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Ele vai pegar o dinheiro de volta
No auge da crise de crédito, Henrique Meirelles liberou R$ 100 bilhões para os bancos médios. Agora, é hora de pagar a conta

GUSTAVO GANTOIS

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SERGIO LIMA/FOLHA IMAGEM
Meirelles: bancos serão os primeiros a sentir o fim dos pacotes anticrise

Em outubro do ano passado, no auge da crise financeira, o governo anunciou uma série de medidas para evitar que a fonte do crédito que gira a economia secasse. Entre desonerações fiscais de um lado e a criação de programas de financiamento do outro, o Banco Central decidiu reduzir a alíquota dos depósitos compulsórios que recolhia dos bancos. Apenas isso foi suficiente para colocar na praça R$ 100 bilhões, dinheiro que ajudou as instituições com problemas de liquidez, especialmente as de menor porte, a sobreviver. Agora, a conta começa a chegar. Segundo a DINHEIRO apurou, na última reunião do Comitê de Política Econômica do BC, há duas semanas, dois diretores levantaram a bola sobre a necessidade de pedir o dinheiro de volta. "Ou é isso ou seremos obrigados a aumentar os juros em breve", disse um deles. O breve, no caso, é 2010, ano de eleições.

Político (literalmente), o presidente do BC, Henrique Meirelles, vaticinou que não teria condições de conceder uma carga extra na taxa básica, a Selic. A opção mais realista é voltar a recolher os compulsórios, tirando dinheiro da economia. O comandante do BC, segundo a DINHEIRO apurou, avalia que a economia brasileira mostra sinais de recuperação suficientes para que o crédito não sofra após esse enxugamento de liquidez. Os bancos foram os primeiros a ser beneficiados e serão os primeiros a sentir o fim do pacote anticrise, teria dito Meirelles na reunião do Copom. A data da medida ainda não está definida. O estudo está sendo tocado pelos diretores Alexandre Tombini e Alvir Hoffmann.

No mercado, dá-se como o mais provável que já em dezembro o BC comece a recolher o dinheiro liberado. "Com o crescimento da economia brasileira, principalmente no terceiro trimestre, está claro que chegou o momento de se retirar os estímulos dados pelo governo", avalia o economista Paulo Leme, diretor do banco Goldman Sachs. "Já está claro para a diretoria do BC que, mais cedo ou mais tarde, o crescimento da economia vai esbarrar na inflação", avisa Flávio Serrano, do Banco BES Investimento. Para Ricardo Denadai, economista sênior da Santander Asset Management, o aumento dos juros pode ser precedido da elevação dos depósitos compulsórios, como forma de enxugar a liquidez da economia e conter um crescimento muito acelerado do crédito, que vem sendo puxado, principalmente, pelos bancos públicos, cujas carteiras avançam a um ritmo próximo de 40%.

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