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O bafo da inflação
O mercado projeta alta dos juros em 2010. Mesmo assim, títulos prefixados continuam boa opção

Márcio Kroehn

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Lembra do dragão da inflação, aquele que derretia o valor da moeda brasileira diariamente? no Brasil, ele vive apenas na memória dos mais velhos, mas ainda tem força para mexer com os mercados. Eis a lógica dos operadores: a economia brasileira deve crescer pelo menos 5% no ano que vem, os mercados estão inundados com dinheiro público e, portanto, haverá uma pressão adicional sobre os preços. Esse bafo levaria o Banco Central a elevar os juros para manter a inflação dentro da meta (4,5%). Daí a alta dos juros no mercado futuro da BM&F. Espera-se, para janeiro, uma taxa CDI de 10,2% ao ano. Hoje, a Selic, que dita o ritmo do CDI, está em 8,75%.

Diante disso, será que vale a pena migrar das aplicações prefixadas para as pós-fixadas, que acompanham a alta do custo do dinheiro?

Não necessariamente. A opção de aumentar a Selic em ano eleitoral não agrada o Banco Central, que tem outros instrumentos na mão, como os depósitos compulsórios (leia reportagem à pág. 90). Nada garante que vai prevalecer o pessimismo ligado à deterioração das contas públicas e a um possível descontrole da inflação no ano que vem. No momento, essa pressão tem sido baixa: o IGPM registrou deflação em outubro e, no ano, está em queda de 1,57%. "Não haverá uma deterioração violenta da economia brasileira", afirma Mauro Giorgi, gestor de recursos da Hera Investment. Com esse cenário, apostar em títulos pós-fixados pode ser um erro de estratégia. "Se o BC mexer no juro no ano que vem, será para baixo e não para cima", prevê o economista Ricardo Amorim, da Ricam Consultoria. Ficar nos papéis pré, como as letras (LTN) ou as notas do Tesouro nacional (NTN-F), pode ser mais negócio. "Para o longo prazo, a curva de juros pré-fixada está com um prêmio bastante vantajoso", diz manuel Lamas, responsável pela renda fixa da XP Investimentos.

Os títulos públicos podem ser adquiridos no serviço Tesouro direto, pela internet. As taxas dos prefixados vão de 9,12% ao ano a 13,18% ao ano, conforme o prazo. Os papéis pós oferecem em torno de 6,5%, mais a variação do IPCA. Faça suas apostas.

 


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