| A
CORRENTEZA |
Use
o desemprego como estímulo para
perceber e alavancar novas oportunidades |
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Marco
Roza*
Vivemos
uma época de transição que liquefaz nossas
principais referências. O emprego, com a carteira assinada
por uma vida toda, escorrega entre nossos dedos, nos empurrando
para um caudaloso rio de inseguranças e oportunidades.
Gotas
do Espírito Humano nos integramos à correnteza de
transformações tão aceleradas que afoga, por
instantes, nossa capacidade de perceber em nós mesmos o princípio
e o fim de nossos problemas.
Márcio
Pochmann, secretário do Trabalho da Prefeitura de São
Paulo, em conversa com a coluna, diz que os conceitos que elaboramos
no livro Procurar emprego nunca mais captam com felicidade
a nova realidade produtiva em que vivemos. “Acabou a definição
fácil do trabalho legal ou ilegal”, afirma. É
dele a definição de trabalho alegal.
O
trabalho alegal – que não se enquadra nas definições
de legal ou ilegal – está aí, ocupando 19 milhões
de pessoas no Brasil, ou 29% dos 65 milhões da população
ocupada. Superando os 17 milhões que trabalham na ilegalidade.
Os alegais crescem no setor de serviços, agregando capacitação
profissional às suas funções, num ambiente
em que a carteira de trabalho é substituída por relações
de negócios avalizadas pela competência, como afirma
Joelmir
Beting, no prefácio
de Procurar emprego nunca mais.
Só
depende de nós transcender o mundo dos sem crachá,
identificar as correntezas que nos são favoráveis
e canalizar as energias do turbilhão a nosso favor. Afinal,
ser o espírito consciente do nosso universo sempre foi uma
das aspirações evolutivas mais aguardadas por nós
mesmos, enquanto humanos.
Agora,
plenamente humanos e inseguros no emprego ou fora dele, é
hora de consolidar nossa alegalidade – não temos outra
alternativa – e criar a partir de nossos sonhos e pesadelos
a tábua de salvação que nos permitirá
flutuar.
Viver,
caros amigos e amigas, é flutuar num furacão de oportunidades.
Acostumados que estávamos em observar o cenário apoiados
na segurança da carteira de trabalho, somos hoje obrigados
a pegar o salmão da oportunidade em pleno vôo, enquanto
nos equilibramos como ursos famintos entre a pressão da correnteza
e o abismo das águas.
Você
sabia que a única situação
em que os ursos cooperam é
quando estão caçando salmões?
Para sermos a unidade de reprodução
social do mundo, como define Ulrich Beck, temos que incluir nosso
espírito na gerência desta unidade. A carteira assinada
que vinha acompanhada do holerite e recheada de ordens de serviços,
da prepotência da chefia burra e que nos espremia em funções-caixões,
como afirma o consultor Sérgio
Becker, nos liberta para a vida plena, quando é extinta.
Dá um frio na espinha, mas é gostoso colocar a mão
em nosso destino.
Perceber as oportunidades é, cada vez mais,
aprender a olhar nos olhos dos outros. Estão de volta as
longas conversas de negócios, os cuidadosos planos para se
atravessar os oceanos, as trocas de confidências diante de
um cardápio de negócios, a degustação
calma das decisões conjuntas. A segurança possível
e fluida.
“Seus
olhos, sua alma e seus sonhos são meus pontos de referência”,
pode até ser aproveitado numa canção popular,
mas sugiro que sirva de fio condutor para as alianças entre
parceiros que se preparam para consolidar vidas prósperas
depois do emprego formal.
TRABALHO
E PRAZER
•
Tipos de Poder, James Hilman, Cultura Editores Associados
– Vá direto para a página 74 e leia o capítulo
“Serviço”. Deguste a sofisticação
de Hilman que nos estimula a atingir o nirvana dos serviços,
quando conseguiríamos “elevar a qualidade de tudo aquilo
em que tocamos”. Recuperando, segundo o autor, a mais antiga
idéia de Herói, antes imaginado como uma pessoa que
buscava o ideal e cuja coragem e dons extraordinários estavam
a serviço dos deuses para o bem da comunidade.
•
Criatividade – A minha amiga, parceira e
especialista em criatividade tem um texto sobre medida para você
que começa a se interessar pelo assunto. Se tiver tempo,
por favor, clique no link Criatividade
by Gisela Kassoy.
•
Travessias oceânicas – Fernando Pessoa
em “Mar Português” (Mensagem): Valeu a pena?
Tudo vale a pena Se a alma não é pequena Quem quer
passar além do Bojador Tem que passar além da dor
Deus ao mar o perigo e o abismo deu Mas nele é que espelhou
o céu. 
Créditos:
Marco Roza é jornalista. Trabalhou na Folha
de São Paulo, Folha da Tarde, Notícias Populares,
Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC e DCI. Em Londres,
trabalhou para o Central Office of Information, órgão
de divulgação do governo inglês. É
diretor da Marco Direto Marketing - MDM,
e se especializou em Marketing da Diferença®, em
que pesquisa para
seus clientes como agregar ou ressaltar as diferenças
que são percebidas pelos consumidores. |
Email:
marcoroza@mdm.com.br.
Telefone: 0800-11-1239
Procurar emprego nunca mais é editado pela W11
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