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Como escolher seu plano de saúde
Contratos familiares, coletivos e versões
populares dos produtos de luxo são opções para
quem não tem convênio empresarial
O cenário é preocupante. As principais seguradoras
do País, Bradesco e Sul América à frente, desistiram
de oferecer planos de saúde individuais. Imprensadas entre
o controle de preços da Agência Nacional de Saúde
(ANS) e o aumento dos custos médicos, viram suas margens
desabar e decidiram concentrar esforços no mercado corporativo.
As medicinas de grupo, de seu lado, continuam vendendo planos para
pessoas físicas, mas sofrem com os mesmos problemas e, em
muitos casos, estão com a saúde financeira abalada.
A quebra da Interclínicas deixou seqüelas na confiabilidade
do setor. Diante do diagnóstico, fica no ar a pergunta: quais
as alternativas mais atraentes e seguras para profissionais liberais,
pequenos empresários e outras pessoas físicas que
não contam com o benefício de um plano de saúde
empresarial?
Uma primeira dica são os planos familiares. Eles também
são regulados pela ANS, mas custam de 10% a 15% mais barato.
“Como existe mais de uma pessoa sob o mesmo guarda-chuva,
os riscos ficam menos concentrados, e os custos administrativos
diminuem para a operadora”, explica Andréa Mente, consultora
da Assistants. Quanto maior o número de pessoas no plano,
menor a mensalidade. A maioria das medicinas de grupo tem o chamado
desconto de tabela familiar em sua prateleira, mas é incomum
vê-lo anunciado. O melhor jeito de obter informações
é consultar um corretor especializado ou os departamentos
de vendas das companhias.
Outra alternativa para quem não tem plano empresarial são
os contratos coletivos por afinidade, disponíveis para associações,
sindicatos ou qualquer grupo com no mínimo cinco pessoas.
Eles funcionam de forma semelhante aos planos familiares, mas não
estão sob as asas da ANS. Os reajustes, portanto, são
negociados livremente entre as operadoras e os clientes. E é
aí que mora o perigo. O preço inicial pode ser até
metade do pago em um plano individual. “Mas, se o número
de ocorrências for grande, a mensalidade tende a subir mais
do que em outras modalidades, porque o poder de barganha de um grupo
pequeno é limitado”, adverte Andréa. É
possível contratar planos coletivos diretamente com seguradoras
ou medicinas de grupo. A SulAmérica, por exemplo, já
atende advogados, professores, engenheiros e servidores públicos.
Pode-se recorrer, ainda, a sindicatos ou conselhos regionais. E
há empresas especializadas em contratos por afinidade. A
consultoria Qualicorp é um exemplo. Administra várias
carteiras e tem 250 mil beneficiários em seu portfólio.
Se tiver empresa aberta em seu nome, o empreendedor ou profissional
liberal conta com uma opção menos convencional. Há
planos para micro e pequenas empresas – em geral, com um mínimo
de cinco funcionários. A São Cristóvão
Planos de Saúde, de São Paulo, por exemplo, recentemente
lançou um produto exclusivo para a pequena e média
empresa. Trata-se de uma modalidade nova de serviço, cujos
resultados ainda terão de ser avaliados. Mais do que nunca
neste caso, o risco de não ter o amparo da ANS para negociar
com as operadoras deve ser levado em conta.
Por mais paradoxal que pareça, o desinteresse das seguradoras
pelos planos individuais é visto como oportunidade de negócio
por alguns concorrentes. Focada no público de alta renda,
a Omint aproveita-se deste vácuo para crescer. “Quando
as grandes seguradoras desistiram deste segmento, lançamos
um plano mais acessível para atender parte da clientela que
ficou órfã”, confirma André Coutinho,
diretor da operadora. O produto oferece tudo que o plano tradicional
cobre, menos o hospital Albert Einstein (o mais caro de São
Paulo) e apresenta uma redução na tabela de reembolso
de despesas médicas. Isso permite um corte de até
20% no preço. Em uma faixa etária de 29 a 33 anos,
o novo plano custa a partir de R$ 514 mensais, contra R$ 642 do
plano tradicional.
Seja qual for o modelo de plano escolhido, o fundamental, naturalmente,
é eleger uma companhia sólida. No site da ANS, há
um ranking das operadoras de plano de saúde que leva em conta
critérios como faturamento e sinistralidade (proporção
da receita gasta com o pagamento de indenizações).
“Uma empresa que opera hoje com sinistralidade na casa de
90% não fecha suas contas”, adverte o diretor técnico
da Qualicorp, José Augusto Alves de Paula. Este número
significa que, de cada 100 reais que recebe, a empresa gasta 90
com custos médicos. Além da saúde financeira,
é preciso avaliar criteriosamente itens como serviços
oferecidos e o número de hospitais, médicos e laboratórios
conveniados. “O que deve prevalecer na hora da escolha é
o cálculo do custo-benefício, e não simplesmente
o preço mais acessível”, observa o consultor
Gustavo Cerbasi. Pouco adianta contratar o plano mais barato do
mercado e cair em armadilhas como a ausência de cobertura
para parto.
Para aprofundar esta pesquisa, uma opção interessante
é o site Planos Online, mantido pela Victory Consulting,
que representa 18 bandeiras de planos de saúde e recebe cerca
de dois mil visitantes por dia. Em suas páginas, é
possível fazer simulações com variáveis
como faixa etária da pessoa interessada, abrangência
geográfica necessária (regional, nacional ou internacional),
rede de hospitais e faixa de preço pretendidas. Se quiser
contratar um plano, o consumidor é atendido por telefone
e recebe informações sobre a situação
financeira da operadora desejada, além de consultoria sobre
questões como mudar ou não de plano. “Eu já
fui confundida com uma ONG”, diverte-se Vera Lúcia
Bejato, dona da Victory. 
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