| SEM
PRECISAR MATAR OS PAIS |
| É
tempo de os jovens aprenderem a reagir, consolidando idéias
e projetos, contra um mercado que os descarta e mantém
desempregados. |
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De
2,781 milhões de pessoas desocupadas em seis regiões
metropolitanas do país, 1,023 milhão são jovens
na faixa
de 18 a 24 anos, o que corresponde a 36% dos
desempregados. Dados do Seade-Dieese.
Marco
Roza*
O rapaz e a moça que enxergam além
do shopping e dos bairros elegantes intuem que há uma contradição
doida no ar, pois vivem sem crachá e sem rumo num Brasil
em que quase tudo está para ser feito.
As oportunidades beijam-lhes as pálpebras
todas as manhãs, mas quando abrem os olhos só acumulam
mais vazio, mais ociosidade e mais desespero. Uns se drogam, outros
matam os pais. A maioria, felizmente, quer trabalho e renda.
São jovens que cresceram num mercado com
contratos do tipo “enquanto durar a satisfação”.
Se acham moderninhos, mas são atores descartáveis
em uma sociedade que estimula relacionamentos transitórios.
Em vez de corações Romeu e Julieta em brasa, preferem
ficar.
Mas quando a única situação
permanente é a ausência do emprego formal, alguma transgressão
deve ser pensada. E posta em prática.
Jovens
que têm muito a aprender com o filósofo italiano Norberto
Bobbio, que morreu menino, em 9 de janeiro de 2004, aos 95 anos.
“Cada vez mais, o velho passa a ser aquele que não
sabe em relação aos jovens que sabem, e estes sabem,
entre outras razões, também porque têm mais
facilidade para aprender”, escreveu Norberto Bobbio, em “O
Tempo da Memória”, Editora Campus.
Ser jovem é, pois, ter facilidade para aprender.
Buscar a carteira de trabalho, a proteção de um emprego
de 35 anos, como querem nossos avós e pais, é dirigir
olhando para o retrovisor. Quebramos a cara.
É
hora de transgredir e espatifar todos os retrovisores, como
numa imensa festa grega. Dançar em cima dos cacos e construir
nosso destino.
Num mundo em que “tudo que é sólido
desmancha no ar”, uma geração que vai chegar
facilmente aos noventa anos, tem uma eternidade pela frente. Ao
quebrar os espelhos retrovisores, agora, se verá diante das
oportunidades, mesmo sem as perceber plenamente e aprenderá,
na prática, a controlar o futuro. Fazer o caminho enquanto
acelera a frente.
E
o que precisa para saltar na busca de trabalho e renda? Resposta:
atitude, como insisto em PROCURAR
EMPREGO NUNCA MAIS, com prefácio de Joelmir Beting.
Aceitar o papel que o mercado escreveu para os
jovens e fingir que “não está nem aí”
para com os relacionamentos afetivos e projetos profissionais é
uma tremenda babaquice.
É
se deixar ser usado, rapidamente, e ser descartado, mais rapidamente
ainda.
Atores-desempregados,
atores-desesperados.
Ao assumirmos nossos papéis, aprenderemos
a negociar uns com os outros, e, principalmente, a consolidar nosso
capital intelectual que se origina e se materializa na troca sincera
de idéias.
E
chegamos a outro sábio dos tempos modernos, o filósofo
polonês Zygmunt Bauman, que, mesmo se aproximando dos 80 anos,
transborda juventude. No seu livro Modernidade Líquida,
Jorge Zahar Editor, nos ensina:
“As
principais fontes de lucro – dos grandes lucros
em especial, e portanto do capital de amanhã – tendem
a ser, numa escala sempre em expansão,
idéias e não objetos materiais”.
Donde concluímos que: é hora de assumir
a plenitude da juventude e consubstanciar a facilidade para aprender,
como lembra Norberto Bobbio. Quebrar todos os espelhos retrovisores
e colocar seu futuro na reta. Confiar com ênfase em sua eternidade
de noventa anos e assumir todos os riscos num mundo em que tudo
que é sólido desmancha no ar.
O prêmio será um coração
palpitante durante uma vida longa. Cheio de paixão, tesão
e acordos duradouros. Sem morrer jovem por overdose e sem precisar
matar os pais.

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Créditos:
Marco Roza é jornalista. Trabalhou na Folha
de São Paulo, Folha da Tarde, Notícias Populares,
Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC e DCI. Em Londres,
trabalhou para o Central Office of Information, órgão
de divulgação do governo inglês. É
diretor da Marco Direto Marketing - MDM,
e se especializou em Marketing da Diferença®, em
que pesquisa para
seus clientes como agregar ou ressaltar as diferenças
que são percebidas pelos consumidores. |
Email:
marcoroza@mdm.com.br.
Telefone: 0800-11-1239
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