13 de setembro de 1999
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Trilha Sonora

De Olhos Bem Fechados (WEA)

Registro sonoro da última obra de Kubrick comprova a intenção do diretor de destruir as barreiras entre o erudito e o popular

Rafael Vogt Maia Rosa

Ao se refugiar do pesadelo em que se mete no último filme de Stanley Kubrick, De Olhos Bem Fechados, o personagem interpretado por Tom Cruise entra num bar em que a música ambiente é um excerto do “Réquiem”, de Mozart, missa fúnebre e última obra do compositor austríaco. O trecho, que não consta da trilha do filme em CD, ilustra bem o fato de que Kubrick acostumou-se a destruir em seus filmes as barreiras convencionais entre o universo musical popular e o erudito.

Em 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1968), o diretor fez um complexo espacial dançar ao som da valsa “Danúbio Azul”, de Johann Strauss. Em Laranja Mecânica (1971), consagrou uma versão para sintetizador da “Nona Sinfonia” de Beethoven, transformou um tema de Rossini em trilha para uma espécie de videoclipe erótico e fez o protagonista, Alex, cantar “Singin’ in the Rain”, ícone do way of life americano, antes e durante crimes de espancamento e estupro. Seu penúltimo filme, Nascido Para Matar (1987), termina com soldados americanos se despedindo de uma cidade vietnamita em pedaços, cantando, em coro, um hino a Mickey Mouse.

De Olhos Bem Fechados (1999) não foge à regra. O tema principal, “Musica Ricercata II”, do compositor György Ligeti (1923), um ostinato (repetição) sombrio para piano-solo, concorre com temas mais do que conhecidos, como “Strangers in the Night”, fundo da conversa entre Cruise e uma prostituta mascarada.

É difícil dizer se o tema de Ligeti vai se tornar um “novo clássico”. É uma música bastante abstrata, que tem, no entanto, um efeito muito convincente. De qualquer modo, toda melodia que sonoriza um filme de Kubrick, da mais sofisticada à mais simplória, torna-se emblema sonoro. Porque para Kubrick, assim como para seu colega Anthony Burgess, autor do romance Laranja Mecânica, a música não era só um suporte, mas um dos assuntos principais de seus filmes.
Clássicos populares de Kubrick