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Flávio
de Carvalho - Um Revolucionário Romântico
Centro
Cultural Banco do Brasil (RJ)
Ligia
Canongia
(foto:
Divulgação)
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A transgressão
e a ironia marcaram a obra do modernista Flávio de
Carvalho. Com ideais libertários, ele escandalizou
a sociedade paulista dos anos 30 aos 50, insurgindo-se contra
o conservadorismo da burguesia, a religião e todos
os dogmas que limitavam a ação artística.
Arquiteto,
artista plástico, dramaturgo, cenógrafo e escritor,
encarnou o espírito renascentista do homem versátil
e humanista. Provocativo, Flávio de Carvalho acreditava
que a arquitetura devia ter um manual de uso, para ensinar
as pessoas a viver em um espaço "higiênico".
Interessado na moda, dizia que ela era um fator de estabilidade
mental dos povos, e propôs um traje masculino para os
trópicos, desfilando pelas ruas de São Paulo,
em 1956, com saiote, blusa bufante e meia arrastão.
Antes, faria uma passeata solitária por uma procissão,
em sentido contrário e sem tirar o chapéu, afirmando
seu ateísmo e desafiando o clero. Considerado "caso
de polícia", teve sua primeira mostra individual,
em 1934, invadida e fechada, por atentado ao pudor.
É
o centenário desse homem polêmico que a exposição
Flávio de Carvalho - Um Revolucionário Romântico
comemora. Com curadoria de Denise Mattar, 85 obras, dentre
pinturas, desenhos e projetos de arquitetura e cenografia,
exploram as inúmeras faces do artista. A ênfase,
porém, é dada a sua atividade de pintor e desenhista,
onde abraçou a estética expressionista. Das
vanguardas européias, era sem dúvida o expressionismo
o movimento que mais se ajustava a suas pulsões turbulentas.
E esta
é uma das raras vezes em que se apresenta a sinistra
"Série Trágica", com nove desenhos
em que ele retratou a agonia da mãe no leito de morte.Um
moderno com intuições contemporâneas,
que antecipam o conceito da antiarte, Flávio de Carvalho
foi um demolidor de convenções, que se entregou
à tarefa de criar e chocar, com o intuito de sacudir
os ranços da cultura brasileira. Irreverência
modernista
Centro
Cultural Banco do Brasil - rua Primeiro de Março, 66,
Rio de Janeiro
Museu de Arte Brasileira (a partir de 20 de outubro) - rua
Alagoas, 903, São Paulo
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