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CARREIRA

Quinta -feira, 9 de Maio de 2002

O MAPA DA MINA
Pessoas mais altas conseguem melhores cargos. Esta é uma das revelações de pesquisa do Grupo Catho, que faz uma radiografia
da carreira executiva no País e revela os itens que mais contribuem
para um aumento de salário

• A influência da altura • Cada vez mais jovens
• Como avalio meu salário? • Inglês é muito importante
• Homens ainda ganham mais • É preciso investir na educação
• Salários médios  
TESTE Saiba como aumentar o seu salário

Por Betina Piva

Qual o segredo de uma carreira bem sucedida? Não existem receitas prontas, mas na briga para alçar cargos, jovens executivos saem constantemente em busca do mapa da mina e profissionais experientes lutam para manter-se atualizados. Um bom guia de empregabilidade pode ser a pesquisa A Contratação, a demissão e a carreira dos Executivos Brasileiros 2001, realizada pelo renomado Grupo Catho, empresa de recrutamento e recolocação. Feita a cada quatro anos, o estudo define o perfil dos executivos brasileiros. Esta última edição, finalizada nesta semana, ouviu 9.174 profissionais de diversos níveis, de presidentes a supervisores, que responderam um questionário de 32 páginas com 257 perguntas.

O trabalho mapeia a situação de homens e mulheres nas mais diversas áreas. Ele identifica, por exemplo, 17 fatores que
fazem diferença na hora de calcular o salário de um executivo. Fluência na língua inglesa, por exemplo, pode significar um
acréscimo mensal de R$ 1.058,35 na vida de um diretor. Contribuir por aumentar o faturamento da empresa pode render mais
R$ 885,63 por mês. E um salto no grau de escolaridade pode significar mais R$ 677,66 no salário.

Cresça e apareça
Para alcançar bons cargos, até a altura se tornou um trunfo. Pode parecer brincadeira, mas na Universidade da Pennsylvania, EUA - Nicola Persico, Andrew Postlewaite e Dan Silverman, pesquisadores em economia, mostraram que pessoas com estatura acima da média chegam a ganhar 15% mais do que pessoas mais baixas. A pesquisa Catho, aponta resultado semelhante no País. "Dentre os diretores, por exemplo, a altura girava em torno de 1,77m, enquanto que os presidentes registraram uma média de 1,83m", explica Thomas Case, presidente da Catho e responsável pela pesquisa. Aos olhos de outros hesdhunters, o motivo mais provável para tal constatação está ligado às teorias da psicologia social que dizem que o domínio de uma relação interpessoal é determinado pela altura. Para Simon Franco, presidente para a América Latina da TMP Worldwide Executive Search, a postura dos profissionais é reflexo direto de sua auto-estima. "Eles são mais altos, mas isto não basta. É preciso investir em educação/formação", alerta.

O custo da experiência
Idade é um dos fatores que mais afetam a carreira. A cada cinco anos de vida, um diretor ganha mais R$ 558,65. Por isso os executivos estão cada vez mais jovens. Em 1997, mais de 30% dos entrevistados estavam acima da casa dos 45 anos. Esse valor caiu para menos de 10%. "Na maioria dos quesitos, os empresários se mostraram bastante tolerantes na hora da contratação, menos com relação a idade", afirma Case. O real motivo para descartar os funcionários acima de 45 anos é a relação custo benefício. "Não compensa. Este sujeito custa o dobro de um executivo de 20, 30 anos - e muitas vezes produz menos." Mas Case garante que o fato não assusta os mais maduros. "Hoje, eles estão se preparando para o dia que deixarão a empresa. Eles são precavidos: cerca de 21% dos executivos tem um negócio paralelo, outros 11% dão aula. Eles já estão prontos para o dia que receberão o cartão vermelho."

Guerra dos sexos
O exército feminino continua avançando no mercado de trabalho, apesar de ganhar menos. Um diretor homem pode receber
até 17,6% mais que uma mulher. Mas a diferença de remuneração entre os dois sexos, que era de 17% em 1997, agora está em 10,3%. "Eu acredito que as mulheres alcançaram um patamar muito cômodo no mercado de trabalho. Esta pequena diferença no salário delas faz com que tenham preferência na hora da contratação.
É por isso que a inserção da mulher no mercado de trabalho tem aumentado tanto", explica Case.

A importância da escola
Um dado salta aos olhos no estudo da Catho: o grau de escolaridade. Ele tem forte influência na formação dos executivos, mas mesmo assim, 20,35% dos executivos não investem na própria educação. Quanto à especialização, 87% deles não investem na carreira. Apenas 17% está participando de algum curso. "É preciso investir na carreira. Estude e mantenha-se atualizado. Má formação pode significar o fim da linha na carreira executiva. A recomendação de Case é partilhada ainda por Enio Resende, consultor em RH responsável pela implantação do plano de cargos na Embraer, quando de sua privatização. "O grande diferencial dos profissionais que fazem diferença no mercado de trabalho não é a quantidade de diplomas. Mas como ele aplica tudo aquilo que aprendeu. A isto
dá-se o nome de competência."

Demissão e rejeição
O mercado também ficou mais estreito. Um executivo demitido demora cada vez mais para arranjar um novo emprego. Em 1997, este tempo era de 6 meses, agora é de 11,5 meses. Mas esse dado negativo não os impede de recusar uma eventual mudança de cidade a pedido da companhia. Embora São Paulo tenha a maior concentração de grandes empresas para se fazer carreira executiva, é uma das cidades com maior índice de rejeição. Ao lado de Brasília, é rejeitada por 25,36% dos profissionais- que não se mudariam para as capitais por dinheiro nenhum. O aumento mínimo exigido para que um executivo tope se transferir para a capital paulista é de 112,58%, enquanto que para Brasília é de 117,68%. "A cidade com menor índice de rejeição é Curitiba - apenas 2,25% - o que nos leva a crer que o principal motivo é a qualidade de vida", acredita Case.

Vagas na rede
A tecnologia entrou na vida corporativa para valer. O principal meio para se achar um candidato a uma vaga agora é a Internet, responsável por 51% das contratações. "Foram 14,4% dos presidentes, 30,6% dos diretores e 41% dos gerentes contratados pela internet e a tendência é de franco crescimento", comemora Case. Mas as empresas de consultoria sofreram bastante. Em 1997, por exemplo, 26% dos gerentes foram recrutados por consultoria e 27% através de jornal. Já em 2001 foi as consultorias direcionaram 8% e os anúncios em jornal 13%.


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