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 PROCURAR EMPREGO NUNCA MAIS Sexta-feira, 30 de abril de 2004
A REVOLUÇÃO DOS SEM-CRACHÁS
Acuados pelo desemprego, os sem-crachá mantêm
a auto-estima e aprendem a garimpar oportunidades
do lado de fora da carteira de trabalho assinada

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“A palavra é o próprio homem. Somos feitos de palavras.”
Octavio Paz, em “O Arco e a Lira”, Editora Nova Fronteira

Marco Roza*

Este texto registra minha indignação com o índice de desemprego nos estratosféricos 12,8% nas seis principais regiões metropo-
litanas do País, segundo dados divulgados pelo IBGE, em 27 de abril, nas beiradas do 1º de Maio de 2004. Dia do Trabalho.

É impossível a gente ficar indiferente
quando num pelotão de cem, treze foram abatidos impiedosamente pelo inimigo que
se esconde nas sombras das estatísticas e na indiferença dos políticos. E o demitido-morto continua perambulando pela vida,
sem ter como pagar as prestações e a
conta do supermercado.

Assumo, pois, as emoções de uma pessoa cem por cento desem-
pregada, com o estômago dos filhos rondando seus passos e a
família, parentes e amigos já dando sinais visíveis de impaciência.

O que nos reserva o futuro? Medo ou a certeza de que daremos a volta por cima?

Se me deixaram desempregado e vivo, assumo então a vida.

E vivo sou altivo e me preparo para mudar a meu favor, a cada instante, as oportunidades que se oferecem.

Tenho o apoio do psicólogo Daniel Kahneman, prêmio Nobel de Econo-
mia em 2002, que afirma que é “inútil a gente se preocupar com o longo prazo, simplesmente porque ninguém vive a vida a longo prazo”.

É difícil a gente acreditar nesse conceito da realidade, pois as corporações mantêm o controle cotidiano de nossas vontades com uma combinação de ameaças e subornos de curto e longo prazos.

Acenam com salários mensais, férias anuais, 13º salário, promoções e a longínqua aposentadoria. E mantêm a ameaça permanente da demissão. Repetiram durante décadas esse teatro do absurdo que hoje nos vemos presos às promessas, mesmo quando fomos executados e viramos zumbis sem crachá.

Segundo Daniel Kahneman, nossas referências de sobrevivência são determinadas pela realidade de curto prazo, que, por sua vez, se vinculam às nossas emoções. Só agimos, aqui e agora, comandados pela emoção. E o que dispara a emoção? As mudanças que nos são impostas, afirma.

Preservar a auto-estima

Resumo da ópera: podemos ficar o ano inteiro lamentando as estatísticas de desemprego, mesmo quando estamos cem por cento desempregados, ou incorporar o desemprego como uma mudança que caiu nas nossas cabeças e bolsos, e reagir, aqui e agora, para construir a ponte que nos levará ao outro lado do precipício.

Como? A primeira resposta prática é preservar nossa auto-estima.

O desemprego nos leva a ações impensadas, na maioria das
vezes. Saímos batendo de porta em porta atrás da carteira de trabalho que as estatísticas do IBGE nos mostram claramente
que não existe mais. Junto com os mesmos dados de desem-
prego de 12,8%, o IBGE divulgou que apenas 39,5% da popu-
lação ocupada têm carteira assinada.

No esforço de achar a qualquer custo uma vaga, consumimos a eventual indenização, as economias da família, sola de sapato,
suores frios em ante-salas de entrevistas e, o mais precioso de nossos bens: nossa auto-estima.

A emoção comanda nossas ações. Mas mantém nosso livre arbítrio. Podemos nos submeter ao status de desempregado morto para o mercado e agir como zumbis. Ou manter nossa luz própria e perceber nos nossos semelhantes, nas necessidades manifestadas (e nem sempre percebidas) dos consumidores à nossa volta, o ponto de apoio que alavancará nosso acesso ao mercado e à renda.

Enquanto indivíduos, não temos como experimentar a vida projetada a longo prazo, como nos ajuda a perceber Daniel Kahneman. Mas, enquanto agrupamentos humanos, estamos vinculados à História e sabemos que sairemos desta, numa situação muito melhor. Não é a primeira fase de transição que a humanidade atravessa. Vivemos a maior parte da história humana sem carteira de trabalho.

“Por volta de 2020, se tanto, as relações de trabalho estarão convertidas (ou catequizadas) com relações de negócio”, escreve Joelmir Beting, no prefácio de PROCURAR EMPREGO NUNCA MAIS.

O mundo, amigos e amigas, será controlado pelos agentes eco-
nômicos que aprenderam a garimpar oportunidades do lado de
fora da carteira de trabalho assinada. É a vitória anunciada da revolução dos sem-crachá.

Trabalho e futuro
Se você é pai e mãe de adolescentes, precisa conhecer Maristela Moura, bacharel em História com especializações em Marketing, Educação Ambiental e Neuropsicologia pela UFPR. Interagir com Maristela Moura nos torna, automaticamente, em elos vivos da História. Transcendência pura que nos coloca na perspectiva humana seja no ambiente profissional, familiar ou escolar. De repente, a moldura de medo de um problema que nos aflige vira, com a orientação da neuropsicóloga, o exercício pleno de nossa dema-
siada humanidade. Maristela é consultora de marketing corpora-
tivo e coach de planejamento de carreira e gestão pessoal
financeira. E absolutamente dedicada à vida.

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Edu Simões / W11 editoresCréditos:
Marco Roza é jornalista. Trabalhou na Folha de São Paulo, Folha da Tarde, Notícias Populares, Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC e DCI. Em Londres, trabalhou para o Central Office of Information, órgão de divulgação do governo inglês. É diretor da Marco Direto Marketing - MDM, e se especializou em Marketing da Diferença®, em que pesquisa para
seus clientes como agregar ou ressaltar as diferenças que são percebidas pelos consumidores.

Email: marcoroza@mdm.com.br.
Telefone: 0800-11-1239
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(011-3812-3812)

 

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