Uma marretada de US$ 20 trilhões A queda do Muro de Berlim, há 20 anos, não significou só o fim da Guerra Fria e do comunismo. O evento deu impulso à globalização e marcou o início de uma agenda econômica que perdura até hoje
Leonardo Attuch
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| 9 de novembro de 1989: um dia histórico, em que os alemães derrubaram o Muro e depois festejaram no Portão de Brandemburgo |
Nos últimos dias de outubro de 1989, quem andasse pelas ruas de Berlim Ocidental encontraria em qualquer quiosque cartões-postais com imagens do Muro. Era ele que conferia identidade à cidade. E não apenas a ela. O Muro era também o símbolo de um mundo polarizado e dividido. Do lado ocidental, o capitalismo, que se estendia até ali. Do lado oriental, o comunismo, que se alastrava do Leste Europeu até a Sibéria. De cá, uma Alemanha onde se respirava liberdade e artistas anônimos se expressavam com desenhos e rabiscos nas paredes. Num dos cartões-postais mais vendidos de Berlim, havia uma mensagem direta: Der kampf gegen die Mauer geht weiter - a luta contra o Muro continua. De lá, outra Alemanha, regida pela paranoia, onde 302 torres de observação vigiavam os cidadãos - e a ordem era atirar para matar em quem se aventurasse a cruzar o paredão branco. Poucos dias depois, em 9 de novembro de 1989, Berlim e o mundo não seriam mais os mesmos. Assim que o governo da Alemanha Oriental anunciou a abertura de uma fronteira construída 28 anos antes, em 1961, cidadãos dos dois lados dirigiram-se ao Muro, dispostos a encerrar um dos capítulos mais vergonhosos do século 20.
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