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Concorrência quente
Uma pequena fabricante de sorvetes do interior de São Paulo enfrenta (e incomoda) marcas como Kibon e Nestlé

Hugo Cilo

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Manteremos o foco regional para, no futuro, expandir para novos mercados" César Bergamini

Meses atrás, o empresário Valdomiro Bergamini recebeu um inusitado telefonema em seu escritório em Jundiaí, interior de São Paulo. "Quer vender a sua empresa? Estamos dispostos a pagar o que o senhor pedir", disse a ele o diretor de uma multinacional concorrente. Sem titubear, recusou a proposta.

"Ainda não é a hora", argumentou Valdomiro, hoje com 59 anos. A decisão faz todo o sentido. empresa que ele construiu nas últimas quatro décadas é a Sorvetes Jundiá, marca que superou em várias cidades do interior paulista e no Rio de Janeiro gigantes do setor, como Nestlé, e tem crescido a um ritmo superior ao da Kibon, a líder do mercado nacional.

Hoje a empresa fatura R$ 50 milhões, cresce 15% ao ano e vende mais de 100 milhões de litros de sorvete por mês - em um cálculo simples, isso representa mais de 30 picolés por segundo. Os números da Jundiá chamam a atenção, mas não impressionam mais do que a trajetória da companhia nos últimos dez anos.

Embora exista desde 1970, apenas em 1995 a Jundiá deixou de ser, digamos, "fundo de quintal". Até então, os sorvetes eram elaborados artesanalmente por Valdomiro e sua esposa, na parte de trás de uma pequena loja. A distribuição era feita em caixas térmicas no porta-malas do carro velho. De repente, Valdomiro teve um surto de grandeza. "Meus filhos, César e Sérgio, começaram a ajudar nos negócios.

Fiquei empolgado e decidi arriscar colocando em prática um plano de expansão", disse. Uma parte desse plano de expansão fez toda a diferença para a Sorvetes Jundiá. Valdomiro, a mulher e os filhos abandonaram o quartinho onde faziam os picolés, alugaram uma ex-fábrica de refrigerantes na cidade vizinha de Itupeva e multiplicaram por dez a produção. Pronto.

A partir dali, a empresa não parou mais de crescer. Hoje, com mais de 480 funcionários, cerca de 22% dos sorvetes vendidos nos mercados em que atua são da marca Jundiá. participação está distante dos 55% da Kibon, mas acima dos 20% da Nestlé. "Manteremos o foco regional para, no futuro, expandir para novos mercados", afirmou o diretor de vendas César Bergamini. No mercado nacional, a Jundiá detém pouco mais de 4%.

Não por acaso, a ex-fábrica de refrigerantes em Itupeva também já ficou pequena. Por isso, no maior investimento da história da empresa, Valdomiro desembolsou R$ 10 milhões para a construção de uma nova planta.

Com a nova unidade, a capacidade de produção da Jundiá irá dobrar, para mais de 200 milhões de litros de sorvetes por mês. "Teremos sorvetes 30% mais baratos, com variedade muito maior", garantiu César. "Queremos oferecer sabores que vão de macadâmia a algodão-doce. Só nós teremos isso."

 

 


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