documentada - inclusive o seu verdadeiro nome,
que não revela - e um mapa do tesouro. "Ainda
não descobri qual é a ilha, mas sei que o tesouro
está avaliado em 20 milhões de libras esterlinas
(cerca de R$ 120 milhões)." Aconselhado pelo escritor
e amigo Fernando Morais, ele pretende, além de ir atrás
do tesouro, contar tudo isso em livro.
Voluntário
Barrinhos
tem hoje 50 anos, é dono de uma produtora e vive de
fazer comerciais, vídeos institucionais e programas
de televisão. "Estou em uma posição
privilegiada como profissional, tenho condições
de escolher o que quero fazer", diz. Na época
do Arakém, Barrinhos usou o personagem para fazer campanhas
para doação de sangue, recadastramento eleitoral
e alfabetização. Em 1989, escreveu o livro Arakém
na Antárctica, dedicado às crianças,
que, garante, foi um sucesso de vendas. Ele está preparando,
voluntariamente, 30 minidocumentários para a campanha
anual de arrecadação de fundos da AACD (Associação
de Assistência à Criança Defeituosa),
que serão exibidos dias 17 e 18 de setembro pela Rede
Cultura. Mas não sabe se, convidado, voltaria a atuar
diante das câmeras que tanto o projetaram.
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