06 de setembro de 1999

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Mentiras e verdades

José Roberto Torero


Nem sempre o documentário traz a verdade e a ficção, a invenção. Por exemplo, um programa eleitoral do PSDB nos dá a impressão de que o Brasil é uma Suécia. Por outro lado, um filme como Apocalipse Now nos dá uma boa idéia do que era o Vietnã. Como diz o filósofo Paul van Himst: "A verdade é a mentira bem contada e a mentira é uma verdade mal narrada". Talvez por causa disso as barreiras entre documentário e ficção estejam caindo.

No cinema brasileiro, essa mistura é antiga. Já na década de 60, Terra em Transe, de Glauber Rocha, mescla as duas linguagens. E muito antes disso, o mesmo já acontecia em Cidadão Kane. Porém, essa mistura ainda é tímida na tevê nacional. Aqui, o ortodoxo modelo do Globo Repórter se impôs de tal maneira que poucos ousam transgredir a fórmula. Uma exceção surge agora no SBT Repórter, que começa a utilizar-se da dramaturgia. O programa usou esse recurso há algumas semanas para falar sobre sociopatia e a audiência disparou.

Motivado por esse sucesso, o SBT decidiu investir fundo na mistura de linguagens e fez um programa sobre casais em que usou vários quadros de ficção. Mas dessa vez as intervenções ficcionais não funcionaram muito bem. Faltou capricho na ficção e Márcia Goldschmidt destoou de Gorete Milagres e Adriano Stuart. Apresentado por Marília Gabriela, o programa teve média de 14 pontos de audiência, o que é mais ou menos sua marca tradicional.

Outra pequena novidade foi a utilização de dois repórteres (no caso, Maria Cândida e Ed Polo). Ela mostrou-se simpática e capaz de levar o programa com desenvoltura. Ele, um tanto exagerado na descontração, às vezes chegava a lembrar o estilo Otávio Mesquita. Aliás, o ponto alto do programa foi quando Ed Polo passou de entrevistador a entrevistado, recebendo uma visita surpresa da equipe do programa. Aí, sim, houve uma interessante mistura.

Mas se a união entre documentário e ficção é um bom caminho, há também o perigo de provocar coisas eticamente reprováveis ou até criminosas como, por exemplo, no Programa do Ratinho, em que pessoas comuns eram pagas para contar histórias inventadas pela produção, tornando verdadeira a frase de Paul van Himst*.

*O filósofo Paul van Himst não existe.
SBT Repórter
SBT (Quarta, 22h30)