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LIVROS Sexta-feira, 06 de fevereiro de 2004
OLHAR ELETRÔNICO
Guia de utilização de câmeras digitais desvenda os segredos do equipamento que está na ponta da revolução tecnológica deste
início de século. E conheça o fotojornalismo no Brasil do século 19

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Fotografia digital – Da compra da câmera à impressão das fotos
De Julio Preuss, prefácio de Cora Rónai
Axcel Books Editores,
148 páginas, R$ 69
www.axcel.com.br
Leia trecho do livro

Juca Rodrigues

 
Este é, literalmente, um momento Kodak. A multinacional americana anunciou que não fabricará mais máquinas fotográficas que utilizam filmes, a ordem agora é produzir apenas câmeras digitais. Pois é, a empresa que em 1888 deu início à popularização da fotografia ao lançar a famosa Brownie, “você aperta o botão, nós fazemos o resto”, rendeu-se à onda avassaladora dos equipamentos que estão na ponta da
revolução tecnológica deste início de século.

Ótima hora para devorar Fotografia digital – Da compra da câmera à impressão das fotos, da Axcel Books. Escrito pelo jornalista Julio Preuss, do jornal O Dia, do Rio de Janeiro, é um excelente guia para fotógrafos amadores, amadores avançados e até mesmo profissionais. Abrangente, e com texto leve e direto, ele analisa vários tipos de câmeras mostrando seus prós e contras, sua história, o manuseio correto, como armazenar e imprimir o resultado de seu trabalho. Como convém a uma obra sobre o tema, é recheado de fotos, e também de ilustrações, que revelam desde o interior dos equipamentos até o funcionamento dos sensores digitais, os substitutos modernos dos tradicionais negativos.

Questões cruciais, como o controle da resolução das imagens, são desvendadas claramente. Há ainda um bom serviço, com tabelas comparativas dos modelos existentes, inclusive com preços, e também conceitos da fotografia convencional, requisitos básicos para aqueles que não querem queimar o filme, ou corromper os arquivos.

Alguns profissionais culpam as câmeras digitais pela “banalização” da fotografia. Dizem que é muito fácil “tirar” uma foto digital, pois basta olharmos a tela cristal líquido para vermos o resultado de nosso trabalho. Caso ela esteja uma droga, é só apagá-lo do cartão de memória e fotografar novamente. Além disso, é possível tratar a imagem no computador. Ou seja, no mundo dos pixels, qualquer leigo pode fotografar muito bem, já que os equipamentos são “à prova de erros”. De 1963 a 1970, a Kodak vendeu mais de 50 milhões de unidades da popular Instamatic. Isso não impediu o reconhecimento de grandes fotógrafos, como Sebastião Salgado, Henri Cartier-Bresson, Robert Capa, Mário Cravo Neto e outros tantos. Um ciclo exuberante se inaugura com a explosão da venda de câmeras digitais.

OS PIONEIROS

História da fotorreportagem no Brasil: a fotografia na imprensa do Rio de Janeiro de 1839 a 1900
Autor: Joaquim Marçal Ferreira de Andrade
Copyright 2003, Elsevier Editora/Campus, 304 páginas, R$ 49
www.campus.com.br
Leia trecho do livro

 
Um outro livro mostra a explosão da fotografia no País, só que no século 19: História da fotorreportagem no Brasil, da Editora Campus. De autoria do pesquisador e professor Joaquim Marçal Ferreira de Andrade, da Biblioteca Nacional e da PUC/RJ, a obra traça a evolução do fotojornalismo na imprensa do Rio de Janeiro, de 1839 até 1900. Longe de ser algo muito árido e específico, conhecemos de forma agradável os primórdios da fotografia no Brasil e seus primeiros praticantes, como o francês radicado no Brasil Hercules Florence, que descobriu um processo fotográfico em 1833, seis anos antes, portanto, da descoberta do daguerreótipo, equipamento oficialmente reconhecido como o primeiro tipo de câmera fotográfica. A paixão que a fotografia imediatamente despertou no então jovem D. Pedro II, futuro imperador, foi uma das
molas propulsoras de sua divulgação no País.


O governante foi o primeiro cidadão brasileiro a fotografar, em 1840, e chegou a criar a distinção "Fotógrafo da Casa Imperial", ao qual vários pioneiros no uso da fotografia fizeram jus. Os do ateliê Buvelot & Prat, sediados na cidade do Rio de Janeiro, foram os primeiros a recebê-la, dois anos antes de a rainha Vitória, da Inglaterra, conceder pela primeira vez honraria semelhante a um fotógrafo, Antoine Claudet, agraciado como "Photographer in-the-ordinary to the Queen".

Várias viagens do imperador pelo Brasil foram fotografadas, como a realizada ao Recife em 1859 e documentada pelo alemão Augusto Stahl, que chegou a fazer uma seqüência batizada como "Desembarque de Suas Magestades em Recife". Os registros aconteceram cinco minutos antes, no momento e cinco minutos depois. Ela é considerada pelos historiadores como a primeira reportagem fotográfica de nossa história. A vocação documental e jornalística da fotografia brasileira logo se revelaria. A guerra do Paraguai, ocorrida entre 1865 e 1870, foi o primeiro conflito armado captado pelos fotógrafos nacionais, entre eles Luiz Terragno e e Frederico Trebi, pouco depois de o americano Mathew Brady ficar famoso pelas suas fotos da Guerra da Secessão, nos Estados Unidos. Nessa época também desponta a obra do grande Marc Ferrez, filho de artistas franceses, nascido no Rio, reconhecido como o grande fotógrafo brasileiro do século 19. Único a receber o título de "Fotógrafo da Marinha Imperial", outorgado pelo imperador D. Pedro II, suas paisagens e retratos são de extremo valor para a história do Brasil.

Os jornais, que então começavam a utilizar ilustrações e gravuras em suas reportagens, logo perceberam o valor dessa nova técnica. Em 1901, um profético Olavo Bilac dizia: "Nós, os rabiscadores de artigos e notícias, já sentimos que nos falta o solo debaixo dos pés... Um exército rival vem solapando os alicerces em que até agora assentava a nossa supremacia: é o exército dos desenhistas, dos caricaturistas e dos ilustradores. (...) Já ninguém mais lê os artigos. Todos os jornais abrem espaço a ilustrações copiosas, que [entram] pelos olhos da gente com uma insistência assombrosa." Uma foto começava a
valer mais do que mil palavras.

 

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