06 de setembro de 1999

 

 

Televisão

A antiperua está no ar
Sucessora de Ana Maria Braga na Record, Catia Fonseca faz sucesso com o jeito comum de dona de casa e mantém audiência do Note & Anote

Paula Quental
de São Paulo


Catia Fonseca, 30 anos, é prova eloqüente de que para fazer sucesso em televisão nem sempre é necessário tingir o cabelo de louro, usar apliques e bijuterias extravagantes. A fórmula para conseguir audiência pode estar, simplesmente, em ser comum, com cara e jeito de dona de casa. Pois é com esse tipo que a morena Catia, discreta e simpática, conseguiu manter a audiência de Ana Maria Braga, sua antecessora no Note & Anote, da Rede Record, conhecida pelo estilo assumidamente perua. Em algumas semanas, o programa de culinária, com Catia no comando, chega a ultrapassar a sua média histórica, de seis pontos no Ibope, alcançando oito pontos.

Já são quase cinco meses no ar, diariamente e ao vivo, das 14h às 18h. A decisão de aceitar o convite para ocupar o espaço deixado vago por Ana Maria, contratada da Rede Globo, foi relâmpago. "Fui procurada numa sexta-feira e na segunda-feira já estava na casa nova", conta Catia, cuja agilidade, aliás, é uma marca registrada. "O programa ganhou outro ritmo com ela", diz a diretora Patrícia Oriolo. "Ela teve coragem de substituir uma pessoa que estava em evidência, sabendo que poderia enfrentar fortes comparações", acrescenta. Pelo visto, se saiu bem no desafio. Catia diz que está fazendo o que sempre fez, nos curtos três anos de carreira: agir com naturalidade e improvisar, muito.

O mesmo jeito simples e o sorriso largo ela já exibia no programa Pra Você, na CNT/Gazeta, que apresentava havia mais de um ano, e nos programas Universo Feminino e Com Sabor, na Rede Mulher, onde começou. Especializou-se em culinária por acaso – não quis desperdiçar a oportunidade na Rede Mulher –, mas queria mesmo era fazer jornalismo. Agora, Catia diz que tomou gosto pela cozinha e não perde os programas dos concorrentes. Quando está em casa, fica anotando receitas diante da TV, como qualquer um de seus telespectadores. Casada com o apresentador da Rede Cultura Dafnis da Fonseca, 37 anos, e mãe de Thiago, 11, e Fellipe, 6, é ela quem enfrenta o fogão e faz supermercado. Ainda se assusta com o assédio na rua, bem maior depois que foi para a Record. "Quando me encontram fazendo compras, querem ver a marca do salgadinho que estou levando, olhar o que tenho no carrinho", diz.

De origem simples, moradora do bairro paulistano da Lapa, Catia começou a trabalhar aos 17 anos, como secretária na Rádio Antena 1. Teve os dois filhos ainda muito jovem e, quando nasceu o segundo, Fellipe, achou que era hora de deixar a rádio, onde não tinha hora para sair. Foi seu marido quem a convenceu a entrar para o curso de radialista, no Senac, depois de muito insistir. "Fui fazer o curso só para ele desencanar e ver que eu não tinha mesmo jeito para a coisa", conta. O tempo mostrou que Dafnis era quem tinha razão. Catia não só mostrou desembaraço em frente às câmeras, como conquistou espaço em tempo recorde. Sai-se muito bem em entrevistas, a ponto de a produção do programa pensar em dar mais espaço para elas e levá-las para fora do estúdio. Nesse período em que está no ar, já pôs para bater bolo a apresentadora infantil Eliana ("Ela é um doce!") e entrevistou a ex-mulher de Chiquinho Scarpa, Carola. "Achei que ela fosse diferente, mais vulgar", admite. "E não é que ela é discreta?"

Catia não cumpre rituais típicos de quem está em evidência: não sai à noite, vive para a família, usa pouca maquiagem, não faz ginástica (só no programa, que mantém um quadro de forma física) e não gosta de falar de sua vida particular. Com o jeito antiestrela, arranca ainda elogios do diretor artístico da emissora, José Paulo Vallone, que se gaba da nova aquisição: "A Catia tem mais cara de dona de casa do que a Ana Maria. Tinha dias em que a Ana estava tão cansada que aparecia de cara amarrada no vídeo". Para ele, isso não acontece com Catia. Durante todo o programa ela dá risadas.