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O tropeço da Crocs
Sandálias da empresa podem ter causado acidentes. O que isso significa para o futuro da marca?

Jose Sergio Osse

Jacquelyn Martin
Marca em xeque: Rory com o pé ferido e Schmitt, chefe da unidade brasileira. Empresa diz que há acidentes com todo tipo de calçado

A marca Crocs se tornou um fenômeno mundial com um produto que parecia imbatível: sandálias extremamente confortáveis por um preço camarada. Nos últimos dias, a crise se instalou na mesma velocidade com que o sucesso surgiu.

O relato de histórias de clientes na Europa e nos Estados Unidos que tiveram os pés feridos por estar usando os calçados da empresa acabou repercutindo até no Brasil. Na semana passada, escolas particulares de São Paulo proibiram o uso das sandálias Crocs sob a alegação de que elas são perigosas.

Segundo as instituições, alguns estudantes se machucaram levemente, o que seria suficiente para vetar o produto. Um dos casos mais graves ocorreu nos Estados Unidos. Rory McDermott, 6 anos, teve um profundo corte no pé porque seu Crocs ficou preso em uma escada rolante.

Acidentes acontecem e muitas vezes são inevitáveis. O problema é que, de acordo com especialistas, a sandália de plástico representa, de fato, um risco. É o que diz Cláudio Santili, ortopedista pediátrico que, em 2010, assume a presidência da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

Segundo ele, o desenho das sandálias Crocs, que prioriza o conforto dos pés, as torna adequadas apenas para uso em condições relaxadas - em casa, principalmente, ou em atividades que exigem pouca movimentação. Em correrias, comuns em pátios de escolas, elas não servem. "A sandália não oferece firmeza ao pé, embora seu solado seja antiderrapante.

Karime Xavier/AG. ISTOÉ

Ela trava no chão, enquanto o pé fica solto." Em sua defesa, a Crocs alega que o aumento do número de acidentes com crianças que usam as sandálias reflete apenas o fato de elas serem um sucesso entre os pequenos.

Ou seja, como há muita gente usando, os problemas crescem na mesma proporção. "Acidentes com crianças ocorrem com o uso de calçados como tênis (cadarço solto), sandálias de dedo, chinelinhos e até calçados clássicos", disse a Crocs em nota enviada à DINHEIRO (consultado, o presidente da empresa no País, Andrew Schmitt, preferiu não conceder entrevista).

Segundo Valerie Engelsberg, sócia da consultoria de marcas Top Brands, a empresa não deve se omitir. Situações como essa, diz, têm potencial de sair do controle e colocar em risco a própria existência de uma marca, especialmente uma tão jovem quanto a Crocs. "Uma companhia que recebe críticas e não age em resposta pode criar um problema maior para si própria", diz Valerie.

Por enquanto, a empresa não foi acionada judicialmente por clientes que se sentiram lesados. A empresa não vive um momento favorável. No ano passado, seu prejuízo totalizou US$ 185,1 milhões. Segundo especialistas, os acidentes podem comprometer ainda mais seu desempenho financeiro.

 

 


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