| Dinheiro do Investidor |
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Dinheiro em ação por Milton Gamez com Márcio Kroehn
PAPÉIS AVULSOS |
Muralha da Suíça

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José olympio pereira,
chefe do banco de investimentos Credit Suisse no Brasil |
O crime do colarinho-branco dá cadeia nos Estados Unidos – que o digam o fraudador Bernard Madoff, condenado a 150 anos de prisão, e o bilionário Raj Rajaratnam, fundador do Galleon Group, que pagou US$ 100 milhões na semana passada para responder aos processos em liberdade. No Brasil, com seu capitalismo emergente e um mercado de capitais pouco maduro, ainda são brandas as punições aos financistas que desobedecem à legislação e realizam operações danosas aos investidores desavisados. Na prática, eles se livram do problema devolvendo o dinheiro ganho indevidamente (ou parte dele) para a Comissão de Valores Mobiliários. Foi o que aconteceu na terça-feira 20, quando a CVM aprovou um termo de compromisso pelo qual o Credit Suisse pagará R$ 19,2 milhões e encerrará o processo administrativo 22/2006, relativo a operações com ações da Embraer. Antes de a empresa anunciar uma reestruturação, em 2006, o banco comprou R$ 90 milhões em ações da companhia. Depois, vendeu-as com lucro. O crime foi o uso de informação privilegiada: o Credit Suisse foi contratado pela fundação Sistel, acionista da Embraer, e sabia que o processo aumentaria o valor da Embraer. Ou seja, a muralha da China, que em tese separa as áreas de banco de investimentos e gestão de recursos, virou queijo suíço. Procurados pela DINHEIRO, o presidente do Credit Suisse no Brasil, Antonio Quintella, e José Olympio Pereira, chefe do banco de investimentos, não quiseram comentar o caso. Transparência não é o forte dos bancos suíços. |
| DESTAQUE NO PREGÃO |
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Ponto alto na Net
A Net passou boa parte do ano brigando contra a isenção da cobrança do ponto extra para a TV por assinatura. O receio era perder receita e prejudicar os resultados. Mas a autorização para cobrar pelo aluguel do equipamento – e não pelo ponto – veio como uma luz para a empresa comandada por José Félix, que desde o início de julho ganha R$ 19,90 pelas maquininhas instaladas nas residências. O ponto alto da história está nos resultados do terceiro trimestre, que mostraram lucro líquido de R$ 246 milhões, revertendo prejuízo de R$ 63 milhões no mesmo trimestre de 2008. Os clientes da tevê paga cresceram 25% no período e 4,5% sobre o segundo trimestre deste ano. Com a parte da tevê acertada, Félix vai em busca da banda larga. Para o ano que vem, ele tem a meta de ganhar 40% do 1,3 milhão de pessoas que utilizam a linha discada para se conectar à internet no Estado de São Paulo. |
PALAVRA DE ANALISTA
O resultado da Net agradou a Beatriz Batelli, analista da Brascan Corretora. O que mais chamou a atenção foi a redução da provisão para devedores duvidosos (PDD), que ficou em 0,3% da receita líquida de R$ 1,19 bilhão. “Foi um ótimo resultado, mas não parece sustentável”, afirma Beatriz. O cálculo dela é que a PDD deve ficar próxima a 1% da receita. A expectativa da entrada de novos assinantes em 2010 continua favorecendo o desempenho da Net. “A Oi, que já tem conteúdo via satélite, pode ameaçar a Net se a legislação que autoriza as operadoras de telefonia a atuar em tevê for aprovada. Mas não há data para isso”, diz. |
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AVIAÇÃO
Gol de tanque cheio
A Gol realizou uma bemsucedida oferta de ações. Captou R$ 1,02 bilhão e vai poder organizar as dívidas. Mas essa não foi a única iniciativa da companhia na semana passada para encher o tanque do seu caixa. O presidente Constantino Jr. afirmou, na quarta-feira 21, que a Gol terá um reajuste de 20% nas passagens. A decisão foi elogiada. A empresa estava em disputa ferrenha de preços desde maio deste ano para aumentar a ocupação. O objetivo foi conseguido, com 30% a mais de passageiros, mas as receitas foram prejudicadas. Essa decisão deve equilibrar novamente as contas. A ação fechou cotada a R$ 18,61 na quinta-feira 22, alta de 88% no ano. |
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QUEM VEM LÁ |
| Lupatech visita o Tio Sam
A Lupatech, que atua nos setores de petróleo e gás, protocolou registro para emitir American Depositary Receipts (ADR) na mesma semana em que o Brasil passou a tributar em 2% o capital estrangeiro na bolsa. Coincidência que não estava nos planos da companhia, que decidiu lançar ações em Nova York. O banco JP Morgan foi contratado e a papelada ficou pronta na semana passada. “Emitir ADR só pela questão fiscal é irresponsabilidade”, diz Thiago Oliveira, diretor de RI. Com 20% de estrangeiros na sua base de acionistas – chegou a ser 50% no ano passado –, a Lupatech quer chegar aos fundos americanos que só podem comprar ações negociadas no mercado local.
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FIQUE DE OLHO: A Lupatech será a trigésima empresa brasileira a ter suas ações listadas em Nova York. A previsão é começar a negociação em dezembro deste ano. |
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