| A
REVOLUÇÃO DOS SEM-CRACHÁS |
Acuados
pelo desemprego, os sem-crachá mantêm
a auto-estima e aprendem a garimpar oportunidades
do lado de fora da carteira de trabalho assinada |
 |
|
“A
palavra é o próprio homem. Somos feitos de palavras.”
Octavio Paz, em “O Arco e a Lira”, Editora
Nova Fronteira
Marco
Roza*
Este
texto registra minha indignação com o índice
de desemprego nos estratosféricos 12,8% nas seis principais
regiões metropo-
litanas do País, segundo dados divulgados pelo IBGE, em 27
de abril, nas beiradas do 1º de Maio de 2004. Dia do Trabalho.
É
impossível a gente ficar indiferente
quando num pelotão de cem, treze foram abatidos impiedosamente
pelo inimigo que
se esconde nas sombras das estatísticas e na indiferença
dos políticos. E o demitido-morto continua perambulando pela
vida,
sem ter como pagar as prestações e a
conta do supermercado.
Assumo,
pois, as emoções de uma pessoa cem por cento desem-
pregada, com o estômago dos filhos rondando seus passos e
a
família, parentes e amigos já dando sinais visíveis
de impaciência.
O
que nos reserva o futuro? Medo ou a certeza de que daremos a volta
por cima?
Se
me deixaram desempregado e vivo, assumo então a vida.
E
vivo sou altivo e me preparo para mudar a meu favor, a cada instante,
as oportunidades que se oferecem.
Tenho
o apoio do psicólogo Daniel Kahneman, prêmio Nobel
de Econo-
mia em 2002, que afirma que é “inútil a gente
se preocupar com o longo prazo, simplesmente porque ninguém
vive a vida a longo prazo”.
É
difícil a gente acreditar nesse conceito da realidade, pois
as corporações mantêm o controle cotidiano de
nossas vontades com uma combinação de ameaças
e subornos de curto e longo prazos.
Acenam
com salários mensais, férias anuais, 13º salário,
promoções e a longínqua aposentadoria. E mantêm
a ameaça permanente da demissão. Repetiram durante
décadas esse teatro do absurdo que hoje nos vemos presos
às promessas, mesmo quando fomos executados e viramos zumbis
sem crachá.
Segundo
Daniel Kahneman, nossas referências de sobrevivência
são determinadas pela realidade de curto prazo, que, por
sua vez, se vinculam às nossas emoções. Só
agimos, aqui e agora, comandados pela emoção. E o
que dispara a emoção? As mudanças que nos são
impostas, afirma.
Preservar
a auto-estima
Resumo da ópera: podemos ficar o ano inteiro lamentando
as estatísticas de desemprego, mesmo quando estamos cem por
cento desempregados, ou incorporar o desemprego como uma mudança
que caiu nas nossas cabeças e bolsos, e reagir, aqui e agora,
para construir a ponte que nos levará ao outro lado do precipício.
Como? A primeira resposta prática é preservar nossa
auto-estima.
O
desemprego nos leva a ações impensadas, na maioria
das
vezes. Saímos batendo de porta em porta atrás da carteira
de trabalho que as estatísticas do IBGE nos mostram claramente
que não existe mais. Junto com os mesmos dados de desem-
prego de 12,8%, o IBGE divulgou que apenas 39,5% da popu-
lação ocupada têm carteira assinada.
No
esforço de achar a qualquer custo uma vaga, consumimos a
eventual indenização, as economias da família,
sola de sapato,
suores frios em ante-salas de entrevistas e, o mais precioso de
nossos bens: nossa auto-estima.
A emoção comanda nossas ações. Mas
mantém nosso livre arbítrio. Podemos nos submeter
ao status de desempregado morto para o mercado e agir como zumbis.
Ou manter nossa luz própria e perceber nos nossos semelhantes,
nas necessidades manifestadas (e nem sempre percebidas) dos consumidores
à nossa volta, o ponto de apoio que alavancará nosso
acesso ao mercado e à renda.
Enquanto indivíduos, não temos como experimentar
a vida projetada a longo prazo, como nos ajuda a perceber Daniel
Kahneman. Mas, enquanto agrupamentos humanos, estamos vinculados
à História e sabemos que sairemos desta, numa situação
muito melhor. Não é a primeira fase de transição
que a humanidade atravessa. Vivemos a maior parte da história
humana sem carteira de trabalho.
“Por
volta de 2020, se tanto, as relações de trabalho estarão
convertidas (ou catequizadas) com relações de negócio”,
escreve Joelmir Beting, no prefácio
de PROCURAR EMPREGO NUNCA MAIS.
O mundo,
amigos e amigas, será controlado pelos agentes eco-
nômicos que aprenderam a garimpar oportunidades do lado de
fora da carteira de trabalho assinada. É a vitória
anunciada da revolução dos sem-crachá.
Trabalho
e futuro
Se você é pai e mãe de adolescentes, precisa
conhecer Maristela Moura, bacharel em História com especializações
em Marketing, Educação Ambiental e Neuropsicologia
pela UFPR. Interagir com Maristela
Moura nos torna, automaticamente, em elos vivos da História.
Transcendência pura que nos coloca na perspectiva humana seja
no ambiente profissional, familiar ou escolar. De repente, a moldura
de medo de um problema que nos aflige vira, com a orientação
da neuropsicóloga, o exercício pleno de nossa dema-
siada humanidade. Maristela é consultora de marketing corpora-
tivo e coach de planejamento de carreira e gestão pessoal
financeira. E absolutamente dedicada à vida. 
Colunas anteriores
Créditos:
Marco Roza é jornalista. Trabalhou na Folha
de São Paulo, Folha da Tarde, Notícias Populares,
Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC e DCI. Em Londres,
trabalhou para o Central Office of Information, órgão
de divulgação do governo inglês. É
diretor da Marco Direto Marketing - MDM,
e se especializou em Marketing da Diferença®, em
que pesquisa para
seus clientes como agregar ou ressaltar as diferenças
que são percebidas pelos consumidores. |
Email:
marcoroza@mdm.com.br.
Telefone: 0800-11-1239
Procurar emprego nunca mais é editado pela W11
Editores
(011-3812-3812)
|