| BINGO
DO DESEMPREGO |
O
jogo que mais cresce no Brasil é o bingo do desemprego,
que mostra que a vaga formal é cada vez mais rara. |
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“Ressaltados,
os homens, ouvindo isso, rosnaram
de bem, cá e lá: coragem sempre agradava”,
Guimarães Rosa, “Grande Sertão: Veredas”
Marco
Roza*
Benedito
Julio de Souza, que tem o carinhoso email bjs.souza@uol.com.br,
me mandou seu livro Criando uma cultura empreendedora no Brasil
em que relata a necessária história do fazendeiro
bem-sucedido que ganhava repetidamente o troféu anual “Milho
Gigante”.
O
segredo do fazendeiro: “O vento apanha o pólen do milho
maduro e o leva através do vento de campo para campo. Se
meus vizinhos cultivam milho inferior, a polinização
degradará continuamente a qualidade do meu milho. Se eu quiser
cultivar milho bom, eu tenho que ajudar meus vizinhos a cultivarem
milho bom”.
Segure
esta visão de um milharal imenso, espalhado por milhares
de campos de futebol, um polinizando o outro, replicando e ampliando
as forças para culminar com uma safra de boa qualidade e
no troféu “Milho Gigante”.
Agora
passe os olhos pelas manchetes desta semana.Você lê
que mais de 130 mil pessoas disputam 30 vagas no Metrô de
São Paulo, que acena com um salário de R$ 866,26.
A exigência mínima é o segundo grau completo.
Vê a energia de centenas de milhares de jovens, homens maduros,
mulheres grávidas, brasileiros, nossos semelhantes, se espremendo
num fatal funil que recolherá apenas 30 crachás no
final.
Indiferença
profissional
Do mesmo jeito que a polinização dos milharais
vizinhos não era percebida como a principal causa da vitória
repetida do fazendeiro, a gente tende a não ver, contaminados
pela indiferença profissional dos políticos que nos
governam, os 129.970 que continuarão desempregados após
o concurso. Gente que pagou a inscrição de R$ 7,50
e ajudou a acumular em algum canto a módica cifra de R$ 974.775,00
e que completa os 10 milhões de desempregados no Brasil.
Mas
os 129.970 que não serão contratados, por mais eficientes
que sejam, continuarão vivos. Cheios de vontade de comer
e com uma imensa energia, que usarão para mudar sua atual
situação.
Cada
uma destas mulheres, jovens e pais de família participa deste
concurso apostando no jogo que mais cresce no Brasil: o bingo do
desemprego. Aposta R$ 7,50 no sonho de uma vaga e, ao perder, continuará,
como de hábito, a buscar por conta própria as alternativas.
E
ao lerem a frase de J.A. Gaiarsa: “Quando acordados, geralmente
é a figura do mundo que governa a forma de nossos movimentos.
Quando estamos sonhando, é a forma de nossos movimentos que
gera a figura do mundo”, recuperarão sua auto-estima
e evitarão, com todas as forças, serem enganados novamente.
Descobrirão,
tenho certeza, que cada gota do sonho de uma vaga que se evapora
neste bingo do desespero ajudará a polinizar a certeza de
que o emprego formal é cada vez mais uma ficção.
E
que depende da nossa coragem, que sempre agrada, como registra Guimarães
Rosa, para gerar novas figuras do mundo que sonhamos. Mergulhar
nos olhos dos nossos semelhantes e inocular, uns nos outros, as
alianças para colocar a mão em nossas rendas.
Abandonado
fora do mercado formal, este exército de dez milhões
de desempregados no Brasil se prepara para a invasão. Como
escreve Joelmir Beting no prefácio
de PROCURAR EMPREGO NUNCA MAIS: “Afinal, nem o maior
conglomerado do mundo conseguirá impedir o advento do novo
trabalho sem documento.” Desempregados, sim. Mas cada vez
mais guerrilheiros e samurais.
Trabalho
e eficiência
Organizando
o tempo do guerrilheiro – O empreendedor Marcelo
Thalenberg, autor do livro Socorro, roubaram meu tempo!,
nos ensina a usar a tecnologia que está de graça,
bem debaixo do nosso nariz, no Microsoft Outlook, para organizar
nossa atividade no tempo, ou seja, aumentar nossa eficiência.
“O modo de viver está mudando tão rapidamente
que não temos mais a percepção do que e quem
está roubando o nosso tempo e a qualidade de vida”,
diz Marcelo Thalenberg.
Não perca tempo, pois. Descubra com este
livro algumas técnicas comportamentais e aprenda a usar o
Microsoft Outlook para ajudar a administrar o seu tempo pessoal
e empresarial, explorar os recursos de seu telefone celular, melhorar
a estima e a eficiência de sua equipe.

Colunas anteriores
Créditos:
Marco Roza é jornalista. Trabalhou na Folha
de São Paulo, Folha da Tarde, Notícias Populares,
Jornal da Tarde, Diário do Grande ABC e DCI. Em Londres,
trabalhou para o Central Office of Information, órgão
de divulgação do governo inglês. É
diretor da Marco Direto Marketing - MDM,
e se especializou em Marketing da Diferença®, em
que pesquisa para
seus clientes como agregar ou ressaltar as diferenças
que são percebidas pelos consumidores. |
Email:
marcoroza@mdm.com.br.
Telefone: 0800-11-1239
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