O Brasil passou no teste Para reduzir custos e aumentar a velocidade de lançamentos de remédios, o laboratório Roche amplia investimentos em pesquisa científica no País
Amauri Segalla

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Adriano Treve, presidente da Roche no Brasil: "A partir de agora, o Brasil deve contribuir intensamente para o surgimento de novos remédios"
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Laboratório da Roche: setor descobriu no mercado brasileiro uma possibilidade de realizar testes científicos
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Neste exato momento, milhares de brasileiros, a maioria portadora de doenças complexas como o câncer, testam medicamentos que não existem no mercado. Para quem enfrenta a angústia de uma enfermidade grave, experimentos científicos podem significar uma chance rara de cura. Até pouco tempo atrás, isso não era possível no Brasil.
Os hospitais não tinham tecnologia necessária para atender pacientes que participam de pesquisas clínicas e o número de cientistas e médicos com qualificação para acompanhar os testes era reduzido demais. Mas o País mudou. O crescimento econômico estimulou uma onda de investimentos no setor - e obrigou os profissionais a se atualizarem.
Como resultado desse processo, os principais laboratórios do mundo descobriram no mercado brasileiro uma possibilidade de realizar testes científicos. É o caso da Roche, uma das maiores farmacêuticas do mundo. Em 2009, a empresa vai investir R$ 54 milhões em pesquisas clínicas realizadas no Brasil, um acréscimo de 55% sobre o valor desembolsado no ano anterior.
Cerca de seis mil pacientes tomam atualmente novos remédios criados pela companhia, contingente que chegará a sete mil em 2010. "A partir de agora, o Brasil deve contribuir intensamente para o surgimento de novos remédios", diz Adriano Treve, presidente da Roche no Brasil.
R$ 54 milhões é quanto a Roche vai investir em pesquisas clínicas realizadas em cerca de seis mil pacientes
Poucos setores dependem tanto da inovação quanto a indústria farmacêutica. Para se tornarem competitivos, os laboratórios dependem do desenvolvimento de novos tratamentos. O problema é que a invenção de um medicamento custa caro. "Para criar um produto a partir do zero, chegamos a gastar US$ 1 bilhão." O tempo também é elevado, normalmente entre 10 e 15 anos.
Uma das formas de diminuir os custos e reduzir o período necessário para colocar um remédio na praça é realizar pesquisas clínicas em vários países. Estima-se que o custo de experiências científicas seja até 20% menor em nações emergentes como o Brasil. Além disso, para um remédio ser aprovado pelos órgãos competentes, ele deve ter sua eficiência comprovada por um universo grande de pessoas. outras palavras: é preciso ter doentes disponíveis.
"Isso tudo explica por que o Brasil se tornou importante na nova estratégia global da Roche", diz Karina Fontão, diretora-médica da empresa no Brasil. Segundo Karina, o País tem a vantagem de possuir centros de estudo qualificados. "Para empresas da área de saúde, manter parcerias com instituições de pesquisa é vital." Atualmente, a Roche tem programas de intercâmbio de informações com o Instituto do Coração de São Paulo (Incor) e com o Nacional do Câncer.
No Incor, a pesquisa é focada no uso de células-tronco, uma das novas fronteiras da medicina. A operação brasileira da Roche cresceu em termos de participação nos negócios globais da empresa. Há uma década, sequer figurava entre as dez nações de maior faturamento. Agora, com vendas de R$ 1,3 bilhão, ocupa o sétimo lugar. "Devemos em breve superar a Espanha, passando para as seis primeiras colocações", diz o presidente Treve
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