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 PROCURAR EMPREGO NUNCA MAIS Sexta-feira, 08 de abril de 2004
CRIAR PERFIL PROFISSIONAL VENDEDOR
Pesquise você mesmo e apresente seu potencial
único e essencial para o mercado

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“Vagalumes driblam a treva”,
Manoel de Barros em
“Gramática Expositiva do Chão”.

Marco Roza*

Sempre existirá alguma empresa, ou
conjunto de consumidores, dispostos a comprar nossas habilidades. O grande problema é nos perceberem como a
resposta às suas necessidades específicas.

Desempregados ou em busca da primeira vaga deveríamos nos esforçar para ajudar quem nos quer contratar. O que se percebe, infelizmente, são profissionais ou estudantes recém-formados que repetem apresentações convencionais, se escondem atrás de currículos comprados em papelarias. Resultado: perdem todos, eventuais contratantes e a própria pessoa.

A alternativa seria se apresentar ao mercado através de um perfil profissional. Mostrar seu potencial em desenvolvimento no tempo e ajudar os demais a reconhecê-lo como uma resposta aos seus problemas. É desta relação que surgem acordos comerciais, que podem eventualmente se materializar numa contratação.

É tremendamente difícil darmos a resposta às perguntas: o que somos, o que gostamos de fazer, o que queremos para nossas
vidas, de que maneira ajudaremos, profissionalmente, os
nossos semelhantes?

No livro Procurar emprego nunca mais, prefaciado por Joelmir Beting, invisto alguns capítulos tentando criar cenários que permitam aos leitores/leitoras montar o próprio perfil.

Primeiro, listar as preferências. Ou seja, o que gosta de fazer com o coração pleno de alegria. Em seguida, descobrir as necessidades de grupos de consumidores no mercado. E só depois adequar o perfil profissional como a ponte necessária e possível entre o que gosta de fazer e as expectativas do mercado.

Muita gente confunde perfil profissional como uma descrição das habilidades. Vejo aí um grande engano que acaba por dificultar a criação de um novo negócio. Ao se dirigir ao mercado em geral,
sua apresentação deverá mostrar em quais nichos seu talento
será melhor aproveitado, sua capacidade de se vincular a pro-
fissionais que complementem suas habilidades e catalisar, com
custos baixos, as ações esperadas.

Pelé na defesa?
O perfil profissional o inclui com exclusividade no mercado que necessita de suas habilidades. E quem lê, ou interage com quem sabe o que quer fazer, perceberá imediatamente que aquela pessoa tem uma proposta única e diferenciada para resolver o seu problema. Só depois de realçar o seu perfil profissional faz sentido listar as habilidades essenciais que lhe darão credibilidade.

Os narradores de partida de futebol nos ajudam a entender o que
é perfil profissional e o que é habilidade. Toda vez que um novo jogador substitui outro em campo, o apresentador realça o perfil profissional do jogador. Por exemplo, é um especialista na defesa, agressivo e eficiente.

Trata-se de um jogador que melhorará o time naquele momento, pela sua capacidade de entregar o prometido, apoiado em sua performance e criatividade. É essencial porque o time precisa de uma boa defesa para garantir ou buscar o resultado esperado.

Imagine que fosse uma vaga aberta no time e alguém se apresentasse com um perfil que o descrevesse como um excelente jogador de fute-
bol, que já ajudou a vencer dezenas de campeonatos e copas do mundo, que é criativo, agressivo etc.? Não seria, obviamente, esca-
lado para aquela posição de defesa. Nem mesmo se fosse um Pelé.

Por que? O seu perfil profissional não está completo ao não mostrar especificamente o que sabe fazer melhor dentro da função (jogador de futebol). E fica mais fraco ainda se não mostrar que tem a habilidade para resolver um conjunto de problemas específicos.

“Eu tenho um sonho”
Um jovem sem experiência deve ressaltar sua vontade de se encaixar num perfil profissional futuro. “Eu tenho um sonho” deveria ser o espírito que marcasse cada perfil de habilidades profissionais de um recém-formado. Escolhi esta profissão porque fiz a opção de dedicar minha vida a aprender e a ser o melhor dentro das necessidades que sua empresa oferece, deveria ser o argumento inicial. Um perfil que passe a mensagem subliminar: ou você me contrata como aliado ou nos enfrentaremos no mercado pois sou destinado a dar certo.

Em vez disso, os jovens se prendem à descrição de funções genéricas, se apresentando como especialistas quando, exa-
tamente por serem recém-formados, ainda são na verdade
um projeto futuro, que se quer bom.

Sugiro, então, que invistam num excelente perfil profissional e destaquem sua vontade, garra e excelência. Vendam suas habilidades futuras e convidem, no presente, os acionistas interessados em participar desta excelência. Para dar credibilidade ao perfil listem, aí sim, seu envolvimento em atividades sociais, seu interesse e capacidade de resolver problemas, como foi e é criativo em situações específicas etc. Se não é o primeiro emprego mostrem o que os diferenciou na função e porque é interessante para a empresa ter você como eventual empregado e como associado.

Acredito que aumentarão as chances de atrair a atenção da
empresa ou de um conjunto de consumidores. Ou será contra-
tado ou estará caminhando com passos firmes para se vincular diretamente ao mercado.

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Edu Simões / W11 editoresCréditos:
Marco Roza é jornalista. Trabalhou na Folha de São Paulo, Folha da Tarde, Notícias Populares, Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC e DCI. Em Londres, trabalhou para o Central Office of Information, órgão de divulgação do governo inglês. É diretor da Marco Direto Marketing - MDM, e se especializou em Marketing da Diferença®, em que pesquisa para
seus clientes como agregar ou ressaltar as diferenças que são percebidas pelos consumidores.

Email: marcoroza@mdm.com.br.
Telefone: 0800-11-1239
Procurar emprego nunca mais é editado pela W11 Editores
(011-3812-3812)

 

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