06 de setembro de 1999

 

 

Carreira

As mordomias da chiquitita
Sucesso na novela argentina, Flávia Monteiro tem tratamento de superestrela em Buenos Aires

Ana Cristina Cocolo
de São Paulo


A rotina da atriz carioca Flávia Monteiro, 27 anos, começa com o despertar às 7 horas, seguido do café da manhã e um passeio na rua com seu cachorro Bulgari, um husk siberiano, no bairro da Recoleta, um dos mais chiques de Buenos Aires. Há dois anos, Flávia deixou o Brasil para morar em um confortável apartamento alugado por US$ 3.500, pago pela emissora argentina Telefe, que produz a novela Chiquititas. Exibida no Brasil pelo SBT, a novela deu a Flávia o status de estrela: almoços, jantares e despesas domésticas, tudo é pago pela emissora. "Ganho muitíssimo bem. Não ganharia o mesmo no Brasil" diz a atriz. "Os argentinos pagam salários bem altos para atores protagonistas." Flávia interpreta Carolina, diretora do orfanato em que moram as crianças da novela.

Febre infantil
A acolhida de rainha tem razão de ser. Segundo o argentino Claudio Ferrari, diretor-geral da novela, Flávia é o trunfo da audiência da novela. Flávia faz parte, com as crianças brasileiras, do elenco da novela exibida no Brasil, mas gravada em Buenos Aires – e nunca participou da versão argentina. A audiência nos últimos três meses foi de 19 pontos, média considerada alta no SBT. "Ela é uma excelente profissional, equilibrada e criativa", diz Ferrari.

"Conseguiu cativar as crianças e os pais." No Brasil, Chiquititas é uma febre infantil. A Estrela vendeu quase meio milhão de bonecos dos 15 personagens da novela e mais 30 mil só da boneca Flávia Monteiro, comercializada a R$ 50 em novembro de 1998 e que, em poucos meses, sumiu das prateleiras. Uma mecha do cabelo de Flávia foi usada para reproduzir a cor exata na boneca. Até o fim do ano, serão confeccionadas mais 50 mil bonecas.

Considerada pela garotada uma fada dos tempos modernos, Flávia vestiu a camisa da novela. "Chiquititas aborda a adolescência de maneira sutil, bonita e não vulgar." Para ela, esse é o segredo do terceiro ano de sucesso. As crianças se identificam com as histórias. "Recebo cartas de crianças que denunciam maus-tratos em casa e que me pedem ajuda para viver no orfanato de Chiquititas", conta.

Em Buenos Aires, a atriz não tem namorado e passa 12 horas por dia nos estúdios da emissora. O resto do tempo divide entre as aulas de canto e a gravação do CD A Menina e o Vento – que será lançado em outubro –, em que narra a história da peça de Maria Clara Machado. "Queriam me lançar como cantora, mas não estou preparada", diz. Aos 15 anos, ouviu de um professor que poderia fazer tudo, menos cantar. "Prometi nunca mais cantar nem ‘Parabéns a Você’", conta. Como estrela de Chiquititas, Flávia fez aulas diárias de canto durante um ano. Hoje, canta em shows.

Onze anos depois, Flávia Monteiro é lembrada pelo filme A Menina do Lado, de Alberto Salvá, em que estreou aos 14 anos com o ator Reginaldo Faria. Ganhou menção honrosa como revelação de Atriz Estreante no Festival de Gramado, em 1988.

Cenas de sexo
Na época, os pais se preocuparam com as cenas de sexo do filme – no qual um homem adulto apaixona-se por uma lolita –, mas deixaram que ela decidisse. "Não tinha o direito de bloquear sua carreira, mas conversamos muito" diz Edson Monteiro, pai da atriz. Flávia tentou adiar várias vezes as cenas. "Depois que gravamos, fiquei dois dias trancada no quarto, com vergonha", conta. Depois, fez o filme Sonhos de Menina Moça, de Tereza Trautman, e as novelas Vale Tudo, da Globo, Pantanal, da Manchete, Salomé, Éramos Seis, Sangue do Meu Sangue e o humorístico Brava Gente, do SBT. Nunca escondeu o sonho da carreira internacional. Hoje se diz feliz com a personagem Carolina, mas quer mostrar que pode interpretar personagens mais fortes.