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Meeting 2009
Saída al mare
Na ilha caribenha de Cap Cana, 150 empresários discutem o mundo pós-crise e apontam: para o Brasil, o turismo será a indústria da década

Carlos José Marques, de Cap cana

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Crise e prosperidade. Bolsas em queda histórica e valorização ao ritmo de 120% em dólar nos meses seguintes. No hiato de um ano, 150 empresários brasileiros, integrantes do braço-forte do LIDE - organização capitaneada por João Doria Jr. que reúne mais de 40% do PIB -, puderam testemunhar a diferença entre o inferno econômico e a saída para o paraíso dos bons resultados. A constatação deu-se em um cenário inspirador, a ilha paradisíaca de Cap Cana, na República Dominicana, que abrigou por três dias o 14º Meeting. O evento, periodicamente, debate as grandes questões macroeconômicas do Brasil e do mundo e, desta vez, trazia o sinal do otimismo.

Motivados pela onda de feitos nacionais, como a descoberta do Pré-Sal e a escolha do País para sediar a Copa e a Olimpíada, os participantes cravaram o caminho da retomada. A indústria do turismo será, acreditam eles, o motor de arrancada que levará o País a navegar nas águas do crescimento sustentável. "Vivemos um momento inédito e particularmente promissor, uma década de ouro, talvez a melhor da história do turismo brasileiro", puxou o ministro do Turismo, Luiz Barreto, durante o seminário, que apontava alternativas do pós-crise. E não era mera torcida.

A indústria que já vinha avançando ao ritmo de 4% ao ano deve dobrar seu desempenho daqui para a frente. Somente a Copa vai atrair milhões de novos turistas. A Olimpíada idem. O patamar atual de 5,1 milhões de estrangeiros que visitam o Brasil anualmente será multiplicado. Os mais animados falam em até três vezes o volume de hoje, em sete anos.

O plano de ações para receber tal demanda inclui investimentos oficiais de US$ 2,5 bilhões em infraestrutura - fora o que virá contabilizado via obras do PA C - e mais de US$ 1 bilhão em recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, já aprovados. A verba do BID servirá para a revitalização da zona portuária do Rio, palco dos jogos de 2016. Cálculos do ministério mostram que o setor hoteleiro privado investiu perto de US$ 1 bilhão em modernização nos últimos tempos e outros US$ 3 bilhões deverão entrar na ordem do dia em projetos que estão saindo da prancheta. No BNDES, a conta não é menor.

Para setores afins ao turismo brasileiro, o banco ampliou em 17 vezes o bolo de recursos disponíveis. No caminho de promoções internacionais, a pasta de Luiz Barreto acionou há pouco mais de um ano o "Programa Aquarela" que vende lá fora uma nova imagem do Brasil. "A ideia foi mostrar mais que o lado pitoresco, da terra da boa música e da boa comida. Passamos a imagem do País moderno e inovador." O impacto foi imediato. Os mais de cinco milhões de estrangeiros deixaram um saldo positivo de US$ 6 bilhões em gastos em 2008 e converteram o turismo na quinta maior pauta de exportação brasileira. Comparativamente, em 2001, os 4,4 milhões de turistas estrangeiros que passaram por aqui deixaram pouco mais de US$ 1,7 bilhão.

Na fala da presidente da Embratur, Janine Pires, alguns alertas: por força de uma política historicamente equivocada na expansão da malha de transporte, ainda 76% dos estrangeiros chegam ao Brasil por via aérea, evidenciando uma perigosa dependência desse meio de transporte. O gargalo no fluxo de passageiros internacionais fica ainda mais evidente dado os constantes problemas registrados nos aeroportos em todos os Estados.

Caso não sejam resolvidas rapidamente as carências no sistema, os riscos de colapso serão grandes. Curiosamente, quase ao mesmo tempo em que o assunto era tratado em Cap Cana, chegavam informações de que no Rio de Janeiro os aeroportos do Galeão e Santos Dumont passavam por nova onda de atrasos de voos, protestos e quebra-quebra, com passageiros amontoados pelo saguão.

No seminário, a diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Solange Vieira, evitava responder sobre questões de infraestrutura operacional. "É da competência da Infraero", limitou-se a dizer. Indagada sobre as deficiências de um monopólio que concentra 90% da operação de tráfego aéreo na mão de uma única empresa estatal, foi olímpica: "A princípio, qualquer monopólio é ruim." No papel de moderador, João Doria insistiu no assunto: "Um monopólio altamente ineficiente."

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