Líder de novo Depois de oito anos, a Volkswagen reassume a liderança no mercado de automóveis no País. Como isso foi possível?
Por Amauri Segalla e Hugo Cilo

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Thomas Schmall, presidente
"Seremos maiores do que nossa matriz na Alemanha" |
O economista alemão Thomas Schmall, 45 anos, assumiu a presidência da Volkswagen do Brasil em janeiro de 2007. Era um momento crítico para a montadora. Nos dez anos anteriores, a Volks tinha perdido dinheiro no País e, desde 2001, não sabia o que era liderar as vendas de carros em um mercado que ela dominou durante quase quatro décadas. Na Alemanha, a matriz pressionava por resultados e ameaçava não liberar novos investimentos para a subsidiária brasileira. No início do milênio, a situação era tão grave que se chegou a falar no fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Menos de três anos depois de chegar ao poder, Schmall tem resultados bem diferentes para apresentar. Pelo terceiro ano consecutivo, a operação da Volks vai fechar o balanço com lucro. Mas a grande conquista de Schmall, principalmente pelo simbolismo que ela carrega, foi ter recolocado a empresa no topo. Em 2009, após quase uma década de desconfortável viceliderança, a Volks superou a Fiat e retomou a dianteira em vendas de automóveis no mercado brasileiro. "Voltamos ao lugar que jamais deveríamos ter deixado de ocupar", disse Schmall à DINHEIRO na quarta-feira 28.
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Schmall é uma metralhadora que dispara números. Em 2009, a produção das cinco fábricas brasileiras da Volkswagen deve alcançar o recorde de 800 mil unidades, um volume 35% maior que o de 2006, antes do início de sua gestão. A participação de mercado da Volks, que estava estacionada na casa dos 23%, subiu para quase 26%. Nem mesmo a enorme repercussão provocada por problemas de ruído nos motores dos carros 1.0 da marca, que na semana passada causaram transtornos a centenas de motoristas, abalou o bom humor do presidente. "Tudo vai tão bem que já me sinto 50% brasileiro", afirma o execer - e todos na empresa estão convencidos de que acontecerá -, a Volks do Brasil só será menor que a Volks da China.
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A arrancada da Volks pode ser creditada, entre outros fatores, à redução do IPI. O estímulo fiscal associado ao ajuste de custos de produção dentro da montadora (renegociação com fornecedores, modernização da linha de produção, para citar só alguns exemplos) possibilitou que o novo Gol, que lidera o ranking cutivo, num sotaque carregado de palavras por vezes incompreensíveis. A fase é tão favorável que Schmall desenhou um cenário surpreendente. Se o ritmo de vendas da empresa continuar no mesmo patamar nos próximos anos, a filial da Volks no Brasil vai alcançar um feito histórico. "Em 2014, deveremos ser maiores do que nossa matriz na Alemanha", diz o presidente. Se isso acontenacional desde 1987, chegasse ao consumidor por um preço 5% mais baixo do que o de seu antecessor. Resultado: no primeiro semestre de 2009, as vendas do carro-chefe da Volks aumentaram 2,6% na comparação com os seis primeiros meses de 2008 - que havia sido recorde. No mesmo período, o desempenho do Palio, o automóvel mais vendido da Fiat, foi negativo em 12,65%. No auge da crise, os italianos da Fiat também tomaram uma decisão que acabou comprometendo a sua performance. A empresa reduziu em 30% o ritmo de produção da fábrica de Betim, em Minas Gerais, o que nem a Volks nem seus outros concorrentes fizeram.
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