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 PROCURAR EMPREGO NUNCA MAIS Sexta-feira, 21 de maio de 2004
RISCOS DE SE INVESTIR NO NOVO NEGÓCIO
Veja os perigos que consomem suas parcas poupanças, escondidos
na abertura e consolidação de seu novo projeto

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“Não gostei, o desempregado que está pesquisando os nichos
do mercado para investir suas parcas poupanças necessita de dicas práticas,
alertas de risco etc e não de literatura de auto-ajuda”,
Galdino Lira, de João Pessoa, PB, em crítica à coluna anterior.

Marco Roza*

Esta coluna é para agradecer a uma
saudável e contundente crítica que recebi
de Galdino Lira - Gallira@terra.com.br,
de João Pessoa, PB.

O leitor é um dos que acreditam em PROCURAR EMPREGO NUNCA MAIS. Veja a frase: “o desempregado que está pesquisando os nichos de mercado para investir suas parcas poupanças necessita de dicas práticas”. Vamos, pois, aos alertas de risco que ele exige. Tentarei ser técnico mas sem perder a poesia. Desculpe-me então, Galdino, se eventualmente eu escorregar para o tipo de texto que você classifica como “literatura de auto-ajuda”.

ALERTAS DE RISCO

Simular ocupação – Um desempregado é um potencial gastador
de reservas em simuladores de ocupação. Ele (ou ela) acha que
tem que dar satisfações rápidas aos amigos e parentes. Resultado: foca seus esforços na aparência do projeto em vez de se concentrar nas reais oportunidades embutidas no seu cardápio de negócios. Exemplo: aluga um escritório, contrata uma atendente, compra um computador, instala uma linha de telefone. Abre um gasto sem ter o cliente que vai repor o investimento. O negócio já nasce falido. Mas permitirá que o futuro empreendedor se mostre extremamente ocupado para os amigos. Sugestão: gaste seu tempo, sua solidão e suas convicções identificando necessidades dos clientes ainda não atendidas ou parcialmente atendidas pelo mercado ao seu redor. Tome como exemplo sua prática enquanto estava empregado ou
se apóie em sua intuição, suas conversas com estranhos que gravitam em torno dos negócios de seu interesse ou no qual
você gostaria de dedicar plenamente sua vida.

Juca Rodrigues

Idéias nubladas – Se você não conseguir colocar sua idéia de negócio numa única folha de papel, cuidado. Um bom negócio se apóia, sempre, em uma idéia simples ainda não percebida. Sugestão: escreva e reescreva sua idéia e a simplifique até conseguir explicá-la a uma audiência que tenha o perfil de seu futuro cliente. Sua idéia tem que ser, além de simples, empolgante. E conter a vantagem implícita para os futuros parceiros, investidores e clientes. É uma tarefa que consome tempo, exercício, humildade e troca de idéias. Entre as idéias que desenvolvo em PROCURAR EMPREGO NUNCA MAIS, com prefácio de Joelmir Beting, tem a sugestão de se criar o sabão em pó marca M, para ser vendido na periferia e com a porção correta para ser usada em tanquinhos.

Sócios iguais – Geralmente duas pessoas com habilidades semelhantes se associam para abrir um negócio. Risco altíssimo. Sugestão: aumente o sucesso de seu empreendimento se associ-
ando com pessoas que sejam complementares às suas habilidades.
Se você é engenheiro civil, fique sócio de um mestre-de-obras.
Se é um marceneiro, tente se associar com um designer. Ao se complementar, você aumenta o capital intelectual agregado ao negócio, amplia seus horizontes e ganha uma visão crítica do
setor econômico em que está ou estará inserido.

Almas dedicadas – O mais difícil em um novo empreendimento é saber avaliar se as pessoas envolvidas colocam a alma no negócio. Muitas vezes, quem tem a iniciativa é tão convicto do próprio negócio que abafa as iniciativas e críticas dos parceiros. Sugestão: Relaxe. Deixe aflorar sempre a alma dos seus sócios. Avalie o interesse natural, as sugestões, a disciplina em encaminhar os acordos estabelecidos. Sem empenho do corpo e alma de todos os envolvidos, o futuro negócio corre sérios riscos. E, principalmente, se exercite ao máximo para conviver bem com as críticas. Aprenda a respondê-las sem perder a ternura, jamais.

TRABALHO E RITUAL

O garçon Cido – James Hilman, em “Tipos de Poder”, define “Serviços” como a habilidade de “elevar a qualidade de tudo aquilo em que tocamos”. Desde que li o livro não tinha encontrado no meu ambiente um serviço exercitado com tanto ritual. Até conhecer, por acaso, o Restaurante Bombordo, em São Sebastião, e ser atendido, também por acaso, pelo garçon Cido. Os copos pousavam na mesa, os pratos chegavam planando, a atenção se materializava antes mesmo de a gente perceber que precisava retirar os pratos ou ter pensado no café. A teoria de James Hilman na prática.

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Edu Simões / W11 editoresCréditos:
Marco Roza é jornalista. Trabalhou na Folha de São Paulo, Folha da Tarde, Notícias Populares, Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC e DCI. Em Londres, trabalhou para o Central Office of Information, órgão de divulgação do governo inglês. É diretor da Marco Direto Marketing - MDM, e se especializou em Marketing da Diferença®, em que pesquisa para
seus clientes como agregar ou ressaltar as diferenças que são percebidas pelos consumidores.

Email: marcoroza@mdm.com.br.
Telefone: 0800-11-1239
Procurar emprego nunca mais é editado pela W11 Editores
(011-3812-3812)

 

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