06 de setembro de 1999

Leia também:

Televisão

Mulher
Ione
Globo no mundo
SBT Repórter
Resposta MTV
Jornal do Nenê


Cinema

De Olhos Bem Fechados
Um Plano Simples

Wing Comander - A Batalha Final
Câmera Virtual


Música

Na Pressão
"Eu sou brega, sim"
Belas e Feras


Teatro

Benguelê - Sete ou Oito Peças para um Ballet


Livros

Queimando Tudo
Parques Nacionais Brasil
Achados da Geração Perdida
Com Todas as Letras - O Português Simplificado


Internet

Casseta & Planeta
Princesa Carola

 


Livros

Queimando Tudo
Timothy White (Record)

Antonio Querino Neto

Timothy White, editor da revista Billboard, é o autor desse livro sobre a vida do sumo sacedote do reggae, o jamaicano Bob Marley. Refazendo toda a trajetória existencial do ídolo e sua inseparável banda The Wailers, em Queimando Tudo (548 págs., R$ 50), o jornalista parte do princípio de que para entender seu som é necessário olhar para a cultura da Jamaica, com seus feiticeiros e profetas. Por isso, a biografia vai fundo no misticismo de raiz afro.

Filho de um oficial branco e uma camponesa negra e neto de um curandeiro, Marley acreditava ser um predestinado e que sua música era um veículo de resistência negra. As longas tranças no cabelo (dreadlocks) e o uso da maconha como um "aditivo" sagrado caracterizam o rastafarismo, crença que considera o mundo capitalista uma Babilônia pecaminosa.

A sobrevivência nos guetos da capital, Kingston, a investigação da vida de Marley e a vigilância sobre o movimento rastafári feita pela CIA, bem como a disputa judicial (ainda em andamento) pela sua herança estão entre os episódios que White narra com paciente minúcia. Grande parte esse material foi nutrido com entrevistas que o astro concedeu ao autor nos sete últimos anos de sua vida, e reforçado com opiniões de produtores, músicos, políticos, familiares, vizinhos e amigos.

Marley, esse artista de idéias messiânicas - que no final da vida se consumiu pelo câncer, recusando tratamento médico -, era uma presença poderosa. O jornalista mostra como nem os amigos mais íntimos tinham uma idéia completa de quem era ele, já que sabia como ninguém preservar a sua "mística pessoal". Apesar de registrar bem o contexto social do reggae, o livro peca justamente pelo excesso de informações, organizadas em um texto nem sempre prazeroso. Tentando ser fiel às crendices do meio em que Marley viveu, freqüentemente a biografia mergulha num tom lendário. E sem muito distanciamento, a admiração de White acaba mistificando o astro em prejuízo de informações objetivas.
Definitivo para os fãs