A foice, o martelo e o cifrão O comunista Orlando Silva, ministro dos Esportes, terá R$ 20 bilhões para preparar o Brasil para as Olimpíadas de 2016
Gustavo Gantois

(À frente da Autoridade Pública Olímpica, Orlando Silva influirá em todos os gastos dos Jogos: da reforma de estádios aos patrocínios)
Na estética da antiga propaganda soviética, a foice e o martelo simbolizam o trabalho duro, unindo o operário e o camponês. O olhar no horizonte indica a esperança no futuro. As roupas austeras remetem à igualdade. Em Brasília, os que ainda se dizem comunistas no governo empunham também o cifrão.
Um deles é o ministro do Esporte, Orlando Silva, filiado ao PCdoB, que está prestes a ganhar um poder com o qual nem o mais revolucionário dos bolcheviques sonharia. Com a decisão do Comitê Olímpico Internacional de sediar os Jogos de 2016 no Rio de Janeiro, ele desponta como favorito para administrar um orçamento astronômico, cogitado em R$ 20 bilhões - mas que pode dobrar.
Avalizado tanto pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, quanto pelo prefeito, Eduardo Paes, Orlando Silva poderá chefiar a Autoridade Pública Olímpica (APO), um modelo que vem sendo aplicado desde Sydney e que é responsável por toda a centralização dos projetos de infraestrutura esportiva e de transportes, além de ações de promoção, marketing e segurança da Olimpíada.
Mas ele ainda evita confirmar se deve trocar o ministério pela carreira olímpica. Pelo modelo, a APO deve permanecer em funcionamento até o dia 31 de dezembro de 2020, gerenciando todo o legado da cidade. "Ainda não há nenhuma definição sobre o assunto", disse Orlando Silva à DINHEIRO. Desde que o Rio conseguiu a vitória em Copenhague, Orlando Silva tem cumprido uma agenda de maratonista. Os compromissos começam às 8 da manhã e as últimas reuniões têm terminado, geralmente, depois das 22h.
A antessala de seu gabinete vive repleta não só de políticos como de empresários e mesmo de atletas que vêm a Brasília buscando apoio a projetos de incentivo ao esporte. "Descobri que comunismo e esporte têm tudo a ver", brincou o ministro, que começou a carreira de militante como líder estudantil e é filiado ao partido desde 1988, quando dirigiu um grêmio estudantil na Bahia, onde nasceu.
Presidente da UNE entre 1995 e 1997, dirigiu nos três anos seguintes a União da Juventude Socialista. Ministro desde 2006, Orlando Silva está prestes a administrar um orçamento que faria revirar no túmulo seus ancestrais de militância. É muito dinheiro. Apenas em financiamento o BNDES deverá conceder R$ 25 bilhões.
Há duas semanas, a diretoria da estatal decidiu abrir uma linha de R$ 5 bilhões para a construção de hotéis. E do custo total apresentado ao COI, estima-se que os aportes federais sejam de R$ 7,9 bilhões. Ao Estado caberiam R$ 2,7 bilhões e ao município, R$ 1,2 bilhão. O restante viria da iniciativa privada. Todo esse dinheiro estará nas mãos da APO, que supervisionará reformas do porto e aeroportos, revitalização de canais, regeneração de bairros, ampliação do metrô, construção ou reforma de instalações esportivas, além da vila olímpica.
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