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 PROCURAR EMPREGO NUNCA MAIS Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004
A CORRENTEZA
Use o desemprego como estímulo para
perceber e alavancar novas oportunidades

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 “O próprio indivíduo se torna a unidade
de reprodução do social no mundo da vida”,
Ulrich Beck, Risk Society: Towards a New Modernity.

Marco Roza*

Vivemos uma época de transição que liquefaz nossas principais referências. O emprego, com a carteira assinada por uma vida toda, escorrega entre nossos dedos, nos empurrando para um caudaloso rio de inseguranças e oportunidades.

Gotas do Espírito Humano nos integramos à correnteza de transformações tão aceleradas que afoga, por instantes, nossa capacidade de perceber em nós mesmos o princípio e o fim de nossos problemas.

Márcio Pochmann, secretário do Trabalho da Prefeitura de São Paulo, em conversa com a coluna, diz que os conceitos que elaboramos no livro Procurar emprego nunca mais captam com felicidade a nova realidade produtiva em que vivemos. “Acabou a definição fácil do trabalho legal ou ilegal”, afirma. É dele a definição de trabalho alegal.

O trabalho alegal – que não se enquadra nas definições de legal ou ilegal – está aí, ocupando 19 milhões de pessoas no Brasil, ou 29% dos 65 milhões da população ocupada. Superando os 17 milhões que trabalham na ilegalidade. Os alegais crescem no setor de serviços, agregando capacitação profissional às suas funções, num ambiente em que a carteira de trabalho é substituída por relações de negócios avalizadas pela competência, como afirma Joelmir Beting, no prefácio de Procurar emprego nunca mais.

Só depende de nós transcender o mundo dos sem crachá, identificar as correntezas que nos são favoráveis e canalizar as energias do turbilhão a nosso favor. Afinal, ser o espírito consciente do nosso universo sempre foi uma das aspirações evolutivas mais aguardadas por nós mesmos, enquanto humanos.

Agora, plenamente humanos e inseguros no emprego ou fora dele, é hora de consolidar nossa alegalidade – não temos outra alternativa – e criar a partir de nossos sonhos e pesadelos a tábua de salvação que nos permitirá flutuar.

Viver, caros amigos e amigas, é flutuar num furacão de oportunidades. Acostumados que estávamos em observar o cenário apoiados na segurança da carteira de trabalho, somos hoje obrigados a pegar o salmão da oportunidade em pleno vôo, enquanto nos equilibramos como ursos famintos entre a pressão da correnteza e o abismo das águas.

 

Você sabia que a única situação
em que os ursos cooperam é
quando estão caçando salmões?
Para sermos a unidade de reprodução social do mundo, como define Ulrich Beck, temos que incluir nosso espírito na gerência desta unidade. A carteira assinada que vinha acompanhada do holerite e recheada de ordens de serviços, da prepotência da chefia burra e que nos espremia em funções-caixões, como afirma o consultor Sérgio Becker, nos liberta para a vida plena, quando é extinta. Dá um frio na espinha, mas é gostoso colocar a mão em nosso destino.

Perceber as oportunidades é, cada vez mais, aprender a olhar nos olhos dos outros. Estão de volta as longas conversas de negócios, os cuidadosos planos para se atravessar os oceanos, as trocas de confidências diante de um cardápio de negócios, a degustação calma das decisões conjuntas. A segurança possível e fluida.

“Seus olhos, sua alma e seus sonhos são meus pontos de referência”, pode até ser aproveitado numa canção popular, mas sugiro que sirva de fio condutor para as alianças entre parceiros que se preparam para consolidar vidas prósperas depois do emprego formal.

TRABALHO E PRAZER

Tipos de Poder, James Hilman, Cultura Editores Associados – Vá direto para a página 74 e leia o capítulo “Serviço”. Deguste a sofisticação de Hilman que nos estimula a atingir o nirvana dos serviços, quando conseguiríamos “elevar a qualidade de tudo aquilo em que tocamos”. Recuperando, segundo o autor, a mais antiga idéia de Herói, antes imaginado como uma pessoa que buscava o ideal e cuja coragem e dons extraordinários estavam a serviço dos deuses para o bem da comunidade.

Criatividade – A minha amiga, parceira e especialista em criatividade tem um texto sobre medida para você que começa a se interessar pelo assunto. Se tiver tempo, por favor, clique no link Criatividade by Gisela Kassoy.

Travessias oceânicas – Fernando Pessoa em “Mar Português” (Mensagem): Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor Deus ao mar o perigo e o abismo deu Mas nele é que espelhou o céu.

Edu Simões / W11 editoresCréditos:
Marco Roza é jornalista. Trabalhou na Folha de São Paulo, Folha da Tarde, Notícias Populares, Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC e DCI. Em Londres, trabalhou para o Central Office of Information, órgão de divulgação do governo inglês. É diretor da Marco Direto Marketing - MDM, e se especializou em Marketing da Diferença®, em que pesquisa para
seus clientes como agregar ou ressaltar as diferenças que são percebidas pelos consumidores.

Email: marcoroza@mdm.com.br.
Telefone: 0800-11-1239
Procurar emprego nunca mais é editado pela W11 Editores
(011-3812-3812)

 

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