16 de agosto de 1999

 


Flávio de Carvalho - Um Revolucionário Romântico

Centro Cultural Banco do Brasil (RJ)

Ligia Canongia


(foto: Divulgação)

A transgressão e a ironia marcaram a obra do modernista Flávio de Carvalho. Com ideais libertários, ele escandalizou a sociedade paulista dos anos 30 aos 50, insurgindo-se contra o conservadorismo da burguesia, a religião e todos os dogmas que limitavam a ação artística.

Arquiteto, artista plástico, dramaturgo, cenógrafo e escritor, encarnou o espírito renascentista do homem versátil e humanista. Provocativo, Flávio de Carvalho acreditava que a arquitetura devia ter um manual de uso, para ensinar as pessoas a viver em um espaço "higiênico". Interessado na moda, dizia que ela era um fator de estabilidade mental dos povos, e propôs um traje masculino para os trópicos, desfilando pelas ruas de São Paulo, em 1956, com saiote, blusa bufante e meia arrastão. Antes, faria uma passeata solitária por uma procissão, em sentido contrário e sem tirar o chapéu, afirmando seu ateísmo e desafiando o clero. Considerado "caso de polícia", teve sua primeira mostra individual, em 1934, invadida e fechada, por atentado ao pudor.

É o centenário desse homem polêmico que a exposição Flávio de Carvalho - Um Revolucionário Romântico comemora. Com curadoria de Denise Mattar, 85 obras, dentre pinturas, desenhos e projetos de arquitetura e cenografia, exploram as inúmeras faces do artista. A ênfase, porém, é dada a sua atividade de pintor e desenhista, onde abraçou a estética expressionista. Das vanguardas européias, era sem dúvida o expressionismo o movimento que mais se ajustava a suas pulsões turbulentas.

E esta é uma das raras vezes em que se apresenta a sinistra "Série Trágica", com nove desenhos em que ele retratou a agonia da mãe no leito de morte.Um moderno com intuições contemporâneas, que antecipam o conceito da antiarte, Flávio de Carvalho foi um demolidor de convenções, que se entregou à tarefa de criar e chocar, com o intuito de sacudir os ranços da cultura brasileira. Irreverência modernista

Centro Cultural Banco do Brasil - rua Primeiro de Março, 66, Rio de Janeiro
Museu de Arte Brasileira (a partir de 20 de outubro) - rua Alagoas, 903, São Paulo