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REPORTAGENS Quarta-feira, 26 de maio de 2004
PORTAL DOS POVOS
Integração comercial com o continente africano é reforçada com
Museu Brasil-África

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Por Marco Roza

Grife: O artista Emanoel
Araújo dirige o projeto

A integração das economias do Brasil com os países africanos, especialmente os de língua portuguesa, como é intenção do governo Lula, tem em São Paulo, no Museu Afro-Brasil, um ponto de apoio estratégico. O museu, que será instalado no Pavilhão Manoel da Nóbrega, antiga sede da prefeitura no Parque do Ibirapuera, nasce com a grife Emanoel Araújo, que será o curador, e com o apoio de importantes intelectuais negros de São Paulo, que se reuniram na última semana para fazer os ajustes finos de um projeto que começou em novembro do ano passado.

Emanoel Araújo, ex-diretor da Pinacoteca
do Estado de São Paulo, tem um currículo reconhecido mundialmente que o coloca acima das disputas políticas e dos grupos que vão participar ativamente do universo do Museu Afro-Brasil. Estavam presentes à reunião o artista plástico Lizar, o maestro Maia Maia, o jornalista e escritor Oswaldo Camargo e o fotógrafo Luiz Paulo Lima.

O museu ocupará um espaço de 12 mil metros quadrados, área altamente disputada por vários grupos étnicos da capital, e será, segundo Araújo, um espaço vivo que recuperará e organizará todas as manifestações artísticas, históricas e econômicas de africanos e brasileiros submetidos à diáspora. “Será o museu da auto-estima para descendentes de escravos no Brasil, na África e em toda a América”. Sua intenção é ajudar os descendentes de escravos a ter uma visão ampla e transcendente do povo negro, que vá além da diáspora forçada com a escravidão. “O Brasil e a África, junto com grandes setores da economia da América Latina e dos Estados Unidos, têm nos negros vários pontos de convergência cultural e também de negócios. Queremos que o museu tenha um vínculo nessa grande sociedade criada a partir dessa instituição horrível que foi a escravidão. Isso vale para Cuba, para o Caribe, para o Haiti, para América do Norte e para América do Sul. Essa história é brasileira, mas é também a história da diáspora”, diz ele.

O museu ainda não tem verba definida para sua consolidação. Mesmo assim já foi contratado o escritório Brasil Arquitetura, que faz o projeto de adaptação às funções do local que terá espaços para auditório, biblioteca técnica, cinema, lugares para dança, música e workshops. Emanoel Araújo quer manter o museu um espaço aberto às várias manifestações culturais e políticas dos diversos grupos de negros do Brasil, da África e da América Latina. “Vamos mostrar no museu que o negro e sua cultura nasceram antes dos navios negreiros e, ao estimularmos um olhar da cultura negra, vamos nos transformar num ambiente em que todos os gritos presos nas gargantas de várias gerações seguidas serão ouvidos aqui dentro”, afirmou.

A prefeitura de São Paulo, que gerencia o museu através da Secretaria Municipal da Cultura, em associação com o Instituto Florestan Fernandes, vai repassar a gestão do museu para uma entidade da sociedade civil, que buscará financiamento e verbas para a consolidação do museu. Emanoel Araújo está trabalhando para que o museu seja inaugurado até agosto deste ano. Enquanto aguarda as obras, analisa, com sua equipe, oferta de obras e acervos que lhe chegam de várias partes do Brasil.

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