O dono da energia Mineiramente, Aécio Neves transforma a Cemig no maior grupo elétrico brasileiro. E, assim, pretende se viabilizar à Presidência em 2010
Hugo Cilo
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"A Cemig é um exemplo de estatal bem administrada" Aécio Neves, governador de Minas Gerais
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Avenida Barbacena, 1.200, centro de Belo Horizonte, sede da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Entre os mineiros, o endereço é tão popular quanto doce de leite e pão de queijo. Mas pode ser que, muito em breve, este também seja o principal centro de comando do setor elétrico brasileiro. Tudo depende do andamento de um plano que, mineiramente, tem sido conduzido pelo governador Aécio Neves.
O objetivo é fazer da Cemig a maior empresa de energia do País. Ela já comprou a Terna, uma distribuidora que atua em 11 Estados do País, finaliza a aquisição da Light, que fornece eletricidade ao Rio de Janeiro, e desenha uma proposta pela espanhola Endesa, dona da Coelce e da Ampla, que estão no Ceará e no interior fluminense.
"Onde houver boas oportunidades, vamos comprar", disse à DINHEIRO o governador Aécio Neves. "Temos dinheiro em caixa e estamos, sim, em busca da liderança", confirmou o presidente da companhia, Djalma Bastos de Morais, em sua ampla sala no 18º andar. Com essas aquisições, a Cemig, que hoje tem um valor de mercado de R$ 16 bilhões, superaria a própria Eletrobrás, valendo mais de R$ 32 bilhões (leia gráfico na próxima pág.).
Que Minas Gerais tenha uma das maiores empresas de energia do País, é até natural. Apelidado como a "caixa d'água" do Brasil, o Estado sempre foi a principal base das hidrelétricas nacionais - não só da Cemig, como também de empresas federais como Furnas. Mas o expansionismo de Aécio também atende a uma finalidade política.
Postulante à vaga do PSDB na disputa presidencial de 2010, ele tem construído um novo discurso: o de "Estado capaz". Seria uma contraposição ao Estado forte do PT, tido por muitos como intervencionista, e também ao Estado mínimo, que marcou o período governado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
"A Cemig é a prova de que uma estatal pode ser bem administrada", insiste Aécio. Não custa lembrar que, em 2006, um dos fatores determinantes para a derrota de Geraldo Alckmin foi sua tibieza em defender as privatizações tucanas. E Aécio quer se consolidar como um tucano que abraça a ideia de desenvolvimentismo. "A Cemig está para Aécio assim como a Petrobras está para Lula", avalia o cientista político Wladimir Nunes Coelho, da UFMG.
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