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 PROCURAR EMPREGO NUNCA MAIS Sexta-feira, 02 de abril de 2004
SEM PRECISAR MATAR OS PAIS
É tempo de os jovens aprenderem a reagir, consolidando idéias e projetos, contra um mercado que os descarta e mantém desempregados.

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De 2,781 milhões de pessoas desocupadas em seis regiões
metropolitanas do país, 1,023 milhão são jovens na faixa
de 18 a 24 anos, o que corresponde a 36% dos
desempregados. Dados do Seade-Dieese.

Marco Roza*

O rapaz e a moça que enxergam além do shopping e dos bairros elegantes intuem que há uma contradição doida no ar, pois vivem sem crachá e sem rumo num Brasil em que quase tudo está para ser feito.

As oportunidades beijam-lhes as pálpebras todas as manhãs, mas quando abrem os olhos só acumulam mais vazio, mais ociosidade e mais desespero. Uns se drogam, outros matam os pais. A maioria, felizmente, quer trabalho e renda.

São jovens que cresceram num mercado com contratos do tipo “enquanto durar a satisfação”. Se acham moderninhos, mas são atores descartáveis em uma sociedade que estimula relacionamentos transitórios. Em vez de corações Romeu e Julieta em brasa, preferem ficar.

Mas quando a única situação permanente é a ausência do emprego formal, alguma transgressão deve ser pensada. E posta em prática.

Jovens que têm muito a aprender com o filósofo italiano Norberto Bobbio, que morreu menino, em 9 de janeiro de 2004, aos 95 anos. “Cada vez mais, o velho passa a ser aquele que não sabe em relação aos jovens que sabem, e estes sabem, entre outras razões, também porque têm mais facilidade para aprender”, escreveu Norberto Bobbio, em “O Tempo da Memória”, Editora Campus.

Ser jovem é, pois, ter facilidade para aprender. Buscar a carteira de trabalho, a proteção de um emprego de 35 anos, como querem nossos avós e pais, é dirigir olhando para o retrovisor. Quebramos a cara.

É hora de transgredir e espatifar todos os retrovisores, como
numa imensa festa grega. Dançar em cima dos cacos e construir nosso destino.

Num mundo em que “tudo que é sólido desmancha no ar”, uma geração que vai chegar facilmente aos noventa anos, tem uma eternidade pela frente. Ao quebrar os espelhos retrovisores, agora, se verá diante das oportunidades, mesmo sem as perceber plenamente e aprenderá, na prática, a controlar o futuro. Fazer o caminho enquanto acelera a frente.

E o que precisa para saltar na busca de trabalho e renda? Resposta: atitude, como insisto em PROCURAR EMPREGO NUNCA MAIS, com prefácio de Joelmir Beting.

Aceitar o papel que o mercado escreveu para os jovens e fingir que “não está nem aí” para com os relacionamentos afetivos e projetos profissionais é uma tremenda babaquice.

É se deixar ser usado, rapidamente, e ser descartado, mais rapidamente ainda.

Atores-desempregados,
atores-desesperados.

Ao assumirmos nossos papéis, aprenderemos a negociar uns com os outros, e, principalmente, a consolidar nosso capital intelectual que se origina e se materializa na troca sincera de idéias.

E chegamos a outro sábio dos tempos modernos, o filósofo polonês Zygmunt Bauman, que, mesmo se aproximando dos 80 anos, transborda juventude. No seu livro Modernidade Líquida, Jorge Zahar Editor, nos ensina:

“As principais fontes de lucro – dos grandes lucros
em especial, e portanto do capital de amanhã – tendem
a ser, numa escala sempre em expansão,
idéias e não objetos materiais”.

Donde concluímos que: é hora de assumir a plenitude da juventude e consubstanciar a facilidade para aprender, como lembra Norberto Bobbio. Quebrar todos os espelhos retrovisores e colocar seu futuro na reta. Confiar com ênfase em sua eternidade de noventa anos e assumir todos os riscos num mundo em que tudo que é sólido desmancha no ar.

O prêmio será um coração palpitante durante uma vida longa. Cheio de paixão, tesão e acordos duradouros. Sem morrer jovem por overdose e sem precisar matar os pais.

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Edu Simões / W11 editoresCréditos:
Marco Roza é jornalista. Trabalhou na Folha de São Paulo, Folha da Tarde, Notícias Populares, Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC e DCI. Em Londres, trabalhou para o Central Office of Information, órgão de divulgação do governo inglês. É diretor da Marco Direto Marketing - MDM, e se especializou em Marketing da Diferença®, em que pesquisa para
seus clientes como agregar ou ressaltar as diferenças que são percebidas pelos consumidores.

Email: marcoroza@mdm.com.br.
Telefone: 0800-11-1239
Procurar emprego nunca mais é editado pela W11 Editores
(011-3812-3812)

 

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