LOGÍSTICA
De olho no mundo As tradings brasileiras exportaram o equivalente a US$ 20 bilhões em 2008, movimentando 10% da balança comercial. Números que o governo e o setor pretendem triplicar

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As trading companies movimentaram, de janeiro a outubro de 2009, cerca de US$ 22,5 bilhões |
Elas atuam nos bastidores, identificam mercados potenciais para a exportação, encontram as melhores oportunidades de preço e prazo para quem quer importar e, não raro, financiam o negócio. Também se encarregam de receber, estocar e entregar a mercadoria, aqui ou no Exterior. As trading companies, surgidas no começo dos anos 70, assumiram papel fundamental no comércio exterior nos últimos anos. Os números são gigantescos. O setor movimenta cerca de 10% da balança comercial brasileira - US$ 22,5 bilhões no acumulado entre janeiro e a primeira quinzena de outubro deste ano. Potencial que poderia, segundo especialistas do setor, ser triplicado, caso houvesse maior aproximação entre as tradings e as empresas exportadoras brasileiras de pequeno e médio portes.
"Um bom começo é fazer um processo educativo e de conscientização desses empresários, já que boa parte nem sabe que nós existimos ou como funcionamos", afirma Alfredo de Goeye, presidente da Sertrading, maior operadora logística de leite brasileiro, responsável por 50% de toda a exportação do produto para mercados como o Oriente Médio e a América Latina, os principais importadores. A Sertrading, que faturou R$ 1,3 bilhão em 2008, pretende encerrar 2009 com receita de R$ 1,5 bilhão, resultado que poderia ser ainda melhor, caso as companhias não tivessem que lutar contra os velhos problemas de infraestrutura. "Só temos uma opção de ferrovia e, ainda assim, só para o porto de Santos", lamenta o gerente comercial da Sertrading, André Campos. Pelas contas do executivo, por falta de infraestrutura, a operação logística representa algo entre 30% e 40% do custo total na movimentação de mercadorias. "Os produtos brasileiros, por exemplo, custam entre 10% e 15% mais do que o similar americano."
Apesar das dificuldades no mercado interno e do impacto da crise da economia global que paralisou os mercados desde setembro do ano passado, o setor está otimista. Everaldo de Peder, gerente comercial da Sab Company, trading que mais cresce no País, acredita que as empresas do setor já estão registrando o reaquecimento dos negócios e tendem encerrar o ano nos mesmos patamares de 2008 antes da crise. "No início de 2009, por exemplo, o frete de um contêiner da China para o Brasil chegou a US$ 800. Hoje já está em US$ 2,4 mil", afirma Peder. "Não é apenas um efeito da retomada dos negócios. São os armadores e embarcadores tentando recuperar as margens do fim de 2008 e início de 2009", completa o executivo.
De acordo com Peder, as tradings companies passaram por três fases importantes no Brasil: a abertura do mercado brasileiro, no início da década de 90; a estabilidade econômica, no início desta década; e, agora, com o processo de consolidação desse processo e a inserção dos consumidores de baixa renda no mercado nacional. Segundo o executivo, também é inegável que o Brasil, ao longo das duas últimas décadas, aumentou muito sua presença no mercado internacional e em todos os setores, não só no de commodities, como ocorria no passado. "Agora, temos um papel importante para sustentar e até ampliar essa presença", afirma Peder. "Mas é preciso um trabalho forte para tornar as tradings mais conhecidas, principalmente aumentar o diálogo do setor com as empresas de médio porte que têm potencial exportador. E esperamos que o governo faça a sua parte", completa o executivo da Sertrading.
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