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ELETRÔNICO |
Guia
de utilização de câmeras digitais desvenda os segredos do equipamento
que está na ponta da revolução tecnológica deste
início de século. E conheça o fotojornalismo no Brasil
do século 19 |
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Fotografia
digital – Da compra da câmera à impressão
das fotos
De Julio Preuss, prefácio de Cora Rónai
Axcel Books Editores,
148 páginas, R$
69
www.axcel.com.br
Leia
trecho do livro
Juca
Rodrigues
Este é,
literalmente, um momento Kodak. A multinacional americana anunciou
que não fabricará mais máquinas fotográficas
que utilizam filmes, a ordem agora é produzir apenas câmeras
digitais. Pois é, a empresa que em 1888 deu início à
popularização da fotografia ao lançar a famosa
Brownie, “você aperta o botão, nós fazemos
o resto”, rendeu-se à onda avassaladora dos equipamentos
que estão na ponta da
revolução tecnológica deste início de
século.
Ótima
hora para devorar Fotografia digital – Da compra da câmera
à impressão das fotos, da Axcel Books. Escrito
pelo jornalista Julio Preuss, do jornal O Dia, do Rio de
Janeiro, é um excelente guia para fotógrafos amadores,
amadores avançados e até mesmo profissionais. Abrangente,
e com texto leve e direto, ele analisa vários tipos de câmeras
mostrando seus prós e contras, sua história, o manuseio
correto, como armazenar e imprimir o resultado de seu trabalho.
Como convém a uma obra sobre o tema, é recheado de
fotos, e também de ilustrações, que revelam
desde o interior dos equipamentos até o funcionamento dos
sensores digitais, os substitutos modernos dos tradicionais negativos.
Questões cruciais, como o controle da resolução
das imagens, são desvendadas claramente. Há ainda
um bom serviço, com tabelas comparativas dos modelos existentes,
inclusive com preços, e também conceitos da fotografia
convencional, requisitos básicos para aqueles que não
querem queimar o filme, ou corromper os arquivos.
Alguns
profissionais culpam as câmeras digitais pela “banalização”
da fotografia. Dizem que é muito fácil “tirar”
uma foto digital, pois basta olharmos a tela cristal líquido
para vermos o resultado de nosso trabalho. Caso ela esteja uma droga,
é só apagá-lo do cartão de memória
e fotografar novamente. Além disso, é possível
tratar a imagem no computador. Ou seja, no mundo dos pixels, qualquer
leigo pode fotografar muito bem, já que os equipamentos são
“à prova de erros”. De 1963 a 1970, a Kodak vendeu
mais de 50 milhões de unidades da popular Instamatic. Isso
não impediu o reconhecimento de grandes fotógrafos,
como Sebastião Salgado, Henri Cartier-Bresson, Robert Capa,
Mário Cravo Neto e outros tantos. Um ciclo exuberante se
inaugura com a explosão da venda de câmeras digitais.
OS
PIONEIROS
História
da fotorreportagem no Brasil: a fotografia na imprensa do Rio de
Janeiro de 1839 a 1900
Autor: Joaquim Marçal Ferreira de Andrade
Copyright 2003, Elsevier Editora/Campus, 304 páginas, R$
49
www.campus.com.br
Leia
trecho do livro
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Um outro
livro mostra a explosão da fotografia no País, só
que no século 19: História da fotorreportagem no
Brasil, da Editora Campus. De autoria do pesquisador e professor
Joaquim Marçal Ferreira de Andrade, da Biblioteca Nacional
e da PUC/RJ, a obra traça a evolução do fotojornalismo
na imprensa do Rio de Janeiro, de 1839 até 1900. Longe de ser
algo muito árido e específico, conhecemos de forma agradável
os primórdios da fotografia no Brasil e seus primeiros praticantes,
como o francês radicado no Brasil Hercules Florence, que descobriu
um processo fotográfico em 1833, seis anos antes, portanto,
da descoberta do daguerreótipo, equipamento oficialmente reconhecido
como o primeiro tipo de câmera fotográfica. A paixão
que a fotografia imediatamente despertou no então jovem D.
Pedro II, futuro imperador, foi uma das
molas propulsoras de sua divulgação no País.
O governante
foi o primeiro cidadão brasileiro a fotografar, em 1840, e chegou
a criar a distinção "Fotógrafo da Casa Imperial", ao
qual vários pioneiros no uso da fotografia fizeram jus. Os do ateliê
Buvelot & Prat, sediados na cidade do Rio de Janeiro, foram os primeiros
a recebê-la, dois anos antes de a rainha Vitória, da Inglaterra,
conceder pela primeira vez honraria semelhante a um fotógrafo, Antoine
Claudet, agraciado como "Photographer in-the-ordinary to the Queen".
Várias viagens do imperador pelo Brasil foram fotografadas, como a
realizada ao Recife em 1859 e documentada pelo alemão Augusto Stahl,
que chegou a fazer uma seqüência batizada como "Desembarque de Suas
Magestades em Recife". Os registros aconteceram cinco minutos antes,
no momento e cinco minutos depois. Ela é considerada pelos historiadores
como a primeira reportagem fotográfica de nossa história. A vocação
documental e jornalística da fotografia brasileira logo se revelaria.
A guerra do Paraguai, ocorrida entre 1865 e 1870, foi o primeiro conflito
armado captado pelos fotógrafos nacionais, entre eles Luiz Terragno
e e Frederico Trebi, pouco depois de o americano Mathew Brady ficar
famoso pelas suas fotos da Guerra da Secessão, nos Estados Unidos.
Nessa época também desponta a obra do grande Marc Ferrez, filho de
artistas franceses, nascido no Rio, reconhecido como o grande fotógrafo
brasileiro do século 19. Único a receber o título de "Fotógrafo da
Marinha Imperial", outorgado pelo imperador D. Pedro II, suas paisagens
e retratos são de extremo valor para a história do Brasil.
Os jornais, que então começavam a utilizar ilustrações e gravuras
em suas reportagens, logo perceberam o valor dessa nova técnica. Em
1901, um profético Olavo Bilac dizia: "Nós, os rabiscadores de artigos
e notícias, já sentimos que nos falta o solo debaixo dos pés... Um
exército rival vem solapando os alicerces em que até agora assentava
a nossa supremacia: é o exército dos desenhistas, dos caricaturistas
e dos ilustradores. (...) Já ninguém mais lê os artigos. Todos os
jornais abrem espaço a ilustrações copiosas, que [entram] pelos olhos
da gente com uma insistência assombrosa." Uma foto começava a
valer mais do que mil palavras.  |