13 de setembro de 1999
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Entrevistas sobre o Fim dos Tempos
Livro de conversas com intelectuais mostra que a mudança de século não será só festa nem apenas trevas, mas principalmente cultura num sentido mais amplo

Geraldo Mayrink

A mudança de século não será só festa e alegria, como se espera, ou treva e morte, como alguns acreditam. Na verdade, não será nada. Mas pode ser cultura e num sentido bem amplo, para quem consultar Entrevistas sobre o Fim dos Tempos (232 págs., R$ 25). São quatro longas conversas com sábios. O paleontólogo Stephen Jay Gould, o historiador Jean Delumeau, o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière e o ensaísta e pensador Umberto Eco fazem suas declarações sobre o tormentoso momento que se avizinha aos jornalistas franceses Catherine David, Fréderic Lenoir e Jean-Phillipe de Tonnac.
Eco acha que só a imprensa está interessada nesta virada de século, já que pessoas angustiadas com mudanças de zero no calendário sempre existiram e nota que Jesus nasceu “cinco ou seis anos antes da era cristã” e que, portanto, já estaríamos em pleno próximo século. Jean Delumeau, o único católico do quarteto, descreve a “provação do tempo”, o sofrimento comum a todas as religiões. Jean-Claude Carrière discorre de maneira sensacional sobre física quântica, o universo em geral e divindades indianas, reforçando com notável senso dramático a angústia de todos que sabem que vão morrer, ao abrir a janela: “Será para hoje?”.
Stephen Jay Gould brilha em estratosfera própria. Segundo ele, o fim dos tempos já aconteceu tantas vezes que chega a ser tedioso. Aconteceu no fim do período Oroviciano, há 438 milhões de anos, no Devoniano, há 357 milhões, no Perminiano - que exterminou de uma só vez 95% das espécies marinhas invertebradas - e, entre o Cretáceo e o Terciário, há 65 milhões, quando os dinossauros foram exterminados. Assim, mais um fim do mundo não seria nada demais. Em alguns lugares, já está acontecendo.

Feliz ano novo