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DOS POVOS |
Integração
comercial com o continente africano é reforçada
com
Museu Brasil-África |
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Por
Marco Roza
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Grife:
O artista Emanoel
Araújo dirige o projeto |
A integração
das economias do Brasil com os países africanos, especialmente
os de língua portuguesa, como é intenção
do governo Lula, tem em São Paulo, no Museu Afro-Brasil,
um ponto de apoio estratégico. O museu, que será instalado
no Pavilhão Manoel da Nóbrega, antiga sede da prefeitura
no Parque do Ibirapuera, nasce com a grife Emanoel Araújo,
que será o curador, e com o apoio de importantes intelectuais
negros de São Paulo, que se reuniram na última semana
para fazer os ajustes finos de um projeto que começou em
novembro do ano passado.
Emanoel
Araújo, ex-diretor da Pinacoteca
do Estado de São Paulo, tem um currículo reconhecido
mundialmente que o coloca acima das disputas políticas e
dos grupos que vão participar ativamente do universo do Museu
Afro-Brasil. Estavam presentes à reunião o artista
plástico Lizar, o maestro Maia Maia, o jornalista e escritor
Oswaldo Camargo e o fotógrafo Luiz Paulo Lima.
O museu ocupará um espaço de 12 mil metros quadrados,
área altamente disputada por vários grupos étnicos
da capital, e será, segundo Araújo, um espaço
vivo que recuperará e organizará todas as manifestações
artísticas, históricas e econômicas de africanos
e brasileiros submetidos à diáspora. “Será
o museu da auto-estima para descendentes de escravos no Brasil,
na África e em toda a América”. Sua intenção
é ajudar os descendentes de escravos a ter uma visão
ampla e transcendente do povo negro, que vá além da
diáspora forçada com a escravidão. “O
Brasil e a África, junto com grandes setores da economia
da América Latina e dos Estados Unidos, têm nos negros
vários pontos de convergência cultural e também
de negócios. Queremos que o museu tenha um vínculo
nessa grande sociedade criada a partir dessa instituição
horrível que foi a escravidão. Isso vale para Cuba,
para o Caribe, para o Haiti, para América do Norte e para
América do Sul. Essa história é brasileira,
mas é também a história da diáspora”,
diz ele.
O museu ainda não tem verba definida para sua consolidação.
Mesmo assim já foi contratado o escritório Brasil
Arquitetura, que faz o projeto de adaptação às
funções do local que terá espaços para
auditório, biblioteca técnica, cinema, lugares para
dança, música e workshops. Emanoel Araújo quer
manter o museu um espaço aberto às várias manifestações
culturais e políticas dos diversos grupos de negros do Brasil,
da África e da América Latina. “Vamos mostrar
no museu que o negro e sua cultura nasceram antes dos navios negreiros
e, ao estimularmos um olhar da cultura negra, vamos nos transformar
num ambiente em que todos os gritos presos nas gargantas de várias
gerações seguidas serão ouvidos aqui dentro”,
afirmou.
A prefeitura de São Paulo, que gerencia o museu através
da Secretaria Municipal da Cultura, em associação
com o Instituto Florestan Fernandes, vai repassar a gestão
do museu para uma entidade da sociedade civil, que buscará
financiamento e verbas para a consolidação do museu.
Emanoel Araújo está trabalhando para que o museu seja
inaugurado até agosto deste ano. Enquanto aguarda as obras,
analisa, com sua equipe, oferta de obras e acervos que lhe chegam
de várias partes do Brasil.
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