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FIQUE POR DENTRO

De cada US$ 1000 movimentados em
ações, US$ 200 são investidos sob orientação de astrólogos

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Betina Piva

Uma grande parte dos economistas aprecia muito fazer previsões sobre o futuro. Esquentam diariamente as calculadoras e produzem palpites baseados em estatísticas e fórmulas matemáticas complicadas. Fazem previsões para a inflação, a taxa futura de juros, o rendimento provável de fundos de investimento, ações, e mais uma infinidade de indicadores econômicos. Alguns chegam a afetar diretamente o desempenho do mercado. Curiosamente não é apenas nessas previsões que empresários e operadores do mercado se apóiam na hora de escolher o melhor caminho para ganhar dinheiro. Nesta hora vale até mesmo consultar o que dizem as estrelas. Isso mesmo. Como não podem cometer erros, eles buscam também a ajuda dos astros. E engana-se quem acredita que este hábito está restrito apenas a empresas de fundo de quintal. Há companhias muito sérias que se valem da astrologia para ajudar os negócios. É o caso da Fator Doria Atherino, uma das maiores corretoras do País.

  Foto: Calé
  Walter Appel, da Fator Doria Atherino

Todos os dias o presidente da instituição, Walter Appel, chega ao escritório e abre o computador para verificar as tendências do dia. Recebe ali gráficos com as oscilações da Bolsa e as perspectivas de fechamento do pregão, a variação do dólar com margens para o encerramento do dia, juros, entre tantas outras variáveis. Elas são preparadas por especialistas da própria corretora que se reúnem religiosamente para preparar este relatório às oito e meia da manhã. A equipe contava até pouco tempo atrás com um astrólogo. Ele não participava das reuniões, mas tinha a tarefa de descobrir o que as estrelas recomendavam para os investidores. Ali eles ficavam sabendo se o dia estava bom para apostar em papéis de riscos, se o melhor negócio estava ligado ao petróleo, ou se teriam de segurar as rédeas das aplicações. Este boletim era enviado para todos os corretores e alguns clientes vips da Fator. "Infelizmente tivemos de parar, porque nosso astrólogo decidiu se afastar", diz Appel. A chiadeira foi geral e fácil entender porquê. No ano passado, a Bolsa de Valores de São Paulo movimentou cerca de US$ 100 bilhões. Estima-se que deste total 20% tenha sido regido pelos astros. Ou seja: de cada US$ 1000 investidos pelos corretores, US$ 200 foram aplicados por gente que sempre tem um astrólogo de plantão na hora de decidir onde aplicar. "A astrologia é, sem dúvida, uma ferramenta importante para os corretores", diz Appel. Ele é o único banqueiro a admitir que a astrologia financeira é importante. Mas, curiosamente, não é o único a utilizá-la.

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