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 PROCURAR EMPREGO NUNCA MAIS Sexta-feira, 16 de abril de 2004
EVITE OS CURRÍCULOS DESCARTÁVEIS
Veja como criar acesso às empresas e a seus profissionais
dentro da estratégia de buscar trabalho e renda.

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“Se você jogar um sapo em água fervente, ele vai, instintivamente,
pular fora. Mas se você colocá-lo numa panela de água fria e esquentá-la
gradualmente, o sapo ficará ali até que a água ferva e ele morra”,
Daniel Goleman, em “Primal Leadership”

Marco Roza*

Recebo, por dia, uns 30 currículos. Todos iguais. Todos descartáveis. Assinados por sapos (ou sapas) perigosamente acomodados em água de temperatura sempre crescente.

Daí refletir com você a diferenciação do acesso às empresas e ao mercado para aumentar sua chance de recolocação. Ou pelo menos ampliar sua rede de contatos para consolidar seu acesso à renda.

As pessoas que distribuem currículos aleatoriamente agem como se procurassem um encaixe em uma organização em movimento. Tentam chamar a atenção de ocupantes de cargos que elas nunca viram. Não sabem sequer o
nome e cargo do profissional.

Mas querem, em troca, que esta pessoa pare o que está fazendo, avalie um currículo, igualzinho a centenas de outros que recebe, e as contrate. Estais brincando!

As corporações, os empregados que ainda têm a carteira assinada, os fornecedores e os terceirizados estão vinculados em torno de uma mesa de negócios, que reabre para novas oportunidades todos os dias, como demonstro em PROCURAR EMPREGO NUNCA MAIS, com o prefácio de Joelmir Beting.

Se você quer ser incluído nesta ciranda de novas oportunidades, evite desgastar seu nome e seu posicionamento profissional fazendo com que as pessoas que possam eventualmente vir a ser aliadas percam tempo com seus currículos chatos.

Para abrir um acesso ao mercado, traduzido em renda, a única senha universalmente aceita é trabalho, ou seja, profissionais que saibam conciliar propostas de ações e atitudes que sinalizem lucros. Que demonstrem que se esforçam primeiro e pedem emprego depois.

“Sapo não pula por boniteza,
sapo pula por precisão”,
Guimarães Rosa

Falar é fácil, você, sapo (ou sapa) em água morna, me dirá.

Eis, a seguir, uma sugestão.

Faça uma lista das empresas com as quais você tem alguma afinidade. Acomode suas belas nádegas numa biblioteca e comece a pesquisar em jornais e revistas, atualizadas ou não, o desempenho delas. Anote o nome e o cargo das pessoas citadas nas reportagens. Uma excelente fonte de nomes e cargos são as atas e os balanços. Monte seu fichário.

Depois de pelo menos quatro semanas de dedicação exaustiva
a esta tarefa, arrume um jeito de acessar a internet. Pesquise
o site da empresa, descubra qual é a sua missão e a situe no contexto de seu setor econômico.

Ao localizar uma reportagem que mencione a empresa, faça
uma cópia. Marque os trechos em que menciona o nome e
cargo do profissional do qual você, a partir daquele momento,
é um admirador sincero.

Escreva-lhe, a mão, uma cartinha de dez linhas. Deixe claro que gostaria de fazer uma visita para mostrar tudo o que você já conseguiu aprender sobre a organização. Prove num texto levemente emocionado que você quer a orientação do profissional para continuar a aprender sobre a empresa. Use, preferencialmente, o correio para diferenciar seu acesso da enxurrada de e-mails.

Quais são suas chances de ser recebido? Sei lá! Com certeza superiores às de quem envia currículos por e-mail. E as probabilidades de ser contratado ou arrumar uma ocupação temporária? Depende do conteúdo de sua pesquisa e da maneira convincente de analisar o desempenho da empresa dentro do setor econômico, a partir do seu ponto de vista. Seu charme também contará. Pois você já estará, depois deste esforço, no patamar de ser notado.

E se o emprego, ou ocupação, não se materializar depois de um ou dois meses de trabalho exaustivo? Nesta altura, meu caro (ou minha cara), se você batalhou mesmo pra valer já tem bastante informação relacionada com o setor, conhecerá toda a cadeia produtiva em que a corporação está inserida e poderá ampliar suas chances de ocupação.

Você já não é mais um desesperado lançando currículos inúteis contra as empresas de sua preferência. Já caminha célere para se transformar num concorrente da organização e crescer na sua sombra. É sapo (ou sapa) cheio de auto-estima que aprendeu a saltar da água ainda morna. Acumulou conhecimento do setor e ganhou o respeito de eventuais aliados.

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Edu Simões / W11 editoresCréditos:
Marco Roza é jornalista. Trabalhou na Folha de São Paulo, Folha da Tarde, Notícias Populares, Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC e DCI. Em Londres, trabalhou para o Central Office of Information, órgão de divulgação do governo inglês. É diretor da Marco Direto Marketing - MDM, e se especializou em Marketing da Diferença®, em que pesquisa para
seus clientes como agregar ou ressaltar as diferenças que são percebidas pelos consumidores.

Email: marcoroza@mdm.com.br.
Telefone: 0800-11-1239
Procurar emprego nunca mais é editado pela W11 Editores
(011-3812-3812)

 

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