16 de agosto de 1999

 


Jogo Aberto com Marta Suplicy

Bandeirantes (Sábado às 20h)

Edla van Steen


(foto: Pio Figueiroa)

Jogo Aberto com Marta Suplicy começou com mais acertos que defeitos, mas precisando de ajustes. Há 15 anos afastada da televisão, quando escandalizava como sexóloga ao falar de direitos da mulher no sexo e fora dele em programa matutino na Globo, Marta Suplicy foi eleita deputada federal, teve brilhante atuação na Câmarae é candidata à prefeitura da cidadede São Paulo.

Na estréia de Jogo Aberto, o tema foi a paternidade. Convidados ilustres como Adib Jatene, padre Júlio Lancelotti, Mara Maravilha e filhos de pais famosos como Sandra Regina (Pelé) e Rafael Braga (Roberto Carlos) dividiam a cena com um zelador, uma professora e uma recepcionista. Vinte pessoas contaram suas relações familiares e tornaram públicas suas experiências pessoais.Receita garantida de sucesso?

Talvez.

Se o número de convidados for menor. Em uma hora de programa, os depoimentos ficam superficiais e as "confissões" não chegam a emocionar. Marta Suplicy não tem tempo de interferir, de provocar o convidado, como faz tão bem Silvia Poppovic.

A sexóloga, a política, a mulher de peso que é Marta Suplicy desaparece diante dos seus convidados, limitando-se a ser apenas a apresentadora. Quando se pensa que o assunto vai esquentar, que, finalmente, vai-se discutir o tema proposto, Marta encerra, por falta de tempo, dizendo: "A culpa é a grande inimiga da paternidade e da maternidade". A frase fica no ar.É verdade que ninguém poderá acusá-la de usar Jogo Aberto como trampolim político. Por enquanto, ele apenas oferece visibilidade e pode prestar um bom serviço à televisão brasileira. A Rede Bandeirantes talvez lucrasse mais ampliando o horário de transmissão. O potencial é excelente, os personagens, interessantes, a temática, importante. Esse Jogo Aberto pode vir a ser opção televisiva inteligente para as noites de sábado.

Jogo rápido demais