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IRB abre as portas para o BB
O governo, que durante anos falou em privatizar a estatal que controla o setor de resseguros, mudou de rota. O mais provável é que favoreça a entrada do Banco do Brasil na companhia

Gustavo Gantois e Márcio Kroehn

BIO BARREIRA/ag. istoé
Foco no retorno : Aldemir Bendine, presidente do BB, quer aumentar de 15% para 25% a participação dos seguros nos resultados

Você já ouviu falar do Instituto de Resseguros do Brasil? Provavelmente não. Embora seja pouco conhecido, ele está por trás das grandes obras que acontecem no País. O IRB é responsável pela diluição do risco das seguradoras.

É o seguro do seguro. Com R$ 10,4 bilhões em ativos e o controle nas mãos do governo federal, há um forte indício de que o Banco do Brasil (BB) possa ganhar voz ativa na resseguradora em pouco tempo.

As fracassadas tentativas de privatizar a companhia e a abertura do mercado no ano passado para a chegada dos estrangeiros, como a MunichRe e a SwissRe, podem favorecer o banco presidido por Aldemir Bendine.

A entrada do BB no resseguro é parte dos planos do banco de aumentar de 15% para 25% a participação dos seguros nos seus resultados. "Se estou fazendo um movimento estratégico, não posso ter uma participação ínfima no resseguro", afirma um diretor do banco. Mas esse passo promete não ser nada fácil.

Apesar de 100% das ações ordinárias estarem com o governo, os grandes bancos privados concentram boa parte dos papéis sem direito a voto. Bradesco e Itaú Unibanco, por exemplo, têm 21% e 18% do capital do IRB. E a instituição comandada por Luiz Carlos Trabuco Cappi já avisou que vai lutar para aumentar sua participação.

"O governo deveria fazer uma concorrência pelo controle", afirma Ricardo Humberto Rocha, do Insper. Tudo indica, no entanto, que a venda será direta ao BB, assim como ocorreu com vários bancos estaduais. Nessa disputa pelo destino do IRB, uma saída cogitada seria levá-lo à bolsa para abrir o capital. Mas essa possibilidade foi descartada dentro da sede no Rio de Janeiro. Para um mercado que movimenta R$ 3,5 bilhões ao ano, a resseguradora tem capital de sobra para receber apólices bilionárias de seguros.

O desafio é tornar o IRB uma potente companhia internacional. E este é mais um ponto que beneficia o BB. Com a joint venture recém-assinada com os espanhóis da Mapfre, essa poderia ser a porta de entrada em outros países. Nos corredores do banco, é dado como certo que o grupo espanhol, que já atua com resseguros no Brasil e no Exterior, seria o maior beneficiário desse acordo.

"É uma operação triangulada que pode dar o que falar", diz Rocha. Do ano passado para cá, 57 companhias estrangeiras de resseguros abriram suas portas no Brasil. São elas as mais preocupadas com a entrega do IRB para o BB. "O resseguro ainda não está fortalecido o suficiente para a volta de um acordo monopolista", diz um executivo do mercado.

 

 


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