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IPI verde
O governo condiciona a desoneração de geladeiras, fogões e máquinas de lavar à eficiência energética. Agora, o discurso é ambiental

Hugo Cilo

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Leonardo Wen/FolLha imagem

O mais poderoso instru­mento de estímulo econômico do governo federal, a desone­ração de IPI ganhará uma nova utilidade. A partir de 1º de novembro, o imposto se tornará um aliado do meio ambiente. por determinação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a renovação do estímulo tributário só valerá até final de janeiro de 2010 para os produtos que consomem menos energia elé­trica, classificados como A e B no selo do Procel, que mede a eficiência energética.

"Passado o período mais grave da crise, vamos agora fazer do IPI um imposto com crité­rio ambiental", anunciou o ministro, na quinta-feira 28. Com as novas regras, as geladeiras que possuem o selo a, que atesta menor consumo, con­tinuarão com o bene­fício anterior de redução da alíquota de 15% para 5%.

No caso das que têm classificação B, que consomem um pouco mais, terão alíquota de 10% essas geladeiras, assim como as do selo a, teriam de pagar alíquota de 15% novamente a partir de 31 de outubro, se não fosse renovado o benefício. Já os refrigeradores de consumo classificado como C ou mais voltarão a recolher 15% de IPI. Essa mesma equação vale para fogões.

Os que consomem menos, terão alíquota elevada de zero para 2%, em vez dos 4% que voltariam a pagar em novembro. e o fogão com selo B pagará 3%, em vez de 4%. A alíquota cheia, de 4%, será retomada apenas para os demais fogões. A guinada verde do governo representará uma renúncia fiscal de R$ 132 milhões. Mesmo assim, não agradou a todos.

"Imaginávamos uma prorrogação plena, como já havia sido combinado com o governo," alegou o presidente da eletros, Lourival Kiçula. A nova redução é de quatro pontos para fogões e de dez pontos para geladeiras, tanquinhos e máquinas de lavar. Início da semana, Mantega se reuniu em São Paulo com os varejistas do setor e exigiu promoções de preços e contratações como condição para renovar o acordo.

Na verdade, a renovação já havia sido decidida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva justamente para aquecer as vendas de Natal, mas o suspense serviu para manter as vendas aquecidas na semana passada. nas grandes redes, a venda de produtos aumentou entre 35% e 40% após a redução do IPI.

E o governo, que agora lança o ipi da causa ecológica, fez na semana passada uma escolha polêmica: indicou a ministra Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula na corrida eleitoral de 2010, para representar o País em Copenhague, na Dinamarca, na Conferência do Clima.

A ministra, que já foi mãe do PAC e a responsável pela saída da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva , agora poderá erguer mais uma bandeira, que não combina muito com ela.

Punição
Geladeiras que consomem mais energia terão IPI maior. Assim, o governo levanta a bandeira ecológica

 

 


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