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Vale, o lucro sob ataque
Roger Agnelli só entregou bons resultados à frente da mineradora, mas o governo quer derrubá-lo. O que há por trás da ofensiva contra a empresa e por que ela não faz sentido

Por Leonardo Attuch e Hugo Cilo

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REUTERS/SERGIO MORAES
Roger Agnelli, presidente da Vale, passou de mocinho a vilão por não atender aos pedidos do presidente Lula

Eram 16h23 da quarta-feira 14, quando os portões do Palácio da Liberdade, em Belo horizonte, se abriram para o executivoRoger Agnelli. ele entrou pela porta dos fundos e se reuniu rapidamente com o governador aécio neves. minutos depois, os dois seguiram para o salão nobre da sede do governo mineiro. o presidente da Vale vestia um terno escuro e parecia abatido - o único detalhe que resplandecia na sua imagem era a gravata dourada, guardada para ocasiões especiais. Agnelli leu um discurso escrito, evitando olhar para as lentes dos fotógrafos. no único momento de improviso, fez um desabafo: "aqui nunca nos faltou apoio." e depois anunciou investimentos de R$ 9,5 bilhões em minas Gerais. Sem responder a nenhuma pergunta, ele saiu também pela porta dos fundos. e foi direto para o aeroporto da Pampulha, onde embarcou no avião da companhia, de volta para o rio de Janeiro. aquela era a primeira aparição pública de Agnelli em 22 dias. e ocorreu cercada de mistério - o encontro foi divulgado apenas pelos assessores de aécio, e não da Vale. tudo porque o presidente da companhia tem sido alvo, nas últimas semanas, de um intenso bombardeio orquestrado pelo próprio Palácio do Planalto. o objetivo: apeá-lo do comando da maior empresa privada do Brasil. Visto de Brasília, Agnelli é hoje um alvo. Um executivo na mira do governo, muito embora tenha transformado a Vale na mineradora mais lucrativa do mundo - desde a privatização, a empresa se valorizou 3.433%, acima de qualquer outro investimento no País.

Wellington Pedro/Imprensa MG Anna Carolina Negri/Valor econômico
Depois de 22 dias sumido, Agnelli reapareceu ao lado de Aécio e disse: "Em Minas, não nos falta apoio" Sérgio Rosa, da Previ, é cotado para suceder Agnelli, numa manobra estimulada pelo PT

Com números tão positivos, é incompreensível que a Vale esteja sofrendo tantos ataques de quem mais deveria defendê-la. Nos 55 anos em que foi estatal, a empresa pagou US$ 3 bilhões em dividendos aos acionistas - o maior era a União. Nos 12 anos pósprivatização, o valor subiu para US$ 11 bilhões, favorecendo sócios que são direta ou indiretamente ligados ao Estado, como o BNDES e os fundos de pensão. Por isso mesmo, o tiroteio, que começou em dezembro do ano passado, quando a empresa anunciou 1,3 mil demissões, foi ganhando contornos distintos, de acordo com as conveniências. O primeiro argumento, usado pelo presidente Lula e por alguns de seus assessores, foi o de que a Vale teria jogado combustível na fogueira da crise ao demitir pessoal. Mas o balanço da empresa nesse aspecto é extremamente positivo - de 1997 até hoje, o número de funcionários passou de dez mil para mais de 60 mil. Depois, a companhia foi acusada de não agregar valor ao minério de ferro. Ocorre que a Vale é hoje a empresa que mais investe em siderurgia. Em seguida, ela foi criticada por não comprar navios no Brasil. Só que isso, segundo o presidente do próprio sindicato da construção naval, Ariovaldo Rocha, ainda não é possível. "Os estaleiros nacionais não estão preparados para as encomendas que foram feitas pela Vale", disse ele à DINHEIRO.

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