06 de setembro de 1999

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Suspense

De Olhos Bem Fechados
Último filme de Kubrick estréia com o mais belo close da história do cinema

Geraldo Mayrink


O que seria da vida se ela não fosse um sonho, ou um pesadelo de imagens inesperadas, luminosas e sem sentido - como se não fosse um filme, enfim? Esta não teria sido a vida de Stanley Kubrick. Quando saiu dela, em março, aos 70 anos, teve a suprema generosidade de registrar sua passagem pela Terra deixando pronto De Olhos Bem Fechados. O filme - apenas o 13.º de uma carreira sovina, de quase meio século - tornou-se um dos maiores sucessos de todos os tempos antes de ser lançado. Visto na tela, vale o quanto pesa e muito mais. É um deslumbramento.Pois não é todo dia que se vê - se é que se vê - uma sinfonia visual deste porte. Pode ter sido a premonição de um grande adeus iluminando o artista. Depois de cinco anos de preparação e filmagem, Kubrick saiu de cena devolvendo ao cinema e seu público o que dele recebeu e o que tem de mais nobre - imagens, sons, ritmo, hipnose, numa palavra: emoção. Coisas tão simples que se perderam, menos nesta história em que um jovem casal composto por um bonitão (doutor Harford, Tom Cruise) e uma bonitinha (Alice, Nicole Kidman, mulher dele) sai da gandaia yuppie de Nova York para mergulhar durante 24 horas numa outra realidade, dentro deles, inventando - ou desejando - coisas passadas e presentes. Todas sexuais. Algumas mórbidas. Muitas delas amorosas. A maioria dilaceradamente humana.

Como testamento involuntário, De Olhos Bem Fechados merece ser visto pelo que é, e não pelo que pode ser contado em palavras. Uma anedota acompanhou Kubrick ao túmulo. Dizia que Deus fez o mundo em seis dias e que no sétimo apareceu Kubrick, mandando tudo de volta para modificações. Se mandou refazer a cena em que Nicole Kidman acabou de passar a noite chorando, de nariz vermelho e olhos inchados, muda e com o sol na cara, valeu a pena. É o mais belo close mostrado no cinema em muitos e muitos anos.
Um grande adeus